Trajetória
Caio Semprônio Graco nasceu por volta de 154 a.C., nove anos depois do irmão Tibério, e foi educado por Cornélia. Participou da comissão agrária criada por Tibério e serviu na guerra de Numância. Foi questor na Sardenha em 126 a.C., sob o cônsul Lúcio Aurélio Orestes, e retornou a Roma sem autorização, o que lhe valeu um processo do qual foi absolvido. Eleito tribuno da plebe para 123 a.C. e reeleito para 122, propôs um programa muito mais amplo que o do irmão, apoiado pela plebe urbana e por parte da ordem equestre.
Entre as medidas mais importantes estiveram a lei frumentária, que garantia a venda de grãos em Roma a preço fixo e reduzido, a construção de estradas e celeiros públicos, e a fundação de colônias, entre elas a Junônia no antigo sítio de Cartago. A lei judiciária transferiu os tribunais que julgavam extorsão de governadores aos membros da ordem equestre, e a lei sobre a província da Ásia previu a cobrança de tributos por publicanos. Propôs ainda ampliar a cidadania aos latinos. A oposição respondeu com Marco Lívio Druso, tribuno que apresentou propostas mais generosas e menos viáveis, e a popularidade de Caio declinou. Não conseguiu terceiro mandato.
Em 121 a.C., o cônsul Lúcio Opímio defendeu a revogação da colônia de Cartago e a tensão aumentou. Após a morte de um servidor do cônsul, o Senado aprovou o senatus consultum ultimum, decreto de emergência que autorizava os cônsules a tomar qualquer medida em defesa do Estado. Caio e seu aliado Marco Fúlvio Flaco ocuparam o Aventino, mas foram dominados. Flaco foi morto, e Caio, segundo Plutarco, pediu a seu escravo Filócrates que o matasse durante a fuga, num bosque ao pé do Tibre. As fontes falam de centenas ou milhares de mortos entre seus partidários, e os cadáveres foram lançados ao rio.
O que importa reter
- Instituiu a distribuição pública subsidiada de grãos em Roma
- Transferiu tribunais importantes ao controle da ordem equestre
Legado e julgamento histórico
Cícero admitiu sua eloquência, mas condenou seu programa; Plutarco e Apiano o descrevem com simpatia como defensor dos pobres. Em Roma, o decreto final e a execução sem julgamento de cidadãos tornaram-se tema de debate durante décadas, invocado ainda nos debates de 63 a.C. sobre os conspiradores de Catilina. Historiadores modernos veem em Caio o primeiro político a montar uma plataforma ampla, articulando interesses de plebe, cavaleiros e aliados itálicos, e discutem o quanto as medidas visavam ao bem comum ou à construção de clientela. A distribuição de grãos e o papel político dos cavaleiros permaneceram até o Império.
Acontecimentos em que aparece
Tribunatos de Caio Graco e a repressão de 121 a.C.
O irmão mais novo de Tibério ampliou o programa reformista com distribuição subsidiada de grãos, colônias e mudanças nos tribunais, e morreu quando o Senado autorizou o uso da força contra ele.
- Política e governo
- Roma
- Século II a.C.