Reino ostrogodo na Itália
Teodorico governou a Itália por mais de trinta anos preservando a administração, o Senado e o direito romanos, período de estabilidade e produção intelectual notável.
- Política e governo
- Ravena e Itália
- Século V d.C.
476–1453 e além
A metade que não caiu e o que sobreviveu às duas. A trajetória do Estado romano sediado em Constantinopla e os caminhos pelos quais o repertório romano seguiu ativo muito depois de 476.
Apresentação do período
A metade oriental do império não caiu em 476 nem em qualquer data próxima. Ela continuou existindo por quase mil anos, com capital em Constantinopla, administração contínua e cidadãos que se chamavam romanos até o último dia. Chamar esse Estado de bizantino é conveniência de historiadores modernos, não designação de época. Compreender sua trajetória é a única forma de perceber que a história romana não termina onde a maior parte dos livros a interrompe.
O Oriente tinha o que faltava ao Ocidente: cidades maiores, agricultura mais produtiva, uma base fiscal robusta e fronteiras mais curtas em relação à população que defendia. Isso permitiu absorver pressões externas que teriam sido fatais do outro lado.
No século VI, uma tentativa ambiciosa de reconquistar o Ocidente devolveu temporariamente a África, a Itália e parte da Hispânia ao controle imperial. O esforço custou caro, coincidiu com uma pandemia devastadora e deixou a Itália arruinada, aberta a uma nova invasão poucos anos depois.
No século VII, guerras totais contra a Pérsia e a expansão do califado reduziram o império a uma fração de seu território. O Estado que sobreviveu a isso era diferente: falava grego na administração, organizava a defesa em circunscrições militares e havia abandonado boa parte do repertório institucional tardo-antigo.
A compilação jurídica ordenada no século VI reuniu mil anos de direito romano em uma obra que, redescoberta nas universidades italianas a partir do século XI, tornou-se a base das tradições de direito civil de boa parte do mundo. Conceitos de contrato, propriedade, posse e responsabilidade em uso hoje descendem diretamente dela.
O latim seguiu vivo como língua de administração, ciência e liturgia por mais de mil anos após o fim do Ocidente, e originou as línguas faladas hoje por centenas de milhões de pessoas. O calendário reformado por César, com um ajuste feito no século XVI, é o que organiza o ano civil.
Traçados urbanos, redes de estradas, sistemas de abastecimento de água, técnicas construtivas em concreto e a própria planta da basílica passaram para a arquitetura posterior. Instituições políticas modernas retomaram deliberadamente vocabulário romano: senado, república, magistratura, tribuno.
Constantinopla caiu em 1453, e com ela terminou a linha institucional iniciada por Augusto. A data costuma ser usada como marco do fim da Idade Média, o que diz mais sobre a periodização europeia do que sobre o acontecimento em si.
Depois disso, Roma continuou sendo invocada por quem buscava legitimidade: impérios que adotaram o título imperial, repúblicas que copiaram sua arquitetura cívica, movimentos que reivindicaram sua herança. Estudar o legado romano é também estudar os usos políticos que cada época fez dele.
Cronologia do período
Os registros aparecem na mesma ordem em que se sucederam. Expanda um cartão para ver contexto, causas e desdobramentos, ou abra a ficha completa para consultar as fontes.
Teodorico governou a Itália por mais de trinta anos preservando a administração, o Senado e o direito romanos, período de estabilidade e produção intelectual notável.
Por ordem de Justiniano, juristas reuniram e organizaram mil anos de direito romano em uma compilação que se tornaria a base das tradições jurídicas de boa parte do mundo.
Erguida em menos de seis anos após a destruição da igreja anterior em uma revolta, a nova catedral cobriu um espaço imenso com uma cúpula sem paralelo na arquitetura antiga.
O Império do Oriente reconquistou a África vândala, a Itália ostrogoda e parte do sul hispânico, restaurando temporariamente o controle romano sobre boa parte do Mediterrâneo.
Uma epidemia de peste bubônica chegou pelos portos e devastou o império durante anos, com surtos recorrentes por dois séculos.
Poucos anos após a custosa reconquista, os lombardos entraram na Itália e ocuparam grande parte da península, fragmentando-a de forma duradoura.
Heráclio venceu uma guerra devastadora contra os persas e conduziu mudanças administrativas e linguísticas que marcam a passagem do Estado romano tardio para sua forma medieval.
Exaurido pela guerra contra os persas, o império perdeu em poucas décadas suas províncias mais ricas para as forças do califado, reduzindo-se à Anatólia, aos Bálcãs e a enclaves ocidentais.
O bispo de Roma coroou o rei dos francos como imperador, reivindicando a restauração do título imperial no Ocidente, o que gerou conflito imediato com Constantinopla.
data aproximada
O reencontro com a compilação jurídica de Justiniano deu origem ao estudo sistemático do direito romano na Europa, base da formação jurídica ocidental.
Desviada de seu destino original, uma expedição cruzada tomou e saqueou a capital romana do Oriente, fragmentando o império em Estados rivais e provocando dano irreversível.
Após um cerco de quase dois meses conduzido com artilharia pesada, a capital caiu e o último imperador morreu combatendo, encerrando uma linha institucional iniciada por Augusto quinze séculos antes.
data aproximada
Direito, línguas, alfabeto, calendário, urbanismo, vocabulário político e organização administrativa mantêm em uso, até hoje, estruturas formadas no mundo romano.