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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Cônsul em 195 a.C.; censor em 184 a.C.

Catão, o Velho

o censor da austeridade. Político e escritor conhecido pela defesa dos costumes tradicionais, pela crítica à influência grega e pela insistência na destruição de Cartago. Escreveu a primeira obra histórica em latim de que se tem notícia.

Trajetória

Marco Pórcio Catão nasceu em 234 a.C. em Túsculo, numa família plebeia de proprietários rurais sem tradição de magistraturas, o que fez dele um homem novo (novus homo). Serviu ainda jovem na Segunda Guerra Púnica e, segundo Plutarco, conheceu Lúcio Valério Flaco, vizinho de propriedade que o incentivou a entrar na política. Foi questor em 204, edil da plebe em 199 e pretor em 198 a.C., quando governou a Sardenha. Eleito cônsul em 195, com Flaco, partiu para a Hispânia Citerior e reprimiu revoltas locais. Antes disso, como cônsul, opôs-se à revogação da lei Ópia, que limitava o luxo feminino, mas a lei foi revogada.

Em 191 a.C., como tribuno militar, participou da vitória sobre Antíoco III nas Termópilas. Em 184 foi eleito censor, de novo com Flaco, e ficou famoso pela severidade: expulsou senadores da lista, impôs impostos pesados sobre bens de luxo e fiscalizou contratos públicos com rigor. Foi também um acusador incansável, que levou inimigos políticos aos tribunais e, segundo a tradição, esteve envolvido nos ataques ao círculo dos Cipiões. Escreveu as Origines, a primeira história de Roma em latim, e o De agri cultura, o mais antigo texto latino em prosa conservado integralmente. Discursos seus circulavam ainda no tempo de Cícero.

Na velhice, Catão tornou-se defensor ativo da destruição de Cartago. Plutarco narra que, depois de uma embaixada a Cartago, em 152 a.C., ficou impressionado com a recuperação da cidade e passou a encerrar seus discursos no Senado com uma frase a favor da destruição, a célebre Carthago delenda est, cuja formulação exata é objeto de dúvidas. Em 155, também se opôs à embaixada de filósofos atenienses, receando a influência grega. Morreu em 149 a.C., aos 85 anos, pouco antes do início da Terceira Guerra Púnica. Seu filho Licínio morreu pretor-designado, e o neto Catão Uticense herdou o nome e a reputação.

O que importa reter

  • Autor de um tratado sobre agricultura que sobreviveu até hoje
  • Sua campanha contra Cartago antecedeu a guerra de 149 a.C.

Legado e julgamento histórico

Cícero, que o admirava, o usou como personagem do diálogo Sobre a velhice. Plutarco e Lívio o retrataram como símbolo da virtude rústica, mas também como avarento e severo. Estudos modernos mostram que sua postura anti-helênica era seletiva, pois ele conhecia a literatura grega e a imitou, e que a ênfase na tradição era parte de uma estratégia política. As Origines foram importantes para a historiografia latina, e o tratado agrícola ilumina a economia das propriedades escravistas da Itália. Permaneceu como arquétipo do censor moralista e como referência para os republicanos tardios que invocaram a austeridade ancestral.

Acontecimentos em que aparece

Terceira Guerra Púnica e destruição de Cartago

Roma exigiu de Cartago condições impossíveis, cercou a cidade por três anos e a destruiu, reduzindo sua população à escravidão e convertendo seu território em província.

  • Guerra e conquista
  • Cartago, norte da África
  • Século II a.C.
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Sobre a data: A narrativa sobre o espalhamento de sal nas ruínas não aparece nas fontes antigas e é invenção moderna, frequentemente repetida como se fosse antiga.

Cartago havia se recuperado economicamente e quitado sua indenização antes do prazo, o que alarmou setores do Senado. Provocada por incursões númidas, a cidade reagiu militarmente sem autorização romana, violando o tratado de 201 a.C. Roma então impôs exigências crescentes, culminando na ordem de abandonar a cidade e reconstruí-la longe do mar. A recusa levou ao cerco final. A destruição foi total e a região passou a formar a província da África, uma das mais produtivas do Império em cereais e azeite.

O que levou a isso

  • Recuperação econômica cartaginesa e temor romano de um novo rival
  • Conflito entre Cartago e o reino númida aliado de Roma
  • Pressão de setores do Senado favoráveis à eliminação definitiva da cidade

O que veio depois

  • Destruição de Cartago e escravização dos sobreviventes
  • Criação da província da África, futura grande fornecedora de grãos
  • Demonstração de força que redefiniu as relações de Roma com todo o Mediterrâneo

Figuras envolvidas: Cipião Emiliano · Catão, o Velho · Asdrúbal, o Beotarca

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