Sobre a data: A narrativa sobre o espalhamento de sal nas ruínas não aparece nas fontes antigas e é invenção moderna, frequentemente repetida como se fosse antiga.
Contexto histórico
Cartago havia se recuperado economicamente e quitado sua indenização antes do prazo, o que alarmou setores do Senado. Provocada por incursões númidas, a cidade reagiu militarmente sem autorização romana, violando o tratado de 201 a.C. Roma então impôs exigências crescentes, culminando na ordem de abandonar a cidade e reconstruí-la longe do mar. A recusa levou ao cerco final. A destruição foi total e a região passou a formar a província da África, uma das mais produtivas do Império em cereais e azeite.
Como se desenrolou
Em 151 ou 150 a.C., Cartago saldou a última parcela da indenização, e o reino númida de Masinissa, aliado de Roma, aumentava suas ocupações no território cartaginês. Catão, o Velho, enviado como embaixador, voltou impressionado pela prosperidade da cidade e passou a terminar discursos com a exigência de que Cartago fosse destruída, segundo Plutarco. Quando os cartagineses, após derrota para Masinissa, reuniram um exército, Roma declarou guerra. Os cartagineses tentaram negociar e entregaram reféns, e depois armas em quantidade, que Apiano estima em duzentos mil conjuntos de armadura e dois mil engenhos de arremesso.
A exigência final dos cônsules Mânlio Manílio e Lúcio Márcio Censorino foi que a população abandonasse a cidade e se instalasse a cerca de dezesseis quilômetros do mar. Os cartagineses recusaram e fabricaram armas por toda a cidade, usando até os cabelos das mulheres para as cordas, segundo a tradição, e transformando templos em oficinas. Os primeiros cercos dos cônsules fracassaram. Cipião Emiliano, neto adotivo de Cipião Africano, destacou-se como tribuno militar e, eleito cônsul em 147 a.C. antes da idade legal, assumiu o comando e construiu um molhe para fechar o porto.
Na primavera de 146 a.C., Cipião forçou a entrada pelo porto comercial e lutou seis dias nas ruas estreitas, de casa em casa, até a colina de Birsa. Asdrúbal, comandante da defesa, rendeu-se, e Apiano conta que a esposa dele o maldisse e se lançou ao fogo com os filhos. Segundo Apiano, cerca de cinquenta mil sobreviventes foram vendidos como escravos. Políbio, presente, relata que Cipião chorou ao ver a cidade em chamas e citou versos de Homero sobre a queda de Troia. O Senado enviou dez comissários para organizar o território como província da África.
O que levou a isso
- Recuperação econômica cartaginesa e temor romano de um novo rival
- Conflito entre Cartago e o reino númida aliado de Roma
- Pressão de setores do Senado favoráveis à eliminação definitiva da cidade
O que veio depois
- Destruição de Cartago e escravização dos sobreviventes
- Criação da província da África, futura grande fornecedora de grãos
- Demonstração de força que redefiniu as relações de Roma com todo o Mediterrâneo
Importância histórica
Encerra a rivalidade púnica e evidencia o novo padrão romano de resposta a qualquer potência capaz de rivalizar com sua hegemonia.
O que dizem as fontes
Apiano, escrevendo mais de dois séculos depois, deve muito a Políbio, que acompanhou Cipião e testemunhou a queda, mas o texto polibiano sobre essa fase sobrevive apenas em fragmentos. A atribuição a Catão do refrão Carthago delenda est é transmitida por Plutarco, Plínio e outros, com variações. A noção de que o sal foi espalhado nas ruínas surgiu em época moderna. A arqueologia, com escavações na colina de Birsa e no porto, confirma camadas de destruição e incêndio, mas Cartago foi refundada por César e Augusto. Debate-se se a guerra foi premeditada por Roma ou se resultou de uma escalada de pretextos.
Figuras envolvidas
- Cipião Emiliano — o comandante de Cartago e Numância
- Catão, o Velho — o censor da austeridade
- Asdrúbal, o Beotarca
Fontes consultadas
- Apiano, Sobre a Líbia Fonte antiga
- Políbio, Histórias, livros XXXVI–XXXVIII Fonte antiga
- Sítio arqueológico de Cartago, Patrimônio Mundial UNESCO
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