Trajetória
Lúcio Aurélio Cômodo nasceu em 31 de agosto de 161 d.C., em Lanúvio, gêmeo de Tito Aurélio Antonino, que morreu ainda criança. Foi o primeiro filho de um imperador em exercício a nascer durante o reinado do pai em muitas décadas, circunstância que reforçou a ideia de sucessão dinástica. Marco Aurélio o fez César em 166, deu-lhe formação com mestres escolhidos e levou-o para os campos do Danúbio. Em 177, tornou-o Augusto e cônsul antes da idade regular, assegurando a sucessão por nascimento. Quando o pai morreu, em março de 180, Cômodo, com 18 anos, assumiu sozinho o império.
Logo no início negociou a paz com marcomanos e quados, abandonando a política de anexação que Marco Aurélio parecia seguir, decisão criticada pelas fontes por ter interrompido uma campanha em andamento. Em Roma, entregou boa parte da administração a favoritos, como o prefeito pretoriano Perênio e depois Cleandro, ambos eliminados. Uma conspiração envolvendo sua irmã Lucila, em 182, agravou a desconfiança em relação ao Senado, e os processos contra senadores se multiplicaram. Passou a se identificar com Hércules, a aparecer na arena, como relatam Díon Cássio, que assistiu aos espetáculos, e Herodiano, e a desvalorizar a moeda, em um contexto também marcado pela peste.
Nos últimos anos, Cômodo reorganizou o calendário e, segundo fontes posteriores, quis rebatizar Roma como Colônia Comodiana e mudar os nomes dos meses. Em 31 de dezembro de 192, foi assassinado por uma conspiração que reunia sua concubina Márcia, o chambelão Eclecto e o prefeito pretoriano Quinto Emílio Leto: após o veneno falhar, foi estrangulado pelo lutador Narciso. O Senado condenou sua memória, mas Septímio Severo, anos depois, o reabilitou e o divinizou, por conveniência dinástica. Pertinax foi aclamado, mas durou poucos meses, e o império mergulhou na guerra civil de 193.
O que importa reter
- Sua morte encerrou o período de estabilidade do século II
- Cultivou uma imagem pública ligada a espetáculos na arena
Legado e julgamento histórico
Díon Cássio, Herodiano e a Historia Augusta o descrevem como um governante cruel, vaidoso e entregue aos espetáculos, mas o viés senatorial desses autores é nítido. A historiografia moderna reexamina o reinado e vê nele uma monarquia que se apoiava nos libertos, nos pretorianos e no povo de Roma, contra a ordem senatorial. Sua morte encerrou a dinastia antonina. O gladiador do imaginário popular, difundido por obras de ficção, deve mais à literatura antiga e ao cinema do que à documentação disponível.
Acontecimentos em que aparece
Morte de Marco Aurélio e governo de Cômodo
A morte de Marco Aurélio interrompeu a série de sucessões por adoção, e seu filho Cômodo assumiu o poder, encerrando o período de estabilidade do século II.
- Política e governo
- Roma
- Século II d.C.