Trajetória
Constantino Paleólogo nasceu em 8 de fevereiro de 1405, em Constantinopla, filho do imperador Manuel II e de Helena Dragaš, de origem sérvia. Sua família era a dinastia dos Paleólogos, que governava o que restava do Império Bizantino desde o século XIII. Ainda jovem, participou da defesa da capital e de campanhas no Peloponeso. A partir de 1428, administrou o despotado da Moreia, no sul da Grécia, onde ampliou os domínios bizantinos contra principados latinos e fortificou o istmo de Corinto com a muralha do Hexamílion, destruída pelo sultão Murad II em 1446.
Com a morte de seu irmão João VIII, em 1448, Constantino foi escolhido como sucessor e coroado em Mistra, em janeiro de 1449; só depois viajou a Constantinopla. Governou um Estado limitado quase à capital, cercado pelo território otomano. Em 1451, subiu ao trono otomano Mehmed II, que construiu a fortaleza de Rumeli Hisarı no Bósforo, em 1452, para controlar a navegação. Em dezembro de 1452, Constantino aceitou proclamar a união das Igrejas na Santa Sofia, tentativa de obter auxílio do Ocidente, o que provocou resistência entre o clero e a população. O apoio efetivo foi pequeno, destacando-se o contingente do genovês Giovanni Giustiniani.
O cerco começou em abril de 1453. As muralhas terrestres resistiram por semanas ao fogo de grandes canhões, mas os defensores, em número que as fontes estimam em poucos milhares, eram insuficientes. Em 29 de maio, o assalto geral teve êxito depois que Giustiniani foi ferido e a defesa se desorganizou, e os atacantes entraram na cidade. Segundo as fontes, entre elas Jorge Sfrantzes, Constantino morreu combatendo, mas o destino exato do corpo é incerto. A tradição popular grega, nascida depois, falava de um imperador transformado em mármore, à espera de retornar, lenda sem base documental.
O que importa reter
- Governou um Estado reduzido praticamente à própria capital
- Recusou propostas de rendição antes do assalto final
Legado e julgamento histórico
Cronistas gregos como Sfrantzes e Ducas, e relatos latinos como o de Nicolau Barbaro, retratam um governante corajoso diante de situação desesperada, embora com variações; os otomanos também registraram o episódio. A historiografia moderna discute o peso das divisões religiosas, da rivalidade entre potências italianas e da superioridade técnica dos sitiantes para explicar o desfecho. A queda de Constantinopla é tradicionalmente usada como marco de fim da Idade Média. Para a memória grega, Constantino tornou-se símbolo do último imperador e da continuidade romana encerrada em 1453.
Acontecimentos em que aparece
Queda de Constantinopla
Após um cerco de quase dois meses conduzido com artilharia pesada, a capital caiu e o último imperador morreu combatendo, encerrando uma linha institucional iniciada por Augusto quinze séculos antes.
- Guerra e conquista
- Constantinopla
- Século XV d.C.