Contexto histórico
O império estava reduzido praticamente à cidade e a poucos territórios dispersos, com população muito menor que em seu apogeu. As muralhas terrestres, que haviam resistido a dezenas de cercos por mil anos, foram rompidas por canhões de grande calibre. A queda encerrou a continuidade jurídica do Estado romano. Entre suas consequências indiretas costuma-se apontar o deslocamento de eruditos e manuscritos gregos para a Itália, um dos estímulos ao estudo dos clássicos na Europa ocidental.
Como se desenrolou
Mehmed II, sultão desde 1451, aos vinte e um anos, preparou o ataque com cuidado. Em 1452 construiu a fortaleza de Rumeli Hisarı, no Bósforo, para controlar a passagem marítima, e contratou o fundidor húngaro Orbán para fabricar canhões enormes. O cerco começou em 6 de abril de 1453. As fontes ocidentais apresentam números diversos: os otomanos teriam dezenas de milhares de homens, talvez algo como oitenta mil, enquanto a guarnição de Constantino XI reunia cerca de sete mil combatentes, entre eles genoveses liderados por Giovanni Giustiniani Longo. Uma corrente de ferro fechava a entrada do Chifre de Ouro.
Os primeiros assaltos foram repelidos. Em 22 de abril, Mehmed fez arrastar, por terra e sobre toras untadas, cerca de setenta navios menores até o interior do Chifre de Ouro, contornando a corrente e ameaçando a muralha marítima. Os canhões abriram brechas nas muralhas teodosianas, que os defensores reparavam à noite com barris, terra e madeira. Tentativas de minar as muralhas foram contidas por contraminas. Houve uma suspensão de combates e divergências entre venezianos, genoveses e gregos. Esperava-se uma frota de socorro veneziana, que não chegou a tempo, e as notícias de Mehmed sobre a falta de resultados quase o levaram a negociar.
O ataque final começou na madrugada de 29 de maio, em vagas sucessivas: primeiro irregulares, depois tropas anatólicas e, por fim, os janízaros. Giustiniani foi ferido e deixou o posto, e as fontes ligam esse fato ao colapso moral da defesa. Os otomanos entraram por uma brecha ou por uma pequena porta mal vigiada, e a cidade foi saqueada por três dias, segundo a prática da época; milhares de habitantes foram escravizados. Constantino XI, que lutou, desapareceu sem que o corpo fosse identificado com certeza. Mehmed dirigiu-se a Santa Sofia, que se tornou mesquita, e transferiu a capital de Edirne para a cidade, passando a usar também o título de César de Roma, Kayser-i Rûm.
O que levou a isso
- Redução extrema do território, da população e dos recursos do império
- Expansão otomana consolidada na Anatólia e nos Bálcãs
- Emprego de artilharia capaz de romper muralhas medievais
O que veio depois
- Fim da linha institucional do Estado romano, após quinze séculos
- Transformação da cidade em capital otomana
- Deslocamento de eruditos e manuscritos gregos para a Europa ocidental
Importância histórica
Encerra definitivamente a história institucional de Roma e é frequentemente usada como marco convencional entre a Idade Média e a Idade Moderna.
O que dizem as fontes
Há várias testemunhas: o veneziano Nicolò Barbaro, que escreveu um diário do cerco, Jorge Frantzes (Sphrantzes), funcionário do imperador, o bispo Leonardo de Quios, Isidoro de Quios e, entre os historiadores gregos posteriores, Dukas, Calcocondilas e Critóbulo. Seus relatos divergem em números e em detalhes, como a morte do imperador e o episódio da porta mal fechada. Steven Runciman escreveu a narrativa clássica em língua inglesa, mais dramática que a pesquisa recente, que enfatiza a preparação logística otomana e a fragilidade demográfica da cidade. A tese de que a queda provocou o Renascimento é exagero: eruditos gregos já chegavam à Itália antes de 1453.
Figuras envolvidas
- Constantino XI — o último imperador romano
- Mehmed II
Fontes consultadas
- Nicolò Barbaro, Relato do cerco de Constantinopla Fonte antiga
- Áreas históricas de Istambul, bem do Patrimônio Mundial UNESCO
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