Trajetória
Tito Flávio Domiciano nasceu em Roma, em 51 d.C., filho mais novo de Vespasiano. Durante a guerra civil de 69 permaneceu na capital, em situação de risco, e viveu depois à sombra do irmão Tito, que recebia as honras principais e a associação formal ao poder paterno. Recebeu consulados e títulos, mas poucas responsabilidades efetivas de comando, circunstância que, segundo as fontes, alimentou seu ressentimento e sua desconfiança. Com a morte de Tito, em setembro de 81, foi aclamado imperador pelos pretorianos e confirmado pelo Senado no mesmo dia, iniciando o mais longo governo flaviano, de quinze anos.
Domiciano administrou o império com atenção minuciosa. Reformou a cunhagem, elevou o soldo das legiões, fiscalizou governadores e magistrados e assumiu a censura perpétua em 85, o que lhe deu controle sobre a composição do Senado. Na fronteira, conduziu campanhas contra os catos na Germânia e consolidou a linha de fortificações dos Campos Decumates; no Danúbio, enfrentou os dácios de Decébalo, com derrotas iniciais seguidas de acordo de paz por volta de 89. Também reconstruiu Roma após o incêndio de 80, concluiu o Coliseu e edificou o palácio do Palatino. Em 89 reprimiu a revolta de Antônio Saturnino, governador da Germânia Superior.
Nos últimos anos, as fontes descrevem um regime de suspeita crescente, com processos contra senadores, execuções e o uso do tratamento de senhor e deus, atribuído a ele por Suetônio. Foi assassinado em 18 de setembro de 96, em conspiração que reuniu membros do palácio, entre eles o liberto Estéfano, oficiais da guarda e, segundo alguns relatos, pessoas próximas da imperatriz Domícia. Os senadores receberam a notícia com alívio, e a Cúria decretou a condenação de sua memória: seus nomes foram raspados de inscrições e suas estátuas retiradas, prática conhecida modernamente como damnatio memoriae.
O que importa reter
- Fortaleceu a fronteira do Reno e do Danúbio
- As fontes senatoriais que o descrevem são declaradamente hostis
Legado e julgamento histórico
Tácito, Plínio, o Jovem, e Suetônio, todos de ambiente senatorial, retrataram Domiciano como tirano, mas escreveram depois de sua queda e com interesse em marcar contraste com os regimes seguintes. A historiografia contemporânea reavalia esse quadro e reconhece nele um administrador competente, que cuidou das finanças, das províncias e da disciplina militar. Seu conflito com o Senado, porém, é real. Permaneceram as obras do Palatino, o estádio que moldou a atual Piazza Navona e a estabilidade de instituições que seus sucessores, adotivos, aproveitaram sem lhe dar crédito.
Acontecimentos em que aparece
Assassinato de Domiciano e início dos imperadores adotivos
Uma conspiração palaciana eliminou o último dos flavianos, e o Senado escolheu como sucessor um senador idoso e sem filhos, que adotou como herdeiro um general de prestígio.
- Política e governo
- Roma
- Século I d.C.