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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Assassinato de Domiciano e início dos imperadores adotivos

Uma conspiração palaciana eliminou o último dos flavianos, e o Senado escolheu como sucessor um senador idoso e sem filhos, que adotou como herdeiro um general de prestígio.

Acontecimento 85 de 144 59 % do percurso

Contexto histórico

O governo de Domiciano combinou administração eficiente com conflito aberto contra o Senado, e sua memória foi oficialmente condenada após a morte. Nerva governou pouco mais de um ano, mas estabeleceu o mecanismo que definiria o século seguinte: escolher o sucessor por adoção, com base em competência reconhecida, e não por laço de sangue. A sequência de governantes adotados que se seguiu coincidiu com o período de maior estabilidade e extensão do império.

Como se desenrolou

Domiciano foi morto em 18 de setembro de 96, em seus aposentos no palácio do Palatino. Suetônio descreve uma conspiração articulada por membros da casa imperial: o camareiro Partênio, o liberto Estéfano, administrador de Flávia Domitila, e os prefeitos do pretório, entre eles Norbano e Petrônio Segundo. A imperatriz Domícia talvez soubesse do plano. Estéfano apresentou-se com o braço enfaixado, fingindo ter descoberto uma conspiração, e feriu o imperador no ventre. Na luta, que Suetônio descreve como breve e violenta, outros intervieram, entre eles um gladiador e criados. A hora, segundo a mesma fonte, fora predita por astrólogos, o que aumentava a ansiedade do imperador.

O Senado, avisado, aclamou Marco Cocceio Nerva, jurista idoso, de cerca de sessenta e cinco anos, sem filhos e sem grande base militar. Os soldados, que amavam Domiciano por ter aumentado o soldo, receberam a notícia com hostilidade, enquanto o Senado destruiu estátuas e arcos e apagou o nome do imperador dos monumentos, a damnatio memoriae. Nerva anistiou exilados, restituiu bens confiscados e criou programas de sustento a famílias pobres na Itália. Em 97, os pretorianos, liderados pelo prefeito Casperio Eliano, sitiaram o palácio e obrigaram o imperador a entregar os assassinos, que foram mortos. Plínio, o Jovem, diz que Nerva foi tratado com humilhação.

Fragilizado, Nerva buscou reforço. No fim de outubro de 97, adotou Marco Úlpio Trajano, governador da Germânia Superior, de cerca de quarenta anos, com carreira militar sólida e origem na Bética. A adoção foi anunciada no Capitólio, e Trajano recebeu o título de César e poder tribunício. Nerva morreu em 28 de janeiro de 98, de causas naturais, depois de pouco mais de um ano. Trajano, que estava em Colônia, não se apressou para voltar a Roma e primeiro reorganizou a fronteira do Reno e do Danúbio. Sua entrada na capital, em 99, foi marcada por uma imagem de moderação, com respeito às instituições e consultas ao Senado.

O que levou a isso

  • Conflito prolongado entre Domiciano e a elite senatorial
  • Insegurança de membros da corte diante de execuções e processos
  • Ausência de herdeiro direto no fim da dinastia flaviana

O que veio depois

  • Condenação oficial da memória de Domiciano
  • Adoção de Trajano como herdeiro e início da série de imperadores adotivos
  • Relação mais cooperativa entre o poder imperial e o Senado

Importância histórica

Inaugura o método de sucessão por adoção associado ao período mais estável e próspero do império.

O que dizem as fontes

Nossas fontes foram escritas depois de 96 e sob o regime dos sucessores, por autores que haviam servido sob Domiciano e se apressaram a condená-lo: Suetônio, Plínio, Tácito, Dião Cássio. Isso explica o contraste entre a imagem de tirano e o governo eficaz que moedas, inscrições e obras evidenciam. Os detalhes do assassinato, incluindo as previsões astrológicas, têm sabor de narrativa moral. Também é discutida a ideia de que Nerva tenha escolhido a adoção como método pensado; muitos estudiosos veem nela uma medida de emergência que, repetida por acaso, virou costume. O chamado sistema dos imperadores adotivos é uma construção em parte posterior.

Figuras envolvidas

  • Domiciano — o último flaviano
  • Nerva — o iniciador da sucessão por adoção
  • Trajano — o imperador da maior extensão territorial

Fontes consultadas

  1. Suetônio, Vida dos Doze Césares: Domiciano Fonte antiga
  2. Plínio, o Jovem, Panegírico de Trajano Fonte antiga

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