Trajetória
Flávio Cláudio Juliano nasceu em 331, em Constantinopla, sobrinho de Constantino. Em 337, no expurgo que se seguiu à morte do imperador, perderam a vida vários de seus parentes, e Juliano, ainda criança, sobreviveu junto com o meio-irmão Galo. Foi educado por preceptores cristãos, entre eles o eunuco Mardônio, que lhe transmitiu o gosto pelos autores gregos, e viveu anos em reclusão na propriedade imperial de Macelo, na Capadócia. Mais tarde estudou em Nicomédia, Pérgamo, Éfeso e Atenas, onde entrou em contato com a filosofia neoplatônica e com mestres dedicados aos cultos tradicionais.
Em 355, o imperador Constâncio II, seu primo, nomeou-o césar e enviou-o à Gália, apesar da pouca experiência militar. Juliano reorganizou a defesa da região, restabeleceu cidades e derrotou os alamanos na batalha de Argentorato, em 357, passando a ser querido pelas tropas. Em 360, em Lutécia, os soldados o proclamaram augusto, quando Constâncio ordenou que parte do exército fosse transferida para o Oriente; a guerra civil só foi evitada porque Constâncio morreu em 361. Já único imperador, Juliano proclamou a liberdade de culto, restaurou templos, reduziu o aparato da corte e, em 362, impôs uma lei que exigia aprovação oficial dos professores.
Em 363, liderou uma grande expedição contra a Pérsia, descendo o Eufrates até as proximidades de Ctesifonte, sem conseguir tomar a capital inimiga. Ao recuar, em 26 de junho, foi ferido em combate por uma lança e morreu pouco depois, perto de Samarra, de acordo com Amiano Marcelino, que participou da campanha. As fontes cristãs registraram versões variadas da sua morte, algumas fantasiosas, e há quem discuta a autoria do golpe. Foi sucedido pelo oficial Joviano, que firmou com os persas uma paz considerada desvantajosa, cedendo territórios na Mesopotâmia e a influência sobre a Armênia.
O que importa reter
- Reorganizou o sacerdócio tradicional inspirando-se na estrutura eclesiástica
- Deixou uma obra escrita considerável, incluindo cartas e discursos
Legado e julgamento histórico
Cristãos posteriores o chamaram de Apóstata, e Gregório de Nazianzo lhe dedicou invectivas severas; pagãos como Libânio e o historiador Amiano Marcelino o admiraram, ainda que o último criticasse suas medidas contra os professores cristãos. A historiografia moderna tende a vê-lo como intelectual de convicções intensas, cuja tentativa de reorganizar o culto tradicional sob modelo semelhante ao da Igreja chegou tarde e durou pouco. Seus escritos sobreviventes, como o Misopogon e fragmentos da obra contra os cristãos, constituem raro testemunho direto de um imperador sobre as próprias ideias.
Acontecimentos em que aparece
Governo de Juliano e a tentativa de restauração dos cultos tradicionais
Último imperador a professar a religião tradicional, Juliano tentou reverter a cristianização por meio de reformas administrativas e culturais, e morreu em campanha contra os persas após menos de dois anos.
- Religião e crenças
- Constantinopla, Antioquia e Mesopotâmia
- Século IV d.C.