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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Governo de Juliano e a tentativa de restauração dos cultos tradicionais

Último imperador a professar a religião tradicional, Juliano tentou reverter a cristianização por meio de reformas administrativas e culturais, e morreu em campanha contra os persas após menos de dois anos.

  • Religião e crenças
  • Baixo Império
  • Constantinopla, Antioquia e Mesopotâmia
  • Século IV d.C.
Acontecimento 113 de 144 78 % do percurso

Contexto histórico

Formado em filosofia grega, Juliano não perseguiu cristãos de modo sistemático: retirou privilégios, restaurou templos, reorganizou o sacerdócio tradicional em moldes inspirados na estrutura eclesiástica e proibiu que cristãos ensinassem literatura clássica. A brevidade do governo e a ausência de apoio social amplo condenaram o projeto. Sua morte em campanha encerrou definitivamente qualquer possibilidade de reversão do processo de cristianização.

Como se desenrolou

Juliano, sobrinho de Constantino, foi criado em meio a assassinatos dentro da família imperial e recebeu formação cristã e filosófica. Em 355, Constâncio II o nomeou césar e o enviou à Gália, onde ele obteve êxitos militares, entre eles a vitória sobre alamanos em Argentorato, em 357. Em 360, as tropas o proclamaram augusto em Lutécia, atual Paris, quando o imperador ordenou transferir parte delas ao Oriente. Houve preparativos de guerra civil, evitados pela morte de Constâncio, em 361, na Cilícia. Juliano assumiu o poder sem combate, declarou publicamente sua fé nos deuses tradicionais e seguiu para Constantinopla, onde instalou um tribunal para julgar auxiliares do regime anterior.

Seu programa religioso combinou reabertura de templos, devolução de bens, restauração de sacrifícios e esforços para dar organização ao sacerdócio, com sumos sacerdotes por província e normas de conduta moral inspiradas nas igrejas. Chamou de volta bispos exilados por Constâncio, o que reacendeu disputas entre correntes cristãs. Em 362, uma lei exigiu que professores fossem aprovados pelas cidades e pelo imperador, e uma norma posterior afastou do ensino quem não honrasse os deuses clássicos que ensinava. Passou o inverno em Antioquia, onde escreveu sátiras e enfrentou a hostilidade de uma população majoritariamente cristã e de uma elite local pouco entusiasmada.

Na primavera de 363, partiu de Antioquia para uma grande expedição contra o império sassânida, de Sapor II. Desceu o Eufrates, tomou posições e chegou perto de Ctesifonte, a capital persa, sem conseguir sitiá-la. A decisão de queimar a frota e de se afastar para o interior sofreu críticas. Em 26 de junho, durante uma retirada em combate, foi ferido por uma lança e morreu à noite. O exército elegeu Joviano, que firmou uma paz que cedia territórios e fortalezas na Mesopotâmia, e restaurou o apoio oficial ao cristianismo, encerrando na prática o programa religioso de Juliano.

O que levou a isso

  • Formação filosófica e convicção religiosa pessoal do imperador
  • Percepção de que a religião tradicional estava sendo desmontada por decisões de Estado
  • Disputas internas entre correntes cristãs, que ele julgou poder explorar

O que veio depois

  • Restauração temporária de templos e cultos tradicionais
  • Restrições ao ensino de literatura clássica por professores cristãos
  • Fim do projeto com sua morte em campanha, sem sucessão do mesmo programa

Importância histórica

Última tentativa institucional de deter a cristianização do império, e por isso um teste histórico da irreversibilidade do processo.

O que dizem as fontes

A fonte mais valiosa é Amiano Marcelino, que serviu na expedição persa e escreveu com admiração crítica, apontando virtudes e defeitos do imperador. Há ainda os escritos do próprio Juliano, como cartas, o Misopogon e o tratado contra os cristãos, conhecido em parte por refutação de Cirilo de Alexandria, além de Libânio, admirador, e de autores cristãos como Gregório de Nazianzo, hostil. Discute-se o alcance das medidas contra os cristãos e se a lei sobre o ensino buscou excluí-los ou apenas controlar o magistério. Também se debate a causa exata da morte do imperador, pois as fontes cristãs sugerem hipóteses que Amiano não confirma, e a extensão da simpatia popular pelo paganismo restaurado.

Figuras envolvidas

  • Juliano — o último imperador dos cultos tradicionais

Fontes consultadas

  1. Amiano Marcelino, Res Gestae, livros XX–XXV Fonte antiga
  2. Juliano, Cartas e discursos Fonte antiga

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