Nota de historicidade: Personagem da tradição literária romana, cuja historicidade não pode ser verificada.
Trajetória
Na tradição literária, Numa Pompílio era um sabino da cidade de Cures, famoso pela piedade e pela justiça, e genro de Tito Tácio. Após a morte de Rômulo, o Senado governou por um período de interregno, durante o qual os senadores se revezavam no poder a cada cinco dias. Por fim, aceitou-se escolher um rei estrangeiro, e a escolha recaiu sobre Numa, que, segundo Lívio, só aceitou depois de os auspícios confirmarem a aprovação divina. Os relatos situam seu reinado entre 715 e 673 a.C. e o descrevem como um homem de aprendizado austero, que teria convertido uma cidade de guerreiros em comunidade regida pelo temor aos deuses.
A Numa atribuem-se as principais instituições religiosas romanas. Teriam surgido sob seu governo o colégio dos pontífices, chefiado pelo pontífice máximo, o colégio das vestais, os flâmines de Júpiter, Marte e Quirino, os sálios, que guardavam os escudos sagrados, e os feciais, responsáveis pelos ritos da declaração de guerra. Ele também teria reformado o calendário, acrescentando janeiro e fevereiro e distinguindo os dias fastos dos nefastos. O santuário de Jano, cujas portas permaneciam fechadas em tempo de paz, e o culto à Fides e a Término também lhe foram creditados. Plutarco e Lívio afirmam que ele consultava a ninfa Egéria, o que dava autoridade divina às suas normas.
A tradição conta que Numa morreu de velhice, após reinado longo e sem guerras. Segundo Lívio, em 181 a.C., trabalhadores que cavavam uma propriedade no Janículo teriam encontrado dois cofres de pedra, um deles com livros atribuídos ao rei. O Senado, informado de que o conteúdo ameaçava a religião estabelecida, mandou queimá-los. A anedota, contada por Lívio e por outros, é ela própria objeto de debate entre os estudiosos, que a tomam como indício de como os romanos de época posterior se serviam do nome de Numa para dar antiguidade a práticas rituais.
O que importa reter
- Associado à criação das vestais, dos pontífices e dos flâmines
- Apresentado pelas fontes como contraponto pacífico ao rei guerreiro anterior
Legado e julgamento histórico
Os autores antigos o apresentaram como o modelo do governante pacífico, complemento necessário ao fundador guerreiro. Cícero o via como criador das bases religiosas do Estado, e Plutarco o comparou ao legislador espartano Licurgo. A historiografia moderna rejeita atribuir a uma única pessoa um conjunto de instituições formadas em longo prazo, algumas provavelmente anteriores à cidade, outras desenvolvidas durante a República. Mesmo assim, o nome de Numa permaneceu como símbolo da ideia romana de que a religião era parte do governo, e as estruturas que ele representa, como os pontífices, as vestais e o calendário, duraram até a Antiguidade tardia.
Acontecimentos em que aparece
data tradicional
Reinado de Numa Pompílio e a organização do culto público
A tradição atribui ao segundo rei a criação dos principais colégios sacerdotais, do calendário religioso e dos rituais que estruturariam a vida pública romana por séculos.
- Religião e crenças
- Roma
- Século VIII a.C.