Trajetória
Odoacro nasceu por volta de 433, e sua origem é debatida: as fontes o ligam a povos como os esciros, os hérulos ou os turíngios, e seu pai, Edecão, serviu na corte de Átila. Depois da morte do rei dos hunos e da desagregação de seu império, Odoacro entrou ao serviço do Império Romano do Ocidente, onde ascendeu entre as tropas federadas da Itália. Quando os soldados exigiram um terço das terras italianas e o general Orestes recusou, Odoacro foi proclamado chefe. Em agosto de 476, derrotou e executou Orestes em Placência e tomou Ravena, depondo o jovem Rômulo Augústulo.
Em vez de nomear novo imperador, Odoacro enviou a Zenão, por meio de uma embaixada do Senado, as insígnias imperiais do Ocidente. Zenão respondeu que reconhecia Júlio Nepos, ainda vivo na Dalmácia, mas aceitou, na prática, o poder de Odoacro, que recebeu o título de patrício e governou a Itália como rei, sem jamais se apresentar como imperador. Manteve o Senado, os cargos civis, a cobrança de impostos e a cunhagem de moedas com o nome de Zenão. Depois do assassinato de Nepos, em 480, ocupou a Dalmácia, em 481 ou 482, e em 487 e 488 derrotou os rúgios no Danúbio, mandando evacuar a população romana da Nórica.
Zenão, desejando afastar os ostrogodos de Teodorico das fronteiras orientais, autorizou-os a marchar contra Odoacro. Em 489, Teodorico o derrotou no Isonzo e em Verona, e novamente no rio Adda, em 490. Odoacro refugiou-se em Ravena, que resistiu a um longo cerco até 493. Um acordo de divisão do poder foi firmado e, em 15 de março, durante um banquete, segundo o Anônimo Valesiano, Teodorico o matou com as próprias mãos. Os partidários de Odoacro foram eliminados, e Teodorico assumiu o governo da Itália como rei dos ostrogodos, sob reconhecimento posterior do imperador do Oriente.
O que importa reter
- Devolveu as insígnias imperiais ocidentais a Constantinopla
- Manteve em funcionamento o Senado e a administração romana
Legado e julgamento histórico
Os cronistas do século VI viram em Odoacro o executor do fim do Império Ocidental, enquanto autores ligados a Teodorico, como o Anônimo Valesiano, retrataram-no de maneira variável, entre tirano e governante razoável. A historiografia moderna destaca a continuidade: ele preservou a administração romana, respeitou o Senado e garantiu a cobrança fiscal, criando um modelo que Teodorico aprofundaria. A fragilidade de seu poder, baseado em tropas federadas que exigiam terras, é apontada como causa da rápida queda diante de um rival com respaldo oriental.
Acontecimentos em que aparece
Deposição de Rômulo Augústulo
O comandante Odoacro depôs o último imperador do Ocidente, dispensou o cargo em vez de nomear um substituto e devolveu as insígnias imperiais a Constantinopla.
- Política e governo
- Ravena
- Século V d.C.