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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Governo na Itália: 476–493 d.C.

Odoacro

o primeiro rei da Itália. Comandante militar que depôs o último imperador do Ocidente e optou por não nomear substituto, governando a Itália como rei sob reconhecimento formal do imperador do Oriente.

Trajetória

Odoacro nasceu por volta de 433, e sua origem é debatida: as fontes o ligam a povos como os esciros, os hérulos ou os turíngios, e seu pai, Edecão, serviu na corte de Átila. Depois da morte do rei dos hunos e da desagregação de seu império, Odoacro entrou ao serviço do Império Romano do Ocidente, onde ascendeu entre as tropas federadas da Itália. Quando os soldados exigiram um terço das terras italianas e o general Orestes recusou, Odoacro foi proclamado chefe. Em agosto de 476, derrotou e executou Orestes em Placência e tomou Ravena, depondo o jovem Rômulo Augústulo.

Em vez de nomear novo imperador, Odoacro enviou a Zenão, por meio de uma embaixada do Senado, as insígnias imperiais do Ocidente. Zenão respondeu que reconhecia Júlio Nepos, ainda vivo na Dalmácia, mas aceitou, na prática, o poder de Odoacro, que recebeu o título de patrício e governou a Itália como rei, sem jamais se apresentar como imperador. Manteve o Senado, os cargos civis, a cobrança de impostos e a cunhagem de moedas com o nome de Zenão. Depois do assassinato de Nepos, em 480, ocupou a Dalmácia, em 481 ou 482, e em 487 e 488 derrotou os rúgios no Danúbio, mandando evacuar a população romana da Nórica.

Zenão, desejando afastar os ostrogodos de Teodorico das fronteiras orientais, autorizou-os a marchar contra Odoacro. Em 489, Teodorico o derrotou no Isonzo e em Verona, e novamente no rio Adda, em 490. Odoacro refugiou-se em Ravena, que resistiu a um longo cerco até 493. Um acordo de divisão do poder foi firmado e, em 15 de março, durante um banquete, segundo o Anônimo Valesiano, Teodorico o matou com as próprias mãos. Os partidários de Odoacro foram eliminados, e Teodorico assumiu o governo da Itália como rei dos ostrogodos, sob reconhecimento posterior do imperador do Oriente.

O que importa reter

  • Devolveu as insígnias imperiais ocidentais a Constantinopla
  • Manteve em funcionamento o Senado e a administração romana

Legado e julgamento histórico

Os cronistas do século VI viram em Odoacro o executor do fim do Império Ocidental, enquanto autores ligados a Teodorico, como o Anônimo Valesiano, retrataram-no de maneira variável, entre tirano e governante razoável. A historiografia moderna destaca a continuidade: ele preservou a administração romana, respeitou o Senado e garantiu a cobrança fiscal, criando um modelo que Teodorico aprofundaria. A fragilidade de seu poder, baseado em tropas federadas que exigiam terras, é apontada como causa da rápida queda diante de um rival com respaldo oriental.

Acontecimentos em que aparece

Deposição de Rômulo Augústulo

O comandante Odoacro depôs o último imperador do Ocidente, dispensou o cargo em vez de nomear um substituto e devolveu as insígnias imperiais a Constantinopla.

  • Política e governo
  • Ravena
  • Século V d.C.
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Sobre a data: A escolha de 476 como data do fim do Império do Ocidente é uma convenção historiográfica posterior. Para os contemporâneos, tratou-se de mais uma deposição entre muitas, e Júlio Nepos continuou reconhecido como imperador legítimo pelo Oriente até 480.

A decisão mais significativa não foi a deposição em si, mas a de não instalar outro imperador. Odoacro passou a governar a Itália como rei, reconhecendo formalmente a autoridade do imperador do Oriente. A administração romana, o Senado e a estrutura fiscal continuaram funcionando por décadas. Para quem vivia na Itália, houve mudança de comando militar, não desaparecimento de um mundo. A leitura de 476 como fim de uma era foi construída séculos depois.

O que levou a isso

  • Exigência de terras por tropas mercenárias na Itália, recusada pelo governo
  • Esvaziamento completo da autoridade efetiva do cargo imperial ocidental
  • Perda das províncias que sustentavam financeiramente o governo do Ocidente

O que veio depois

  • Fim da linha de imperadores no Ocidente e governo de Odoacro como rei da Itália
  • Reconhecimento formal da autoridade do imperador do Oriente
  • Continuidade das instituições administrativas romanas na Itália por décadas

Figuras envolvidas: Rômulo Augústulo · Odoacro · Zenão

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