Nota de historicidade: Personagem da tradição literária romana. Não é possível confirmar sua existência histórica.
Trajetória
Segundo a tradição transmitida por Lívio, Dionísio de Halicarnasso e Plutarco, Rômulo e Remo eram filhos da vestal Reia Sílvia, descendente de Enéias e rei de Alba Longa por linhagem, e do deus Marte. Abandonados às margens do Tibre por ordem do tio-avô Amúlio, teriam sido amamentados por uma loba e criados pelo pastor Fáustulo. Já adultos, restituíram o trono ao avô Numitor e decidiram fundar uma cidade nova. A disputa sobre o local e sobre os auspícios terminou com a morte de Remo, e a fundação do Palatino foi datada por Varrão em 21 de abril de 753 a.C.
A mesma tradição atribui a Rômulo a organização da comunidade nascente. Ele teria aberto um asilo para atrair fugitivos e homens sem terra, instituído um Senado de cem patres, dividido o povo em três tribos e trinta cúrias e criado uma guarda de trezentos celeres. O episódio do rapto das sabinas, narrado como solução para a falta de mulheres, levou a uma guerra com os sabinos de Tito Tácio e, em seguida, a um governo conjunto. Rômulo também aparece como vencedor de cidades vizinhas, entre elas Cenina e Veios, e como primeiro a oferecer despojos opimos a Júpiter Ferétrio.
O fim do reinado é contado de modo sobrenatural. Durante uma revista do exército no Campo de Marte, uma tempestade e uma escuridão repentinas teriam cobrido o rei, que desapareceu. Alguns relatos sugerem que os senadores o teriam matado e ocultado o corpo, versão que as fontes mencionam, mas descartam. Um cidadão chamado Júlio Proculo afirmou que Rômulo lhe aparecera, ordenando que o cultuassem sob o nome de Quirino. Esses dados pertencem a uma tradição elaborada séculos depois dos fatos supostos, e escavações no Palatino mostram habitação antiga no local sem, contudo, comprovar a existência do fundador.
O que importa reter
- Associado ao traçado ritual das primeiras fronteiras sagradas da cidade
- Usado politicamente como referência fundadora, sobretudo no governo de Augusto
Legado e julgamento histórico
Os próprios romanos já discutiam a veracidade da narrativa. Cícero e Lívio a tratam com cautela, e a crítica moderna considera Rômulo uma figura construída em etapas, em que mitos de origem gregos, itálicos e etruscos se combinaram com a necessidade de explicar instituições antigas. A Roma de Augusto reforçou sua memória. A historiografia atual estuda sobretudo a narrativa como espelho das preocupações romanas com a violência fundadora e a legitimidade do poder. Dele permaneceu o calendário de comemorações, em especial os Parílias, e a imagem da loba capitolina.
Acontecimentos em que aparece
data tradicional
Fundação tradicional de Roma
A tradição romana fixou em 753 a.C. o ato de fundação da cidade por Rômulo, com o traçado ritual de um sulco no Palatino. O relato é um marco identitário da cultura romana, e não um registro histórico verificável.
- Política e governo
- Palatino, Roma
- Século VIII a.C.