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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Reinado tradicional: 753–716 a.C.

Rômulo

o fundador da tradição romana. Figura à qual a tradição romana atribui a fundação da cidade, a organização do primeiro exército e a criação do Senado. Não há evidência histórica de sua existência, e os relatos foram fixados por escrito mais de sete séculos depois.

Nota de historicidade: Personagem da tradição literária romana. Não é possível confirmar sua existência histórica.

Trajetória

Segundo a tradição transmitida por Lívio, Dionísio de Halicarnasso e Plutarco, Rômulo e Remo eram filhos da vestal Reia Sílvia, descendente de Enéias e rei de Alba Longa por linhagem, e do deus Marte. Abandonados às margens do Tibre por ordem do tio-avô Amúlio, teriam sido amamentados por uma loba e criados pelo pastor Fáustulo. Já adultos, restituíram o trono ao avô Numitor e decidiram fundar uma cidade nova. A disputa sobre o local e sobre os auspícios terminou com a morte de Remo, e a fundação do Palatino foi datada por Varrão em 21 de abril de 753 a.C.

A mesma tradição atribui a Rômulo a organização da comunidade nascente. Ele teria aberto um asilo para atrair fugitivos e homens sem terra, instituído um Senado de cem patres, dividido o povo em três tribos e trinta cúrias e criado uma guarda de trezentos celeres. O episódio do rapto das sabinas, narrado como solução para a falta de mulheres, levou a uma guerra com os sabinos de Tito Tácio e, em seguida, a um governo conjunto. Rômulo também aparece como vencedor de cidades vizinhas, entre elas Cenina e Veios, e como primeiro a oferecer despojos opimos a Júpiter Ferétrio.

O fim do reinado é contado de modo sobrenatural. Durante uma revista do exército no Campo de Marte, uma tempestade e uma escuridão repentinas teriam cobrido o rei, que desapareceu. Alguns relatos sugerem que os senadores o teriam matado e ocultado o corpo, versão que as fontes mencionam, mas descartam. Um cidadão chamado Júlio Proculo afirmou que Rômulo lhe aparecera, ordenando que o cultuassem sob o nome de Quirino. Esses dados pertencem a uma tradição elaborada séculos depois dos fatos supostos, e escavações no Palatino mostram habitação antiga no local sem, contudo, comprovar a existência do fundador.

O que importa reter

  • Associado ao traçado ritual das primeiras fronteiras sagradas da cidade
  • Usado politicamente como referência fundadora, sobretudo no governo de Augusto

Legado e julgamento histórico

Os próprios romanos já discutiam a veracidade da narrativa. Cícero e Lívio a tratam com cautela, e a crítica moderna considera Rômulo uma figura construída em etapas, em que mitos de origem gregos, itálicos e etruscos se combinaram com a necessidade de explicar instituições antigas. A Roma de Augusto reforçou sua memória. A historiografia atual estuda sobretudo a narrativa como espelho das preocupações romanas com a violência fundadora e a legitimidade do poder. Dele permaneceu o calendário de comemorações, em especial os Parílias, e a imagem da loba capitolina.

Acontecimentos em que aparece

data tradicional

Fundação tradicional de Roma

A tradição romana fixou em 753 a.C. o ato de fundação da cidade por Rômulo, com o traçado ritual de um sulco no Palatino. O relato é um marco identitário da cultura romana, e não um registro histórico verificável.

  • Política e governo
  • Palatino, Roma
  • Século VIII a.C.
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Sobre a data: A data de 21 de abril de 753 a.C. foi calculada por eruditos romanos do século I a.C., em especial Marco Terêncio Varrão, mais de setecentos anos depois do episódio narrado. Não existe documento contemporâneo que a confirme, e as escavações mostram ocupação contínua bem anterior.

O conjunto de narrativas sobre Rômulo e Remo, a loba e a disputa entre os irmãos foi fixado por escrito séculos depois, sobretudo em Tito Lívio e em Dionísio de Halicarnasso, ambos escrevendo na época de Augusto. Esses autores já trabalhavam com versões conflitantes e as harmonizaram para dar à cidade uma origem coerente e prestigiosa, conectada também à tradição troiana de Eneias. Para a historiografia atual, o valor do relato está no que ele revela sobre a autoimagem romana: a cidade se pensava como fundada por um ato deliberado, com fronteiras sagradas e instituições estabelecidas desde o primeiro dia.

O que levou a isso

  • Necessidade romana de uma origem única e datável para a comunidade
  • Circulação de tradições orais latinas e etruscas sobre heróis fundadores
  • Trabalho de cronologistas do século I a.C. que converteram listas de reis em datas absolutas

O que veio depois

  • Adoção da contagem de anos a partir da fundação da cidade em textos oficiais e literários
  • Consolidação do pomério, o limite religioso da cidade, como conceito jurídico duradouro
  • Uso político do mito fundador em programas de governo, especialmente sob Augusto

Figuras envolvidas: Rômulo · Remo

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