Ir para o conteúdo
DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Governo no Ocidente: 475–476 d.C.

Rômulo Augústulo

o último imperador do Ocidente. Adolescente instalado no trono por seu pai, comandante militar, governou menos de um ano e foi deposto por Odoacro. Não foi executado, e sua deposição tornou-se o marco convencional do fim do Império do Ocidente.

Trajetória

Rômulo, apelidado depois de Augústulo, ou pequeno Augusto, era filho de Orestes, romano de origem panônia que fizera carreira na corte de Átila e, depois, no serviço imperial. A data de nascimento é desconhecida, mas as fontes o descrevem como adolescente em 475. Orestes alcançou o posto de mestre dos soldados sob o imperador Júlio Nepos, que governava com apoio do Oriente. Em agosto de 475, Orestes forçou Nepos a fugir para a Dalmácia e, em 31 de outubro, fez proclamar augusto seu filho em Ravena. O imperador do Oriente, Zenão, nunca reconheceu o novo regime, mantendo o título a Nepos.

Quem governou foi Orestes, que enfrentava a pressão das tropas federadas da Itália, formadas por hérulos, rúgios, citas e outros grupos. Esses soldados pediram a distribuição de um terço das terras do país, como as que os federados haviam recebido na Gália e na Hispânia. Orestes recusou, e os soldados escolheram como chefe Odoacro, oficial de origem bárbara. Em agosto de 476, ocorreu um combate em Placência, onde Orestes foi capturado e morto. Odoacro avançou sobre Ravena, onde o jovem Rômulo, que não teve papel ativo nos eventos, foi deposto em 4 de setembro, de acordo com a cronologia mais aceita.

As fontes dizem que Odoacro poupou Rômulo por causa de sua juventude e beleza e lhe concedeu uma renda anual, instalando-o na Campânia, na região do Castelo Lucullano, perto de Nápoles. Depois disso, as notícias sobre ele são escassas, e a data e as circunstâncias de sua morte são desconhecidas; alguns textos do início do século VI sugerem que ainda vivia. O Senado enviou uma delegação a Zenão para informar que o Ocidente não necessitava mais de imperador próprio, e as insígnias foram remetidas a Constantinopla, sem designação de sucessor.

O que importa reter

  • Nunca foi reconhecido pelo imperador do Oriente
  • Seu nome reúne, por coincidência, o do fundador e o do primeiro imperador

Legado e julgamento histórico

Para os contemporâneos, o episódio de 476 foi menos dramático do que parece hoje; autores bizantinos, como Marcelino Conde, no século VI, o fixaram como fim do Império do Ocidente, e a data se consolidou na tradição. A historiografia moderna debate se a deposição foi ruptura ou apenas mais um estágio de transformação, já que as instituições romanas continuaram na Itália. O nome de Rômulo, associado ao fundador, e de Augusto, associado ao primeiro imperador, tornou o fim da linha ocidental um símbolo conveniente para narrativas de declínio.

Acontecimentos em que aparece

Deposição de Rômulo Augústulo

O comandante Odoacro depôs o último imperador do Ocidente, dispensou o cargo em vez de nomear um substituto e devolveu as insígnias imperiais a Constantinopla.

  • Política e governo
  • Ravena
  • Século V d.C.
Ver contexto e desdobramentos Recolher

Sobre a data: A escolha de 476 como data do fim do Império do Ocidente é uma convenção historiográfica posterior. Para os contemporâneos, tratou-se de mais uma deposição entre muitas, e Júlio Nepos continuou reconhecido como imperador legítimo pelo Oriente até 480.

A decisão mais significativa não foi a deposição em si, mas a de não instalar outro imperador. Odoacro passou a governar a Itália como rei, reconhecendo formalmente a autoridade do imperador do Oriente. A administração romana, o Senado e a estrutura fiscal continuaram funcionando por décadas. Para quem vivia na Itália, houve mudança de comando militar, não desaparecimento de um mundo. A leitura de 476 como fim de uma era foi construída séculos depois.

O que levou a isso

  • Exigência de terras por tropas mercenárias na Itália, recusada pelo governo
  • Esvaziamento completo da autoridade efetiva do cargo imperial ocidental
  • Perda das províncias que sustentavam financeiramente o governo do Ocidente

O que veio depois

  • Fim da linha de imperadores no Ocidente e governo de Odoacro como rei da Itália
  • Reconhecimento formal da autoridade do imperador do Oriente
  • Continuidade das instituições administrativas romanas na Itália por décadas

Figuras envolvidas: Rômulo Augústulo · Odoacro · Zenão

Abrir o registro completo