Trajetória
Lúcio Septímio Severo nasceu em 11 de abril de 145 d.C., em Leptis Magna, na província da África, numa família de ascendência púnica e itálica, com alguns membros no Senado. Chegou a Roma jovem, ingressou na carreira senatorial no tempo de Marco Aurélio e foi questor, tribuno da plebe e legado de legião. Governou províncias sob Cômodo, entre elas a Gália Lugdunense, a Sicília e a Panônia Superior, onde se encontrava em 193 quando Pertinax foi assassinado pela guarda pretoriana. Seu casamento com Júlia Domna, filha de um sacerdote de Emesa, na Síria, ligou-o a uma família do Oriente, mãe de Caracala e Geta.
As legiões da Panônia o proclamaram imperador em Carnuntum, em abril de 193, e ele marchou sobre a Itália, onde Dídio Juliano, que comprara o trono dos pretorianos, foi deposto. Entrou em Roma, dissolveu a guarda pretoriana e a recompôs com soldados das legiões do Danúbio. Em seguida derrotou Pescênio Níger, aclamado na Síria, em Isso, em 194, e Clódio Albino, na Gália, em Lugduno, em 197. Nas campanhas orientais, capturou Ctesifonte em 197 e criou a província da Mesopotâmia. Formou três novas legiões, as Pártica, aumentou o soldo e permitiu casamento legal aos soldados na ativa, reforçando o papel político dos militares.
Depois da queda do prefeito pretoriano Plauciano, em 205, Severo passou a governar com os dois filhos, Caracala e Geta. Em 208, partiu para a Britânia com a família e conduziu campanhas contra os povos do norte, instalando-se em Eboraco, hoje York. Ali adoeceu e morreu em 4 de fevereiro de 211. Segundo Díon Cássio, teria aconselhado os filhos a manterem a concórdia e a enriquecerem os soldados, mas desprezarem os demais. A rivalidade entre eles prevaleceu, e Caracala assassinou Geta no fim do mesmo ano, encerrando as esperanças de um governo conjunto.
O que importa reter
- Substituiu integralmente a guarda pretoriana por tropas de sua confiança
- Ampliou o número de legiões e a presença militar na administração civil
Legado e julgamento histórico
Díon Cássio, senador contemporâneo, via em Severo um governante eficaz, mas culpava-o por ter militarizado o regime. Herodiano e a Historia Augusta repetem a avaliação com nuances. A historiografia moderna destaca a fundação de uma dinastia africano-síria, a maior integração das elites provinciais e o aumento da participação dos cavaleiros na administração. O Arco de Severo, no Fórum, e o septizonium, no Palatino, simbolizavam seu poder. Permaneceu sobretudo o modelo de monarquia militar, que seus sucessores levaram às últimas consequências no século III.
Acontecimentos em que aparece
Ano dos cinco imperadores e ascensão de Septímio Severo
Após o assassinato de Cômodo, cinco homens reivindicaram o trono no mesmo ano, e o cargo chegou a ser leiloado pela guarda pretoriana antes de Septímio Severo vencer a guerra civil.
- Política e governo
- Roma e províncias
- Século II d.C.