Trajetória
Tibério Semprônio Graco nasceu por volta de 163 a.C., filho do ex-cônsul homônimo e de Cornélia, filha de Cipião Africano. Criado pela mãe depois da morte do pai, recebeu educação grega e cresceu entre o círculo da alta nobreza. Casou-se com a filha de Ápio Cláudio Pulcro, príncipe do Senado. Serviu na Terceira Guerra Púnica, sob o cunhado Cipião Emiliano, e foi o primeiro a escalar as muralhas de Cartago, segundo a tradição. Como questor na Hispânia, em 137, acompanhou o cônsul Mancino, e foi dele a mediação que levou à aceitação do tratado com Numância, que o Senado depois repudiou.
Eleito tribuno da plebe para 133 a.C., apresentou uma lei agrária que reforçava o limite antigo de 500 jeiras de terras públicas ocupadas por um mesmo possuidor, admitindo mais 250 por filho. O excedente seria redistribuído a cidadãos pobres em lotes inalienáveis, supervisionados por uma comissão de três homens. Diante do veto do colega Otávio, Tibério fez a assembleia depô-lo, ato sem precedentes. Quando Átalo III de Pérgamo legou seu reino a Roma, propôs usar os recursos para financiar as distribuições, o que ofendia a competência do Senado em matéria financeira. Sua ação reivindicava o poder da assembleia popular perante a autoridade dos magistrados e do Senado.
Para evitar processos que viriam com o fim do mandato, Tibério decidiu candidatar-se a um segundo tribunato consecutivo, o que seus adversários tomaram como ambição de poder permanente. No dia da eleição, em tumulto na região do Capitólio, um grupo de senadores e clientes, liderado pelo pontífice máximo Públio Cornélio Cipião Násica, o atacou com bastões e fragmentos de bancos. Tibério morreu, e segundo Plutarco cerca de trezentos de seus partidários também foram mortos. Seu corpo foi lançado ao Tibre. A comissão agrária continuou a funcionar, com o irmão Caio e Ápio Cláudio, e ocorreram julgamentos contra seus apoiadores.
O que importa reter
- Primeiro magistrado em exercício assassinado por adversários políticos
- Sua comissão de distribuição de terras funcionou por anos após sua morte
Legado e julgamento histórico
As fontes divergem, e a maioria foi escrita por autores que olhavam o episódio a partir das guerras civis posteriores. Apiano e Plutarco, mais simpáticos, veem nele um reformador movido pela miséria dos camponeses; outros, como Cícero, o consideram perturbador da ordem. Estudiosos modernos discutem a real extensão da crise agrária e a motivação política da lei, mas aceitam que sua morte instaurou a violência como instrumento de disputa entre senadores e tribunos. Dele permaneceu o programa de reforma, a comissão de limites de terras, que deixou cipos com seu nome, e o debate sobre os limites da autoridade popular.
Acontecimentos em que aparece
Reforma agrária de Tibério Graco e sua morte
Como tribuno da plebe, Tibério Graco fez aprovar a redistribuição de terras públicas ocupadas irregularmente e foi assassinado por um grupo de senadores, inaugurando a violência política letal na República.
- Sociedade e conflitos internos
- Roma e campos da Itália
- Século II a.C.