Sobre a data: A duração de dez anos atribuída ao cerco reproduz o modelo do cerco de Troia e é vista com reserva pela crítica. A conquista em si é considerada histórica.
Contexto histórico
Veios controlava a margem direita do Tibre e disputava com Roma o acesso às rotas do sal. Sua queda praticamente dobrou o território romano e trouxe um problema inédito: o que fazer com a terra e a população conquistadas. A solução, distribuir lotes a cidadãos romanos, criou um precedente decisivo. A tradição associa à campanha o pagamento regular de soldo aos soldados, medida necessária para sustentar operações longas e que transformaria a natureza do exército.
Como se desenrolou
Veios ficava a cerca de dezesseis quilômetros ao norte de Roma, numa elevação protegida por vales profundos, e era uma das cidades mais ricas da Etrúria meridional. Lívio descreve guerras sucessivas desde o início da República, incluindo o episódio dos trezentos e seis Fábios mortos na emboscada do Crêmera. O cerco decisivo, na versão da tradição, começou em 406 a.C. e se prolongou por dez anos. Pela primeira vez, segundo o autor, os soldados permaneceram em campanha também no inverno, e o Estado passou a lhes pagar o stipendium, o que teria permitido operações contínuas sem prejudicar o cultivo das terras de cada soldado.
A narrativa de Lívio inclui prodígios, como a elevação do nível do lago de Alba, que levou os romanos a consultar o oráculo de Delfos. A resposta ordenou que se drenasse a água, e a engenharia romana construiu um canal subterrâneo, o emissário do lago Albano, ainda visível. O ditador Marco Fúrio Camilo, nomeado em 396 a.C., teria mandado escavar uma galeria sob a cidadela de Veios e, enquanto o exército atacava as muralhas, os soldados teriam emergido no interior do templo de Juno. Camilo evocou a deusa, convidando-a a transferir-se para Roma, e sua estátua foi levada ao Aventino.
Com a queda de Veios, os habitantes foram vendidos como escravos, e os bens, repartidos com os soldados, em parte sob protesto de Camilo, que teria sido acusado de se apropriar de despojos. O território, o ager Veientanus, foi distribuído em lotes de sete jeiras a cada cidadão, segundo Lívio, e em 387 a.C. foram criadas quatro novas tribos territoriais, ligadas às regiões conquistadas. A cidade etrusca permaneceu vazia por algum tempo e, mais tarde, o município que ocupou o local seguiu sob domínio romano. O episódio ainda alimentou, na época, o debate sobre a proposta de transferir parte da população romana para o sítio conquistado.
O que levou a isso
- Disputa prolongada pelo controle do baixo Tibre e das rotas do sal
- Proximidade geográfica que tornava a coexistência instável
- Necessidade romana de terras para uma população em crescimento
O que veio depois
- Duplicação aproximada do território sob controle romano
- Distribuição de lotes a cidadãos, consolidando a colonização como política de Estado
- Adoção do pagamento de soldo, viabilizando campanhas de longa duração
Importância histórica
Primeira grande conquista territorial de Roma e ensaio geral do método que aplicaria depois em toda a Itália: destruir o poder rival, absorver a terra e assentar cidadãos.
O que dizem as fontes
O relato de Lívio sobre Veios mistura memória autêntica e elaboração literária. A duração de dez anos recorda a Ilíada, e a galeria subterrânea, a evocação da deusa e os prodígios do lago Albano parecem enriquecimentos tardios, em parte moldados por relatos gregos. A arqueologia mostra a importância de Veios, com seus santuários, como o de Portonaccio, de onde provém a célebre estátua de Apolo em terracota, e indica uma redução da ocupação após a conquista romana. Quanto ao soldo, alguns estudiosos o situam mais tarde. O núcleo, a guerra contra uma cidade vizinha poderosa e a anexação de seu território, é amplamente aceito.
Figuras envolvidas
- Marco Fúrio Camilo
Fontes consultadas
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro V Fonte antiga
- Coleção etrusca The British Museum
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