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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

data tradicional

Conquista de Veios

Roma tomou a poderosa cidade etrusca de Veios, sua rival direta do outro lado do Tibre, e incorporou pela primeira vez um território extenso e populoso.

  • Guerra e conquista
  • República
  • Veios, Etrúria meridional
  • Século V a.C.
Acontecimento 14 de 144 10 % do percurso

Sobre a data: A duração de dez anos atribuída ao cerco reproduz o modelo do cerco de Troia e é vista com reserva pela crítica. A conquista em si é considerada histórica.

Contexto histórico

Veios controlava a margem direita do Tibre e disputava com Roma o acesso às rotas do sal. Sua queda praticamente dobrou o território romano e trouxe um problema inédito: o que fazer com a terra e a população conquistadas. A solução, distribuir lotes a cidadãos romanos, criou um precedente decisivo. A tradição associa à campanha o pagamento regular de soldo aos soldados, medida necessária para sustentar operações longas e que transformaria a natureza do exército.

Como se desenrolou

Veios ficava a cerca de dezesseis quilômetros ao norte de Roma, numa elevação protegida por vales profundos, e era uma das cidades mais ricas da Etrúria meridional. Lívio descreve guerras sucessivas desde o início da República, incluindo o episódio dos trezentos e seis Fábios mortos na emboscada do Crêmera. O cerco decisivo, na versão da tradição, começou em 406 a.C. e se prolongou por dez anos. Pela primeira vez, segundo o autor, os soldados permaneceram em campanha também no inverno, e o Estado passou a lhes pagar o stipendium, o que teria permitido operações contínuas sem prejudicar o cultivo das terras de cada soldado.

A narrativa de Lívio inclui prodígios, como a elevação do nível do lago de Alba, que levou os romanos a consultar o oráculo de Delfos. A resposta ordenou que se drenasse a água, e a engenharia romana construiu um canal subterrâneo, o emissário do lago Albano, ainda visível. O ditador Marco Fúrio Camilo, nomeado em 396 a.C., teria mandado escavar uma galeria sob a cidadela de Veios e, enquanto o exército atacava as muralhas, os soldados teriam emergido no interior do templo de Juno. Camilo evocou a deusa, convidando-a a transferir-se para Roma, e sua estátua foi levada ao Aventino.

Com a queda de Veios, os habitantes foram vendidos como escravos, e os bens, repartidos com os soldados, em parte sob protesto de Camilo, que teria sido acusado de se apropriar de despojos. O território, o ager Veientanus, foi distribuído em lotes de sete jeiras a cada cidadão, segundo Lívio, e em 387 a.C. foram criadas quatro novas tribos territoriais, ligadas às regiões conquistadas. A cidade etrusca permaneceu vazia por algum tempo e, mais tarde, o município que ocupou o local seguiu sob domínio romano. O episódio ainda alimentou, na época, o debate sobre a proposta de transferir parte da população romana para o sítio conquistado.

O que levou a isso

  • Disputa prolongada pelo controle do baixo Tibre e das rotas do sal
  • Proximidade geográfica que tornava a coexistência instável
  • Necessidade romana de terras para uma população em crescimento

O que veio depois

  • Duplicação aproximada do território sob controle romano
  • Distribuição de lotes a cidadãos, consolidando a colonização como política de Estado
  • Adoção do pagamento de soldo, viabilizando campanhas de longa duração

Importância histórica

Primeira grande conquista territorial de Roma e ensaio geral do método que aplicaria depois em toda a Itália: destruir o poder rival, absorver a terra e assentar cidadãos.

O que dizem as fontes

O relato de Lívio sobre Veios mistura memória autêntica e elaboração literária. A duração de dez anos recorda a Ilíada, e a galeria subterrânea, a evocação da deusa e os prodígios do lago Albano parecem enriquecimentos tardios, em parte moldados por relatos gregos. A arqueologia mostra a importância de Veios, com seus santuários, como o de Portonaccio, de onde provém a célebre estátua de Apolo em terracota, e indica uma redução da ocupação após a conquista romana. Quanto ao soldo, alguns estudiosos o situam mais tarde. O núcleo, a guerra contra uma cidade vizinha poderosa e a anexação de seu território, é amplamente aceito.

Figuras envolvidas

  • Marco Fúrio Camilo

Fontes consultadas

  1. Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro V Fonte antiga
  2. Coleção etrusca The British Museum

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