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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

datação debatida

Saque de Roma pelos gauleses

Após a derrota romana junto ao rio Ália, um contingente gaulês ocupou e saqueou Roma, poupando apenas a cidadela do Capitólio. Foi o trauma militar mais profundo da República inicial.

  • Guerra e conquista
  • República
  • Rio Ália e cidade de Roma
  • Século IV a.C.
Acontecimento 15 de 144 10 % do percurso

Sobre a data: A cronologia romana registra 390 a.C.; fontes gregas apontam para 387 a.C. A divergência decorre de diferentes sistemas de contagem de anos, e o episódio em si é confirmado por múltiplas tradições independentes.

Contexto histórico

Grupos celtas haviam se estabelecido no vale do Pó e realizavam incursões para o sul. O exército romano, surpreendido e mal posicionado, foi desbaratado, e a cidade ficou indefesa. A ocupação durou meses e terminou com o pagamento de um resgate em ouro. O episódio deixou marcas duradouras: a data da derrota foi declarada nefasta no calendário, e a memória do saque alimentou por séculos o medo romano dos povos do norte. A reconstrução subsequente incluiu o circuito de muralhas em blocos de tufo conhecido como Muralha Serviana.

Como se desenrolou

Lívio conta que os gauleses senões, comandados por Breno, sitiaram a cidade etrusca de Clúsio, cujos habitantes pediram ajuda a Roma. Três embaixadores romanos, da família dos Fábios, teriam combatido ao lado dos clusinos, violando o direito das gentes, e os gauleses exigiram sua punição. Roma recusou e, ao contrário, elegeu os mesmos Fábios tribunos militares. Os gauleses avançaram para o sul, e o exército romano os enfrentou a cerca de onze milhas da cidade, junto ao rio Ália, num dia que a tradição fixa em 18 de julho. A linha romana, estendida demais, foi quebrada e desfeita, e muitos soldados fugiram para Veios.

A cidade ficou praticamente indefesa. Segundo Lívio, parte da população se refugiou nas cidades vizinhas, os sacerdotes levaram os objetos sagrados e as vestais se retiraram para Caere, enquanto os homens aptos ao combate ocuparam o Capitólio. Os idosos que ficaram esperaram a morte nas cadeiras curules. Os gauleses incendiaram e saquearam as casas. Segundo a narrativa, um ataque noturno à cidadela foi denunciado pelo grasnar dos gansos sagrados de Juno, e Marco Mânlio, que depois seria chamado Capitolino, repeliu os invasores. A fome e as doenças afligiram ambos os lados durante os meses de ocupação.

O desfecho é contado de duas maneiras. Na versão mais patriótica, de Lívio e Plutarco, os romanos negociavam o resgate de mil libras de ouro quando Camilo, nomeado ditador, chegou e derrotou os gauleses, exclamando que Roma se libertava com ferro, não com ouro. Políbio, mais sóbrio, diz que os gauleses se retiraram por causa de uma invasão dos vênetos em seu território e fizeram acordo com os romanos. A cidade foi reconstruída às pressas, com ruas tortuosas, segundo Lívio. Só depois, ao longo do século IV a.C., ergueu-se o circuito de muralhas em blocos de tufo de Grotta Oscura, atribuído tradicionalmente a Sérvio Túlio.

O que levou a isso

  • Migração e pressão de grupos celtas sobre a Itália central
  • Erro de posicionamento e derrota do exército romano no rio Ália
  • Ausência de fortificações capazes de proteger toda a cidade

O que veio depois

  • Construção de um novo e extenso circuito de muralhas no século IV a.C.
  • Reorganização gradual da estrutura e da tática do exército romano
  • Consolidação de um medo cultural duradouro em relação aos povos do norte

Importância histórica

Único episódio em oito séculos em que Roma foi tomada por um inimigo externo antes de 410 d.C., e ponto de virada na organização militar e defensiva da cidade.

O que dizem as fontes

O saque é um dos poucos eventos do início da República confirmado por tradições independentes, gregas e romanas, e Políbio o situa em torno de 387 a.C. A versão de Lívio sobre a vitória final de Camilo é tida como invenção patriótica que apaga uma humilhação, e muitos historiadores aceitam que o resgate de fato foi pago. A arqueologia encontrou poucos vestígios claros de uma camada de incêndio generalizada, o que sugere que os danos podem ter sido menores do que a memória dramática indica. O número de gauleses, a duração da ocupação e episódios como os gansos e a frase de Breno pertencem a um registro mais legendário que documental.

Figuras envolvidas

  • Breno
  • Marco Fúrio Camilo

Fontes consultadas

  1. Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro V Fonte antiga
  2. Plutarco, Vidas Paralelas: Camilo Fonte antiga

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