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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Invasão romana da Britânia

Quatro legiões desembarcaram na ilha e iniciaram a conquista que criaria a província mais setentrional do império, projeto militar destinado também a legitimar um imperador sem currículo militar.

  • Guerra e conquista
  • Alto Império
  • Sudeste da Britânia
  • Século I d.C.
Acontecimento 78 de 144 54 % do percurso

Contexto histórico

Júlio César havia realizado duas incursões um século antes, sem ocupação permanente. Cláudio, alçado ao trono pela guarda e visto com desdém por parte da elite, precisava de uma vitória que lhe desse autoridade. A campanha foi bem-sucedida no sudeste, e o próprio imperador visitou a frente por poucos dias para presidir a entrada em Camuloduno. A conquista completa da ilha nunca se realizaria: o norte permaneceria fora do controle romano.

Como se desenrolou

A expedição foi comandada por Aulo Pláucio, ex-cônsul e governador da Panônia, com quatro legiões, a II Augusta, a IX Hispana, a XIV Gêmina e a XX Valéria, além de numerosos auxiliares, o que dá algo em torno de 40 mil homens. Dião Cássio conta que os soldados se recusaram inicialmente a embarcar para além do Oceano, território que lhes parecia fora do mundo conhecido, e só avançaram após um discurso do liberto imperial Narciso. A travessia teria sido dividida em três esquadras. O ponto de desembarque mais provável é Rutúpias, atual Richborough, onde escavações revelaram fortificações de 43 d.C. com fossos e depósitos.

Os britânicos, liderados por Carataco e Togodumno, filhos do rei Cunobelino, resistiram no rio Medway, em combate que durou dois dias. Vespasiano, então comandante da II Augusta, distinguiu-se nas travessias. Os romanos chegaram ao Tâmisa, onde nova batalha foi travada, e Pláucio aguardou o imperador. Cláudio chegou com reforços, incluindo elefantes, e entrou em Camuloduno, capital dos trinovantes e catuvelaunos. Dião diz que onze reis se submeteram, e um arco triunfal erguido em Roma registrava a rendição. O reino atrebate, aliado de Roma, foi mantido sob o rei Cogidubno como cliente. O imperador permaneceu na ilha apenas dezesseis dias.

A fronteira foi avançando em etapas. Vespasiano submeteu o sudoeste, onde se vê, por exemplo, o grande forte em colina de Maiden Castle, escavado por Mortimer Wheeler. Carataco resistiu no País de Gales, até ser derrotado e capturado por volta de 50 e levado a Roma, onde, segundo Tácito, pronunciou um discurso diante do imperador e foi poupado. Uma estrada com fortes, conhecida depois como Fosse Way, marcou uma primeira linha de controle. Por volta de 47 já havia uma colônia de veteranos em Camuloduno, hoje Colchester, e Londínio nasceu como entreposto comercial junto ao Tâmisa, em torno de 50, possivelmente em torno de uma ponte.

O que levou a isso

  • Necessidade de prestígio militar para consolidar o governo de Cláudio
  • Interesse nos recursos minerais e agrícolas da ilha
  • Vínculos políticos entre elites britânicas e a Gália romana

O que veio depois

  • Criação da província da Britânia e fundação de cidades como Londínio
  • Presença militar permanente e construção de estradas e fortes
  • Resistência local recorrente, culminando na revolta de duas décadas depois

Importância histórica

Estende o domínio romano ao noroeste europeu e inaugura quase quatro séculos de presença romana nas ilhas britânicas.

O que dizem as fontes

A fonte narrativa principal é Dião Cássio, que escreveu no século III e cujo texto sobre esse trecho nos chegou em resumo, com lacunas; Suetônio e Tácito oferecem detalhes complementares. O sítio de Richborough é plausível para o desembarque, mas há quem defenda também a região de Kent mais ao norte ou o porto de Fishbourne. O local exato da batalha do Medway é debatido. Moedas, cerâmica importada e os túmulos de elites do período anterior mostram que a Britânia já mantinha vínculos fortes com a Gália. A narrativa de Dião reflete a propaganda claudiana, e o real tamanho da oposição britânica é incerto.

Figuras envolvidas

  • Cláudio — o administrador inesperado
  • Aulo Pláucio

Fontes consultadas

  1. Dião Cássio, História Romana, livro LX Fonte antiga
  2. Coleção da Britânia romana The British Museum

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