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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Conclusão da conquista da Hispânia

As campanhas contra cântabros e astures encerraram dois séculos de guerras na Península Ibérica e completaram o domínio romano sobre todo o território peninsular.

  • Guerra e conquista
  • Alto Império
  • Cantábria e Astúrias, norte da Península Ibérica
  • Século I a.C.
Acontecimento 72 de 144 50 % do percurso

Contexto histórico

As regiões montanhosas do norte haviam resistido desde a Segunda Guerra Púnica. Augusto conduziu pessoalmente parte das operações e Agripa concluiu a submissão. Seguiu-se uma reorganização administrativa completa da península em três províncias, com fundação de cidades, abertura de estradas e exploração intensiva de minas de ouro, entre elas o complexo hidráulico que a UNESCO reconheceria como patrimônio mundial no noroeste ibérico.

Como se desenrolou

As operações contra os cântabros começaram por volta de 26 a.C., com Augusto estabelecido em Tarraco, na costa mediterrânea. Dião Cássio informa que ele dirigiu a campanha em pessoa por pouco tempo, pois adoeceu e se retirou, deixando os comandos a legados como Caio Antístio e Públio Carísio. Os romanos dividiram as forças em colunas convergentes para o interior montanhoso, onde os nativos evitavam batalha campal e recorriam a emboscadas e a refúgios fortificados. O cerco do chamado Monte Medúlio, narrado em fontes tardias, teria terminado com suicídios coletivos dos sitiados. Em 25 a.C. foi fundada Emerita Augusta, a atual Mérida, para assentar veteranos licenciados.

A guerra parecia encerrada, mas houve revoltas repetidas, e os astures e cântabros voltaram a se levantar. Em 19 a.C. coube a Marco Vipsânio Agripa a fase final, descrita como especialmente dura: Dião menciona a execução de adultos capazes de lutar e o desarmamento dos sobreviventes, além da transferência de comunidades das alturas para vales e planícies, onde ficariam sujeitas a vigilância. Escavações e prospecções aéreas identificaram dezenas de acampamentos romanos temporários no norte da península, alguns com muralhas de terra e fossos, que permitem acompanhar o avanço das colunas. Três legiões, entre elas a Décima Gêmina, permaneceram na região nas décadas seguintes.

Com a pacificação, a organização provincial foi ajustada. A Hispânia Ulterior foi dividida em Bética, de caráter senatorial, e Lusitânia, enquanto a Citerior, depois chamada Tarraconense, absorveu o norte conquistado e ficou sob governador do príncipe. Estradas ligaram Astorga, Braga e Lugo ao restante da rede, e o ouro das Astúrias e da Galécia passou a ser extraído por meio de canais de água de grande extensão, que desmontavam encostas inteiras pela técnica descrita por Plínio, o Velho, como ruina montium. Os contingentes cântabros e astures aparecem depois entre as tropas auxiliares, sinal de que a incorporação militar substituiu a resistência.

O que levou a isso

  • Resistência persistente das comunidades montanhesas do norte peninsular
  • Interesse romano nos depósitos minerais da região
  • Necessidade de pacificar retaguardas antes de novas campanhas na Europa

O que veio depois

  • Integração completa da Península Ibérica ao sistema provincial romano
  • Exploração mineira em escala industrial, sobretudo de ouro
  • Urbanização acelerada e romanização das elites locais

Importância histórica

Encerra o mais longo ciclo de conquista da história romana e converte a Hispânia em uma das regiões mais integradas do império.

O que dizem as fontes

As fontes literárias são escassas e tardias. Dião Cássio, Floro e Orósio narram as campanhas com lacunas, e a sequência exata dos comandos e das fases é reconstruída com dificuldade. Daí a datação convencional, que varia em manuais entre 29, 26 e 19 a.C. como marcos. A arqueologia mudou o quadro: a identificação de acampamentos por fotografia aérea e levantamento a laser mostrou a escala da mobilização. Em contrapartida, os cântabros e astures aparecem apenas pelo olhar romano, e não sabemos como eles descreviam o conflito. A violência da repressão final é afirmada por Dião, mas os números de mortos e deslocados permanecem desconhecidos.

Figuras envolvidas

  • Augusto — o fundador do principado
  • Agripa

Fontes consultadas

  1. Dião Cássio, História Romana, livro LIII Fonte antiga
  2. Las Médulas, bem inscrito na Lista do Patrimônio Mundial UNESCO

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