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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Construção da Muralha de Adriano

Uma barreira contínua de pedra com fortes, torres e fossos foi erguida de costa a costa, materializando a nova doutrina de fronteiras fixas adotada pelo império.

  • Engenharia e cidades
  • Alto Império
  • Norte da Britânia
  • Século II d.C.
Acontecimento 89 de 144 62 % do percurso

Sobre a data: O início das obras em 122 d.C. é atestado por inscrições. A conclusão das diversas fases se estendeu por vários anos.

Contexto histórico

A muralha não era apenas defensiva: funcionava como posto de controle de circulação de pessoas e mercadorias, ponto de arrecadação e demonstração visível do poder romano. Duas décadas depois, o governo seguinte avançou a linha mais ao norte com outra barreira, de turfa, logo abandonada em favor do traçado original. As guarnições, formadas em boa parte por auxiliares recrutados em outras províncias, deixaram inscrições, cartas e objetos que documentam a vida cotidiana na fronteira.

Como se desenrolou

Adriano visitou a Britânia em 122, acompanhado do governador Aulo Platório Nepos e, segundo inscrições, da Legião VI Vitoriosa, que chegou à ilha nesse período. O plano inicial previa uma muralha de aproximadamente oitenta milhas romanas, cerca de 118 quilômetros, de Segedunum, atual Wallsend, no Tyne, até Maia, perto de Bowness, no Solway. A parte oriental seria de pedra, com cerca de três metros de largura, e a ocidental, de turfa sobre base de pedra, depois reconstruída em pedra. Em cada milha havia um pequeno forte, o milecastelo, e entre eles duas torres de vigia. As três legiões da ilha, a II Augusta, a VI Vitoriosa e a XX Valéria Vitoriosa, tomaram parte nos trabalhos.

O projeto foi alterado enquanto avançava. A largura do muro foi reduzida em alguns trechos, de dez para oito pés romanos, e decidiu-se acrescentar fortes de guarnição auxiliar, de modo que cerca de catorze ou dezesseis foram instalados diretamente ao longo da muralha, como Housesteads, Chesters e Birdoswald. Ao sul, uma vala larga, flanqueada por montes de terra, o vallum, delimitou uma zona militarizada. Portas nos milecastelos permitiam o trânsito de pessoas e mercadorias sob controle. Inscrições de obra, gravadas por centúrias ou coortes, indicam trechos construídos por cada unidade, e a Historia Augusta resume o objetivo como separar bárbaros e romanos.

Poucos anos após a morte de Adriano, o imperador Antonino Pio ordenou, por volta de 142, a construção de uma nova barreira mais ao norte, entre os estuários do Forth e do Clyde, com cerca de 63 quilômetros, de turfa sobre alicerce de pedra e dezenas de fortes. A chamada Muralha de Antonino foi abandonada ao fim de duas décadas, e a linha de Adriano voltou a ser a fronteira principal. Em Vindolanda, junto à estrada anterior à muralha, as tábuas de madeira com tinta, escavadas desde 1973, preservaram cartas, listas de suprimentos e até o convite de aniversário de Sulpícia Lepidina, esposa do comandante, em torno de 100 d.C.

O que levou a isso

  • Mudança para uma estratégia de fronteiras estabelecidas e defensáveis
  • Necessidade de controlar movimentos de populações do norte da ilha
  • Interesse em regular e taxar o comércio transfronteiriço

O que veio depois

  • Definição duradoura do limite norte do domínio romano na Britânia
  • Criação de comunidades civis permanentes ao redor dos fortes
  • Documentação excepcional da vida militar e cotidiana de fronteira

Importância histórica

Expressão material mais conhecida da política de fronteiras do império e uma das obras romanas mais bem preservadas fora da Itália.

O que dizem as fontes

A única fonte literária que liga a obra a Adriano é a Historia Augusta, de confiabilidade discutida, e a cronologia vem de inscrições e escavações. Os arqueólogos debatem a função: barreira militar contra incursões, controle alfandegário e de movimentos, demonstração de poder ou instrumento para ocupar tropas. A ideia de um muro intransponível defendido em todo o seu comprimento não tem apoio, e a ausência de provas de ataques em grande escala indica que operações de patrulha e avisos eram prioritárias. A cronologia de cada fase, o destino do vallum e a influência de projetos semelhantes na Germânia ainda geram divergências.

Figuras envolvidas

Fontes consultadas

  1. História Augusta: Adriano Fonte antiga de confiabilidade discutida
  2. Fronteiras do Império Romano, bem inscrito na Lista do Patrimônio Mundial UNESCO

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