Ir para o conteúdo
DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

data aproximada

Primeiras aldeias nas colinas do Tibre

Antes de qualquer data de fundação, comunidades de pastores e agricultores já ocupavam de forma estável as colinas junto ao vale do Tibre, deixando vestígios de cabanas e sepultamentos que a arqueologia recuperou nos últimos dois séculos.

  • Sociedade e conflitos internos
  • Monarquia
  • Palatino, Esquilino e Quirinal, vale do Tibre
  • Século X a.C.
Acontecimento 1 de 144 1 % do percurso

Sobre a data: Intervalo estabelecido por datação arqueológica de cabanas, sepulturas e cerâmica, não por qualquer relato antigo. As balizas variam conforme o sítio escavado.

Contexto histórico

O sítio onde Roma se desenvolveu reunia vantagens concretas: um ponto de travessia do Tibre próximo à ilha Tiberina, colinas defensáveis acima de terreno alagadiço, acesso às rotas do sal que vinham da foz do rio e proximidade das áreas de influência etrusca ao norte e latina ao sul. Escavações no Palatino identificaram buracos de esteios de cabanas ovais, e as necrópoles do Fórum e do Esquilino forneceram sequências de cremações e inumações que permitem acompanhar o crescimento e a diferenciação social dessas aldeias. Trata-se de um povoamento gradual, sem qualquer episódio único de criação.

Como se desenrolou

O quadro arqueológico do Lácio na Idade do Bronze Final e no início da Idade do Ferro mostra comunidades espalhadas por topos de colina, ligadas à chamada cultura laziale. Nas colinas de Roma, os primeiros grupos se fixaram em platôs separados por vales úmidos: o Palatino, o Capitólio, o Quirinal, o Esquilino e outros cumes. Cada núcleo tinha seus próprios espaços de habitação e de sepultamento, e nada indica, nessa fase, uma autoridade que governasse todos. A vida girava em torno da criação de ovinos e bovinos, do cultivo de cereais e do aproveitamento de bosques, com uma tecnologia doméstica de cerâmica modelada à mão e de pequenos objetos de bronze.

As cabanas identificadas no Palatino eram estruturas de planta oval ou retangular arredondada, com esteios cravados na rocha e paredes de vime revestidas de argila, cobertas de palha. Na depressão do futuro Fórum, os mortos eram cremados e as cinzas depositadas em urnas, algumas modeladas como pequenas cabanas, dentro de grandes vasos de armazenamento enterrados em poços. A partir do século VIII a.C. cresce o número de inumações, e os ajuares passam a registrar diferenças: armas, ornamentos de bronze e vasos finos aparecem em certas tumbas e faltam em outras, sinal de uma elite emergente. Importações gregas e orientais, em pequena quantidade, indicam contatos comerciais pelo vale do Tibre.

O processo que transformou esse conjunto de aldeias em uma só comunidade é chamado pelos estudiosos de sinecismo, isto é, a reunião de povoados em uma unidade política. Não há como determinar o momento em que isso ocorreu: ele pode ter sido gradual, com alianças religiosas e econômicas precedendo a fusão formal. Uma peça importante foi o abandono dos cemitérios dentro da área habitada, que passaram a ser deslocados para fora conforme o espaço central era reservado a outros usos. Esse deslocamento só se tornou claro no século VII a.C., quando a drenagem do Fórum mostra que a reunião das aldeias já tinha um centro comum.

O que levou a isso

  • Posição de travessia do Tibre em rota comercial entre o litoral salineiro e o interior
  • Colinas defensáveis acima de várzeas sujeitas a alagamento
  • Contato regular com comunidades latinas, sabinas e etruscas vizinhas

O que veio depois

  • Formação de um aglomerado contínuo que depois se reconheceria como uma única comunidade
  • Base material para o crescimento urbano registrado a partir do século VII a.C.
  • Evidência que permite avaliar criticamente os relatos posteriores sobre a fundação

Importância histórica

É o ponto de partida documentado da história romana e a principal referência para distinguir o que a tradição narra do que o registro material sustenta.

O que dizem as fontes

As fontes literárias nada dizem de útil sobre esse período, pois os romanos não conservaram memória documental anterior à fundação lendária. Tudo o que se afirma vem da arqueologia, e esta depende de escavações pontuais, de cerâmica datada por tipologia e de camadas muitas vezes destruídas por construções posteriores. Tim Cornell, em The Beginnings of Rome, defende a leitura gradualista, na qual a cidade surge de um longo processo e não de um ato. Andrea Carandini, ao contrário, interpreta achados do Palatino, como um trecho de muro, como indício de uma fundação em torno de meados do século VIII a.C., tese contestada por muitos colegas. A discordância revela o limite do que se sabe.

Fontes consultadas

  1. Tim J. Cornell, The Beginnings of Rome: Italy and Rome from the Bronze Age to the Punic Wars Routledge
  2. Acervo de arqueologia da Itália pré-romana The British Museum

Acontecimentos relacionados