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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

data aproximada

Drenagem e pavimentação do Fórum Romano

A área alagadiça entre as colinas foi drenada e recebeu um piso de terra batida e cascalho, transformando um brejo em espaço público comum. É o indício material mais forte de que as aldeias haviam se tornado uma cidade.

  • Engenharia e cidades
  • Monarquia
  • Vale entre o Palatino e o Capitólio, Roma
  • Século VII a.C.
Acontecimento 4 de 144 3 % do percurso

Sobre a data: Datação obtida por estratigrafia e por materiais associados às primeiras camadas de pavimento. A tradição atribui a obra aos reis etruscos, mas o intervalo aqui apresentado vem da arqueologia.

Contexto histórico

A drenagem exigia trabalho coordenado, decisão coletiva e capacidade de mobilizar mão de obra por vários anos, o que pressupõe uma autoridade política já constituída. Junto com o pavimento aparecem os primeiros edifícios de planta retangular com telhas, substituindo as cabanas anteriores, e cresce a quantidade de objetos importados do mundo grego e etrusco. O sistema de escoamento que depois seria monumentalizado como Cloaca Máxima tem origem nessa fase de obras hidráulicas.

Como se desenrolou

O vale entre o Palatino, o Capitólio e a Vélia era, na origem, um terreno baixo atravessado por córregos que desciam das colinas e alagado nas cheias do Tibre. Era usado para sepultamentos nas fases mais antigas, como mostram as sepulturas da necrópole do Fórum, e depois essa função foi abandonada. As escavações indicam que o solo foi aterrado com grandes quantidades de terra e entulho trazidos das encostas, de modo a elevar o nível e deixá-lo seco. Sobre esse preenchimento foi lançado um piso de argila compactada e cascalho, renovado repetidas vezes ao longo dos séculos, de modo que as camadas se sobrepõem como páginas de um registro.

A drenagem dependia de canais abertos e depois de condutos fechados, que levavam a água para o Tibre pelo eixo que mais tarde seria a Cloaca Máxima. A tradição atribui o grande canal a Tarquínio Prisco, mas a versão em pedra que se conhece, visível em trechos, pertence a fases posteriores de reforma. Em paralelo, os primeiros edifícios do local, como a Régia, associada ao rei e depois ao pontífice máximo, e o santuário de Vesta, assumiram plantas mais regulares e passaram a ter fundações de pedra e cobertura de telhas de terracota. O Comício, espaço de reuniões ao pé da futura Cúria, também aparece nessa fase.

A passagem de um conjunto de cabanas para um espaço público pavimentado implica decisões de longo prazo e uma divisão de trabalho que nenhuma aldeia isolada teria tido. Alguns estudiosos vinculam essa mudança à influência etrusca e à adoção de modelos urbanos já presentes em cidades como Veios, Cerveteri e Tarquínia. Também há quem aponte a importância do comércio: o Fórum Boário, mercado de gado perto do rio, funcionava como ponto de intercâmbio com mercadores gregos e fenícios. O resultado foi um núcleo cívico que reunia mercado, tribunal, assembleia e culto, e que os romanos continuariam a ampliar por mais de mil anos.

O que levou a isso

  • Alagamento recorrente do vale central, que impedia uso permanente da área
  • Crescimento demográfico das aldeias das colinas e necessidade de espaço comum
  • Circulação de técnicas construtivas e hidráulicas vindas do mundo etrusco

O que veio depois

  • Criação do espaço que se tornaria o centro político, judicial e comercial de Roma
  • Passagem arqueologicamente visível de aglomerado de aldeias para cidade organizada
  • Base para a monumentalização posterior do centro, incluindo templos e a Cúria

Importância histórica

Marca o momento em que Roma passa a funcionar como cidade, com espaço público planejado e capacidade de executar obras coletivas de grande porte.

O que dizem as fontes

Este é um caso em que a arqueologia contradiz ou corrige a tradição escrita. Os autores antigos atribuem as grandes obras aos reis etruscos, sobretudo Tarquínio Prisco, mas a datação por camadas e cerâmica aponta uma sequência de aterros e pavimentos cuja cronologia exata é debatida. Giacomo Boni, no início do século XX, e escavadores posteriores, como Einar Gjerstad, propuseram sequências que diferem em décimos de século, e Cornell discute essas divergências em seu estudo sobre os primórdios da cidade. A leitura mais aceita liga a pavimentação ao fim do século VII ou ao início do século VI a.C., mas as balizas são aproximadas e dependem de poucas sondagens profundas.

Fontes consultadas

  1. Tim J. Cornell, The Beginnings of Rome Routledge
  2. Centro Histórico de Roma, bem inscrito na Lista do Patrimônio Mundial UNESCO

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