Contexto histórico
Sentino reuniu contingentes de vários povos italianos em uma das maiores batalhas travadas na península até então. A vitória romana desarticulou a coalizão e eliminou a possibilidade de uma frente unida contra Roma. Nos anos seguintes, os samnitas foram submetidos e integrados ao sistema de alianças, embora mantivessem forte identidade própria, que reapareceria dois séculos depois na Guerra Social.
Como se desenrolou
Depois de anos de paz inquieta, os samnitas voltaram à luta por volta de 298 a.C., quando os lucanos pediram ajuda contra eles e Roma interveio. Liderados por Gélio Egnácio, os samnitas procuraram romper o isolamento com uma estratégia ousada: atravessaram os Apeninos para unir-se a etruscos, úmbrios e aos gauleses senones. Roma percebeu a ameaça e mobilizou quatro exércitos, entre eles forças de reserva e tropas de aliados. Em 295 a.C., os cônsules Quinto Fábio Máximo Rúlio e Públio Décio Mus, este em seu quarto consulado, conduziram o grosso das legiões ao encontro das forças coligadas na região da Úmbria.
Sentino, próximo da atual Sassoferrato, foi o campo de batalha. Lívio descreve que as forças romanas ocuparam a ala direita, sob Fábio, e a esquerda, sob Décio, enquanto os samnitas enfrentaram o primeiro e os gauleses o segundo. Fábio manteve a linha em combate de desgaste, à espera do cansaço adversário, enquanto a ala de Décio sofreu um ataque de carros gauleses e recuou. Décio, seguindo o exemplo do pai, praticou a devotio e se lançou na massa inimiga. No momento em que os gauleses vacilaram, Fábio lançou o ataque geral. Um destacamento enviado para devastar o território etrusco havia, segundo a tradição, desfeito a coligação ao forçar parte dos etruscos a voltar.
As perdas citadas por Lívio são muito altas: ele menciona mais de oito mil mortos do lado romano e números ainda maiores entre os inimigos, embora advirta que havia variações entre os autores. A guerra continuou no sul. Em 293 a.C. houve a vitória em Aquilônia, e em 291 a.C. fundou-se a colônia de Venúsia, na fronteira da Apúlia, para vigiar o Sâmnio. Em 290 a.C., Mânio Cúrio Dentato foi apontado como o cônsul que encerrou o conflito, derrotando também os sabinos. A paz que se seguiu transformou o Sâmnio em aliado obrigado a fornecer contingentes, e não mais em adversário independente.
O que levou a isso
- Percepção compartilhada de que o avanço romano ameaçava todos os povos da região
- Recuperação militar samnita após a guerra anterior
- Disponibilidade de contingentes gauleses para atuar como aliados
O que veio depois
- Desarticulação definitiva da resistência coordenada na Itália central
- Submissão do Sâmnio ao sistema de alianças romano
- Domínio romano consolidado da Etrúria à Apúlia
Importância histórica
Decide o controle da Itália central e elimina a última coalizão capaz de deter a expansão romana na península.
O que dizem as fontes
O relato de Lívio sobre Sentino é detalhado, mas a fonte contém tópicos recorrentes, como o sacrifício de um Décio, que se repete em três gerações da família e levanta suspeitas de invenção ou de transposição literária. Lívio reconhece que os autores divergiam sobre os números e sobre quem comandava o quê, e reprova exageros que encontrou. Os historiadores modernos aceitam que houve uma grande batalha em 295 a.C., com contingentes de vários povos, mas a composição exata das forças e a manobra de diversão na Etrúria são incertas. A arqueologia da região de Sentino não oferece evidência decisiva do campo de batalha, e o desfecho de 290 a.C. é conhecido de forma muito mais resumida.
Figuras envolvidas
- Públio Décio Mus
- Quinto Fábio Máximo Rúlio
Fontes consultadas
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro X Fonte antiga
- The Cambridge Ancient History, vol. VII Cambridge University Press
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