Trajetória
Públio Cornélio Cipião nasceu por volta de 236 a.C. na gens patrícia Cornélia, filho do cônsul de mesmo nome. Segundo Políbio e Lívio, participou da batalha do Ticino, em 218, em que teria protegido o pai ferido, e sobreviveu ao desastre de Canas, em 216, onde, como tribuno militar, impediu que jovens nobres abandonassem Roma. Foi edil curul em 213. Após a morte do pai e do tio na Hispânia, em 211, foi enviado a assumir o comando, ainda sem ter ocupado a magistratura exigida, com poderes proconsulares concedidos pelo povo. A decisão foi excepcional para os costumes da época, e a tradição a associou a seu carisma e a suas alegadas relações com os deuses.
Na Hispânia, tomou Nova Cartago em 209, por ataque súbito, derrotou Asdrúbal Barca em Baécula, em 208, e obteve a vitória decisiva em Ilipa, em 206, que encerrou o domínio cartaginês na região. Eleito cônsul em 205 a.C., enfrentou a oposição de Fábio Máximo ao plano de invadir a África, e recebeu a Sicília e permissão para a expedição. Desembarcou em 204, venceu Sífax e Asdrúbal Giscão nas Grandes Planícies, em 203, e foi encontrado por Aníbal em Zama, em 202 a.C. A vitória encerrou a guerra e lhe valeu o cognome Africano. A paz de 201 impôs a Cartago a perda de territórios e da frota.
Foi censor em 199 a.C. e princeps senatus, mas seu prestígio causou desconfiança. Acompanhou o irmão Lúcio na guerra contra Antíoco III, que terminou em Magnésia, em 190. Nos anos seguintes, tribunos ligados ao círculo de Catão o acusaram de ter recebido dinheiro do rei e de ter desviado fundos. As fontes narram de modo divergente os processos de 187 a 184, e não é certo qual dos Cipiões foi realmente processado. Segundo Lívio, Cipião deixou Roma, retirou-se para Literno, na Campânia, e ali morreu por volta de 183 a.C. A tradição diz que pediu para não ser enterrado em Roma.
O que importa reter
- Encerrou a Segunda Guerra Púnica com a vitória de 202 a.C.
- Terminou a vida afastado da política após acusações no Senado
Legado e julgamento histórico
Políbio o admirou por sua capacidade de planejamento, e Lívio o transformou numa figura quase providencial, protegida pelos deuses. Os críticos antigos, como Catão, viam nele uma ameaça à igualdade aristocrática. A historiografia moderna destaca sua inovação tática, que incluiu o treino de tropas inspirado em modelos de Aníbal, e discute o quanto a imagem heroica foi retocada pelos descendentes. Seus feitos abriram o caminho para o domínio romano no Mediterrâneo ocidental. Permaneceu como o primeiro grande exemplo do comandante cujo prestígio pessoal tensionava o equilíbrio da República e que prenunciou os generais do século seguinte.
Acontecimentos em que aparece
Batalha de Zama e o fim da Segunda Guerra Púnica
Cipião derrotou Aníbal em território africano, com apoio decisivo da cavalaria númida, encerrando dezessete anos de guerra e a condição de Cartago como potência militar.
- Guerra e conquista
- Interior da atual Tunísia
- Século III a.C.
Batalha de Magnésia e a Paz de Apameia
A derrota do rei selêucida Antíoco III levou ao tratado que expulsou o maior reino helenístico da Ásia Menor e redesenhou o mapa político do Oriente em favor dos aliados de Roma.
- Guerra e conquista
- Magnésia do Sípilo, Ásia Menor
- Século II a.C.