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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Batalha de Zama e o fim da Segunda Guerra Púnica

Cipião derrotou Aníbal em território africano, com apoio decisivo da cavalaria númida, encerrando dezessete anos de guerra e a condição de Cartago como potência militar.

  • Guerra e conquista
  • República
  • Interior da atual Tunísia
  • Século III a.C.
Acontecimento 38 de 144 26 % do percurso

Sobre a data: A localização exata do campo de batalha permanece incerta; nenhuma das identificações propostas é consensual.

Contexto histórico

Cipião havia conquistado a Hispânia e transferido a guerra para a África, obrigando Cartago a chamar Aníbal de volta da Itália. Em Zama, os papéis se inverteram: os romanos tinham superioridade em cavalaria, graças à aliança com o rei númida Masinissa, e neutralizaram a carga de elefantes abrindo corredores na formação. O tratado de paz reduziu Cartago a um Estado sem política externa própria, obrigado a pedir autorização romana para qualquer guerra.

Como se desenrolou

Públio Cornélio Cipião desembarcou na África em 204 a.C. e sitiou Útica sem sucesso. Em 203 a.C., num ataque noturno aos campos de Sífax e dos cartagineses, incendiou os acampamentos de palha e causou grande mortandade, depois derrotou os adversários nos Campos Magnos. Sífax foi capturado, e Masinissa, aliado de Cipião, recuperou o reino númida. Cartago chamou Aníbal e Magão, e iniciou negociações que foram rompidas quando navios romanos foram atacados durante uma trégua. Aníbal desembarcou em Hadrumeto, após mais de quinze anos na Itália, com o prestígio ainda intacto, mas sem os veteranos que precisava.

Antes da batalha, Políbio e Lívio narram uma entrevista entre os dois generais, em que Aníbal propôs a paz sob as condições vigentes, e Cipião recusou. O exército cartaginês incluía oitenta elefantes, mercenários ligures e gauleses na primeira linha, recrutas líbios e cartagineses na segunda, e os veteranos da Itália na terceira, mantidos atrás. Cipião dispôs as unidades em colunas de manípulos com corredores abertos, ocupados por tropas ligeiras, que se retiravam para os lados quando os animais avançavam. A carga dos elefantes, assustados pelas trombetas, se desviou pelos corredores ou voltou-se contra os numidas de Aníbal.

A cavalaria romana e a de Masinissa expulsaram a de Aníbal e perseguiram-na. A infantaria travou combate duro, com a primeira linha cartaginesa recuando, e Aníbal recusou-se a abrir espaço para os fugitivos. Quando a cavalaria voltou e atacou a retaguarda, a batalha estava decidida. Aníbal escapou para Hadrumeto. No tratado de 201 a.C., segundo Políbio, Cartago manteve seu território africano, mas entregou a frota, salvo dez navios, e os elefantes, e pagou dez mil talentos em cinquenta anos. Cipião recebeu o título de Africano e celebrou um triunfo em Roma, com Sífax já morto em cativeiro.

O que levou a isso

  • Conquista romana da Hispânia e perda da base de recrutamento cartaginesa
  • Transferência do conflito para a África por iniciativa de Cipião
  • Aliança romana com reinos númidas fornecedores de cavalaria

O que veio depois

  • Tratado que retirou de Cartago a frota, os territórios externos e a autonomia militar
  • Indenização de guerra paga por cinquenta anos
  • Hegemonia romana incontestada no Mediterrâneo ocidental

Importância histórica

Encerra a maior ameaça externa já enfrentada por Roma e transforma a República na potência dominante do Mediterrâneo.

O que dizem as fontes

Os relatos de Políbio e de Lívio são os mais completos e provavelmente derivam de tradições próximas a Cipião, o que sugere favorecimento. A localização é incerta: Políbio menciona Margaron, e a tradição consagrou Zama, enquanto Lívio fala de Naraggara. A entrevista entre os generais é um tema literário recorrente, e a existência do encontro pode ser real, ainda que as palavras sejam invenção dos historiadores. Há debate sobre os números e sobre o papel exato dos elefantes. O que se sustenta com segurança é a superioridade de cavalaria romana graças aos númidas e o teor geral do tratado.

Figuras envolvidas

Fontes consultadas

  1. Políbio, Histórias, livro XV Fonte antiga
  2. Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro XXX Fonte antiga

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