Contexto histórico
Antíoco III havia expandido seus domínios até a Grécia continental e abrigado Aníbal em sua corte. A campanha romana cruzou pela primeira vez para a Ásia, e a vitória em Magnésia foi seguida por condições duríssimas: renúncia a todo território a oeste dos montes Tauro, entrega de elefantes e navios e indenização enorme. Roma não anexou nada diretamente, distribuindo os territórios entre Pérgamo e Rodes, o que manteve o custo administrativo baixo e a influência alta.
Como se desenrolou
Depois de Antíoco III desembarcar na Grécia em 192 a.C., o cônsul Mânio Acílio Glabrião o derrotou nas Termópilas em 191 a.C., e o rei voltou à Ásia. A guerra foi então levada ao mar e à Anatólia. A frota selêucida, comandada por Aníbal e outros, sofreu reveses diante de Rodes e Roma em 190 a.C. O Senado designou Lúcio Cornélio Cipião como cônsul; seu irmão Públio Cornélio Cipião Africano o acompanhou como legado, embora, segundo Lívio, estivesse doente e ausente no dia da batalha. O exército atravessou o Helesponto e avançou pela Eólia.
O combate ocorreu no fim de 190 a.C. ou início de 189 a.C., segundo a cronologia adotada, na planície do Hermo, perto de Magnésia do Sípilo. Segundo Lívio, os romanos e aliados somavam cerca de trinta mil homens, entre eles contingentes enviados por Eumenes II de Pérgamo, e as forças de Antíoco eram bem maiores, com falange, catafractos, arqueiros montados, elefantes e carros com foices. Os arqueiros e fundibulários de Eumenes dispersaram os carros, que lançaram confusão nas fileiras selêucidas. Antíoco venceu à direita e perseguiu os romanos até o acampamento, mas ao voltar encontrou a falange imobilizada e cercada.
As condições de paz foram acertadas ainda antes da ratificação final, em Apameia, em 188 a.C. Antíoco renunciou a tudo a oeste do Tauro, pagou uma indenização de quinze mil talentos em doze anos, entregou elefantes e quase toda a frota, e comprometeu-se a não recrutar mercenários nos territórios aliados de Roma. Reféns, entre eles o futuro Antíoco IV, foram enviados a Roma. O cônsul Cneu Mânlio Vulsão, no ano anterior, havia conduzido campanha contra os gálatas e pilhado a região, e dez comissários redistribuíram as terras, com ganhos maiores para Eumenes II e Rodes.
O que levou a isso
- Expansão selêucida sobre a Grécia e a Trácia
- Alianças romanas com Pérgamo e Rodes, ameaçadas por Antíoco
- Presença de Aníbal na corte selêucida, tratada como provocação em Roma
O que veio depois
- Retirada selêucida da Ásia Menor ocidental e pagamento de indenização recorde
- Fortalecimento de Pérgamo e Rodes como aliados regionais de Roma
- Enfraquecimento estrutural do maior reino helenístico do Oriente
Importância histórica
Elimina o último grande rival militar de Roma no Mediterrâneo oriental e estabelece a arbitragem romana como fator decisivo na política do Oriente.
O que dizem as fontes
Lívio é a fonte narrativa mais completa, apoiado em Políbio, cujo relato dos livros correspondentes é fragmentário. Os números de Lívio sobre combatentes e perdas selêucidas, em dezenas de milhares contra poucas centenas de romanos, são considerados exagerados por estudiosos, que apontam o hábito da tradição de glorificar o vencedor. O tratado de Apameia é conhecido por Políbio e Lívio, com variações sobre valores e prazos. A topografia do campo foi discutida, e a data, entre o fim de 190 e o começo de 189 a.C., depende do calendário romano e do cômputo dos meses intercalares. A verdadeira extensão da participação de Cipião Africano é incerta.
Figuras envolvidas
- Cipião Africano — o vencedor de Zama
- Antíoco III
- Lúcio Cornélio Cipião
Fontes consultadas
- Políbio, Histórias, livro XXI Fonte antiga
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro XXXVII Fonte antiga
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