Trajetória
Públio Licínio Egnácio Galieno nasceu por volta de 218 d.C., filho de Valeriano e de Egnácia Mariniana, em família senatorial. Sua carreira antes de 253 é pouco documentada. Quando o pai foi proclamado imperador, em 253, Galieno foi elevado a Augusto e ficou encarregado do Ocidente, enquanto Valeriano se dirigia ao Oriente. Nos primeiros anos, defendeu o Reno e o Danúbio contra francos, alamanos e jutungos, e, segundo as fontes, ordenou obras de fortificação em cidades da Gália e da Itália. Em 260, a captura do pai por Sapor I deixou-o como único imperador, em situação extremamente frágil.
O governo de Galieno foi uma sucessão de crises. Pouco depois da captura de Valeriano, Póstumo se rebelou na Gália e fundou o chamado Império Gálico, que incluía a Britânia e a Hispânia. No Oriente, o príncipe palmireno Odenato, a quem Galieno concedeu títulos, defendeu a região contra os persas. Houve usurpadores em várias províncias, e godos e hérulos saquearam os Bálcãs e a Grécia, incluindo Atenas, em 267. Galieno reformou o exército, criando uma cavalaria móvel, concentrada em Mediolanum (Milão), e afastou senadores do comando de legiões, entregues a oficiais de carreira, medida que as fontes senatoriais criticam. Também suspendeu a perseguição aos cristãos, devolvendo-lhes bens.
Em 268, os hérulos e os godos voltaram a invadir os Bálcãs, e a grande vitória em Naísso, que as fontes situam em 268 ou 269, coube já a seu sucessor, Cláudio II. Galieno estava sitiando em Mediolanum o comandante rebelde Aureolo quando foi assassinado, no verão de 268, numa conspiração de seus oficiais, entre eles, segundo algumas fontes, Cláudio e Aureliano. Os senadores, que o odiavam, executaram membros de sua família, mas Cláudio exigiu que fosse divinizado. O reinado de quinze anos, o mais longo do período, foi uma exceção numa época de reinados curtos.
O que importa reter
- Criou forças móveis de cavalaria para responder a ameaças simultâneas
- Sob seu governo, o comando das legiões passou a oficiais de carreira
Legado e julgamento histórico
As fontes antigas, sobretudo a Historia Augusta e autores senatoriais, apresentaram-no como um governante displicente e entregue a prazeres, enquanto os "Trinta Tiranos" se multiplicavam. A historiografia moderna rejeita em boa parte esse retrato e vê nele um imperador pragmático, que conteve o colapso total do Estado. As reformas militares, a separação entre carreira civil e militar e a cavalaria móvel foram base para as recuperações de Aureliano e, mais tarde, de Diocleciano e Constantino, permanecendo como seu legado mais importante.
Acontecimentos em que aparece
data aproximada
Crise do século III
Meio século de proclamações militares sucessivas, invasões simultâneas, epidemias e desvalorização monetária levou o império à beira da desintegração antes de uma recuperação inesperada.
- Política e governo
- Todo o território romano
- Século III d.C.
Captura do imperador Valeriano pelos persas
Pela primeira e única vez, um imperador romano foi capturado vivo em batalha e morreu em cativeiro, humilhação registrada em monumentos persas esculpidos na rocha.
- Guerra e conquista
- Edessa, Mesopotâmia
- Século III d.C.