Trajetória
Públio Licínio Valeriano nasceu por volta do ano 200 d.C., numa família senatorial antiga e abastada. Pouco se conhece de sua carreira anterior, mas as fontes lhe atribuem prestígio no Senado, e, sob Décio, ele aparece nos relatos como candidato à censura, cargo que o imperador queria restaurar, segundo a Historia Augusta, que exige cautela. Em 253, o imperador Emiliano foi deposto, e Valeriano, que reunia tropas da Récia e do Nórico para auxiliar Treboniano Galo, foi proclamado imperador por seus soldados. Entrou na Itália, onde o Senado o reconheceu, e nomeou seu filho Galieno como co-Augusto.
Valeriano dividiu as responsabilidades: assumiu o Oriente, ameaçado pelos sassânidas de Sapor I, e deixou o Ocidente para Galieno, que enfrentava invasões germânicas. O período foi marcado por pestes, ataques godos e a ocupação persa de Antioquia, ocorrida provavelmente por volta de 253 ou 256. Em 257-258, Valeriano publicou editos contra o clero e as assembleias cristãs, exigindo o cumprimento dos ritos tradicionais, e o bispo Cipriano de Cartago e o papa Sisto II foram executados. Em 259-260, partiu para Edessa, para enfrentar os persas, mas o exército, enfraquecido por doenças, foi cercado.
Em 260, Valeriano foi capturado por Sapor I, possivelmente quando negociava, mas os detalhes são incertos. A inscrição trilíngue do rei, as Res Gestae Divi Saporis, em Naqsh-e Rustam, registra o episódio como grande vitória persa, e relevos rupestres mostram o imperador diante de Sapor. Lactâncio e outros autores cristãos contam que foi humilhado como degrau para o rei montar, e depois esfolado, narrativa de forte caráter apologético, desconfiável. A data e as circunstâncias de sua morte em cativeiro são desconhecidas; Roma não conseguiu libertá-lo, e Galieno, dividido entre várias frentes, não organizou expedição de resgate.
O que importa reter
- Sua captura é registrada em relevos rupestres persas
- Morreu em cativeiro, sem que Roma conseguisse resgatá-lo
Legado e julgamento histórico
Para os autores cristãos, a sorte de Valeriano foi castigo divino por sua perseguição. Para os romanos em geral, foi uma catástrofe sem paralelo, que abalou o prestígio imperial e abriu caminho para o surgimento de poderes regionais, como o Império Gálico e Palmira. Historiadores modernos tendem a ver em seu governo uma tentativa séria de enfrentar crises simultâneas, comprometida pela superextensão militar. As representações persas são hoje as fontes mais seguras sobre o desfecho, e a memória do episódio permaneceu longamente na tradição histórica romana e bizantina.
Acontecimentos em que aparece
data aproximada
Crise do século III
Meio século de proclamações militares sucessivas, invasões simultâneas, epidemias e desvalorização monetária levou o império à beira da desintegração antes de uma recuperação inesperada.
- Política e governo
- Todo o território romano
- Século III d.C.
Captura do imperador Valeriano pelos persas
Pela primeira e única vez, um imperador romano foi capturado vivo em batalha e morreu em cativeiro, humilhação registrada em monumentos persas esculpidos na rocha.
- Guerra e conquista
- Edessa, Mesopotâmia
- Século III d.C.