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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Anexação do reino nabateu

O reino que controlava as rotas de caravanas entre a Arábia e o Mediterrâneo foi incorporado como província, garantindo a Roma o domínio direto do comércio de incenso e especiarias.

  • Economia e abastecimento
  • Alto Império
  • Petra e território nabateu
  • Século II d.C.
Acontecimento 87 de 144 60 % do percurso

Contexto histórico

Os nabateus haviam construído em Petra uma cidade monumental esculpida na rocha, sustentada por um sistema hidráulico sofisticado em pleno deserto. A anexação ocorreu sem grande resistência registrada. Roma construiu uma via estratégica ligando o Mar Vermelho à Síria e passou a arrecadar diretamente os tributos das rotas comerciais. Petra permaneceu próspera por mais de um século antes de declinar com a mudança dos fluxos comerciais.

Como se desenrolou

O último rei nabateu, Rabel II, morreu em 106, depois de um reinado de mais de trinta anos, e o reino foi incorporado ao império. As fontes literárias são breves: Dião Cássio registra que Aulo Cornélio Palma, governador da Síria, submeteu a Arábia e a fez tributária de Roma, enquanto Amiano Marcelino menciona a criação da província por Trajano. Não há registro de grandes batalhas; moedas de Trajano com a legenda Arabia adquisita, isto é, Arábia adquirida, indicam ênfase na conquista sem guerra. Em vez disso, a anexação parece ter consistido na entrada de tropas legionárias vindas da Síria e do Egito e na substituição da corte real por um governador de nível pretoriano.

A capital provincial foi fixada em Bostra, ao norte, cidade que passou a se chamar Nova Trajana Bóstra e recebeu a Legião III Cirenaica como guarnição. Isso deslocou o centro de gravidade para as rotas que ligavam a Síria ao Mar Vermelho. Entre 111 e 114, uma estrada, a Via Nova Trajana, foi aberta de Bostra até Áila, atual Aqaba, atravessando o altiplano da Transjordânia, com marcos miliários que registram o nome do imperador e a participação de soldados. A estrada facilitava o deslocamento de tropas, a coleta de tributos e a circulação de mercadorias, e passou a ser vigiada por fortes e torres de guarda ao longo do percurso.

Petra e Hegra, ao sul, continuaram habitadas, mas perderam o papel político central. Inscrições nabateias do período romano são raras, enquanto as gregas e latinas se multiplicam, indício da mudança de língua oficial. Os papiros da família de Babata, encontrados numa gruta do deserto da Judeia e datados entre 93 e 132, mostram habitantes da província recorrendo a tribunais romanos e misturando práticas gregas e locais em contratos de herança e tutela. O comércio de longa distância não desapareceu, mas parte do fluxo mudou para o mar Vermelho e Palmira. Um terremoto em 363 danificou gravemente Petra, que declinou progressivamente.

O que levou a isso

  • Importância estratégica das rotas caravaneiras da Arábia
  • Interesse fiscal no comércio de incenso, mirra e especiarias
  • Fim da linhagem real nabateia sem sucessão consolidada

O que veio depois

  • Criação da província da Arábia Pétrea
  • Construção de estrada militar ligando o Mar Vermelho à Síria
  • Controle romano direto sobre o comércio de longa distância com o Oriente

Importância histórica

Consolida o domínio romano sobre o comércio entre o Mediterrâneo e o Oceano Índico, base de parte relevante da economia imperial.

O que dizem as fontes

A anexação é conhecida por poucas linhas de Dião e por moedas, inscrições e miliários, o que deixa muito em aberto. Não sabemos se Rabel II designou Roma como herdeira, se houve negociação ou se a absorção foi imposta sem resistência significativa; Glen Bowersock, em Roman Arabia, discute o episódio com cautela. A leitura de Petra como centro caravaneiro depende de Estrabão e Plínio, o Velho, que descrevem o comércio de incenso, mas estudos recentes enfatizam também a agricultura e o pastoreio nabateus. O declínio de Petra, em particular, não pode ser reduzido a uma única causa, como a mudança de rotas.

Figuras envolvidas

  • Trajano — o imperador da maior extensão territorial

Fontes consultadas

  1. Dião Cássio, História Romana, livro LXVIII Fonte antiga
  2. Petra, bem inscrito na Lista do Patrimônio Mundial UNESCO

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