Trajetória
Marco Úlpio Trajano nasceu em 18 de setembro de 53 d.C., em Itálica, na província da Bética, na Hispânia, sendo o primeiro imperador de origem provincial. Seu pai, de mesmo nome, foi general de Vespasiano e chegou ao consulado e ao governo de províncias. O filho serviu em diversas legiões, foi tribuno, e em 89 apoiou Domiciano contra a revolta de Saturnino, com tropas da Hispânia. Foi cônsul em 91 e legado da Germânia Superior quando Nerva, pressionado pela revolta pretoriana, o adotou em outubro de 97. Trajano assumiu o império em janeiro de 98, após a morte de Nerva, e só chegou a Roma em 99, depois de inspecionar as fronteiras.
Dois conflitos marcaram seu governo. Nas guerras dácicas, de 101-102 e 105-106, derrotou o rei Decébalo, que se suicidou, e transformou a Dácia em província, com ouro e minas que beneficiaram o tesouro. A campanha foi comemorada com a ponte de Apolodoro de Damasco sobre o Danúbio, o Fórum de Trajano e a coluna em relevo. A segunda frente foi o Oriente: anexou o reino nabateu, em 106, formando a província da Arábia, e iniciou, em 113, a guerra contra os partas, ocupando Armênia e Mesopotâmia e chegando a Ctesifonte. Internamente, expandiu o sistema alimentar (alimenta), ergueu portos, estradas e aquedutos.
A grande extensão conquistada no Oriente revelou-se frágil. Entre 115 e 117, revoltas judaicas em Cirene, no Egito e em Chipre, além de levantes na Mesopotâmia, forçaram o imperador a recuar. Adoentado, partiu para a Itália, mas morreu em agosto de 117 em Selinunte, na Cilícia. A adoção de Adriano foi anunciada logo depois, em circunstâncias que os autores antigos relatam com desconfiança, atribuindo papel decisivo à viúva Plotina. Suas cinzas foram depositadas na base da coluna que leva seu nome, honra incomum, e o Senado o divinizou, concedendo-lhe a vitória parta póstuma.
O que importa reter
- A coluna erguida em Roma narra suas campanhas em relevo contínuo
- Criou um sistema de auxílio a crianças pobres na Itália
Legado e julgamento histórico
Os senadores o declararam optimus princeps, e a tradição posterior o tomou como modelo de governante a quem se desejava que os sucessores igualassem. Plínio, o Jovem, deixou panegírico e cartas que reforçam essa imagem, embora o elogio seja parte de uma retórica oficial. Estudiosos modernos questionam o custo militar e financeiro das campanhas e observam que as conquistas orientais foram abandonadas logo depois. Ainda assim, a Coluna de Trajano, os mercados, o fórum e o sistema de assistência permaneceram entre as expressões mais duradouras da Roma imperial.
Acontecimentos em que aparece
Assassinato de Domiciano e início dos imperadores adotivos
Uma conspiração palaciana eliminou o último dos flavianos, e o Senado escolheu como sucessor um senador idoso e sem filhos, que adotou como herdeiro um general de prestígio.
- Política e governo
- Roma
- Século I d.C.
Guerras dácicas e a conquista da Dácia
Duas campanhas ao norte do Danúbio submeteram o reino dácio e trouxeram a Roma um volume extraordinário de ouro e prata, comemorado em uma coluna monumental que narra a guerra em relevos contínuos.
- Guerra e conquista
- Dácia, região dos Cárpatos
- Século II d.C.
Anexação do reino nabateu
O reino que controlava as rotas de caravanas entre a Arábia e o Mediterrâneo foi incorporado como província, garantindo a Roma o domínio direto do comércio de incenso e especiarias.
- Economia e abastecimento
- Petra e território nabateu
- Século II d.C.
Campanha parta e máxima extensão territorial do império
Trajano invadiu o império parta, alcançou o Golfo Pérsico e levou as fronteiras romanas ao ponto mais distante de sua história, conquistas abandonadas logo após sua morte.
- Guerra e conquista
- Armênia, Mesopotâmia e Golfo Pérsico
- Século II d.C.