Contexto histórico
As províncias criadas na Mesopotâmia eram extensas demais e revoltas eclodiram na retaguarda ainda durante a campanha. Trajano morreu no caminho de volta, e seu sucessor Adriano tomou a decisão estratégica de recuar para linhas defensáveis, abandonando as conquistas orientais recentes. Essa mudança marca o fim da política de expansão contínua e o início de uma doutrina baseada em fronteiras estabelecidas e defendidas.
Como se desenrolou
O pretexto surgiu na Armênia, onde o rei parta Osroes nomeou um sobrinho, Partamasires, sem consultar Roma, violando um acordo antigo segundo o qual o trono armênio dependia de investidura romana. Trajano partiu para o Oriente em 113, reuniu tropas em Antioquia e avançou em 114 pela Armênia. Partamasires apresentou-se diante dele em Elegeia, e Dião Cássio conta que o imperador o recebeu em público e o dispensou sem confirmá-lo; o príncipe foi morto logo depois, em circunstâncias discutidas. A Armênia foi transformada em província. No ano seguinte, Trajano desceu pela Mesopotâmia, tomou Nísibis e Singara e submeteu o reino de Edessa, a que pertencia Abgar.
Em dezembro de 115, um terremoto devastou Antioquia, onde o imperador estava, e quase o matou. Na campanha de 116, Trajano cruzou o Tigre por barcos transportados por terra, ocupou a Adiabene e chegou a Ctesifonte, capital parta, de onde levou o trono de ouro e uma filha de Osroes como cativa. Desceu então pelo rio até o Golfo Pérsico, onde, segundo Dião, viu um navio partir para a Índia e teria lamentado ser velho demais para imitar Alexandre. O Senado concedeu o título Partico e votou um triunfo. Moedas da época proclamam que Armênia e Mesopotâmia foram reduzidas ao poder do povo romano.
A situação se deteriorou rapidamente. Cidades mesopotâmicas se revoltaram, a guarnição foi atacada, e o general mouro Lúcio Quieto precisou reconquistar localidades. Na mesma época eclodiu uma insurreição de comunidades judaicas em Cirene, Egito, Chipre e Mesopotâmia, a chamada Guerra de Kitos, que exigiu dura repressão. O cerco de Hatra, no verão de 117, fracassou. Doente, Trajano seguiu para a costa e morreu em agosto em Selinunte, na Cilícia. Adriano, governador da Síria, foi aclamado pelas tropas; segundo a tradição, a adoção póstuma teria sido apresentada por Plotina. Adriano devolveu a Mesopotâmia, restaurou um rei na Armênia e fez um acordo com os partos.
O que levou a isso
- Disputa prolongada com o império parta pelo controle da Armênia
- Ambição de emular as conquistas orientais de Alexandre
- Interesse em controlar rotas comerciais da Mesopotâmia
O que veio depois
- Extensão territorial máxima do império, alcançada por breve período
- Abandono imediato das províncias orientais por Adriano
- Adoção de uma estratégia defensiva de fronteiras fixas
Importância histórica
Ponto de inflexão entre a Roma expansionista e a Roma que passa a administrar e defender o que já conquistou.
O que dizem as fontes
O relato mais completo de Dião Cássio sobre a campanha sobrevive apenas em epítomes bizantinos, com lacunas e cronologia incerta, o que levou os especialistas a reconstruir o conflito com apoio de moedas, inscrições e papiros. Os objetivos de Trajano são debatidos: conquista permanente, demonstração de força, controle de rotas ou busca de glória pessoal. Autores como Fergus Millar e Julian Bennett divergem no peso dessas hipóteses. A ideia de que Adriano abandonou conquistas viáveis é discutida, pois a Mesopotâmia parece ter estado em revolta aberta. A extensão máxima, cerca de cinco milhões de quilômetros quadrados em estimativas modernas, é cálculo aproximado.
Figuras envolvidas
Fontes consultadas
- Dião Cássio, História Romana, livro LXVIII Fonte antiga
- The Cambridge Ancient History, vol. XI Cambridge University Press
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