Contexto histórico
A Dácia era um reino organizado, com fortalezas de pedra nas montanhas e recursos minerais abundantes. Após a segunda campanha e o suicídio de seu rei, o território tornou-se província. O espólio financiou obras públicas em Roma, entre elas o fórum e os mercados de Trajano. A Coluna de Trajano, com sua faixa esculpida em espiral, é simultaneamente monumento comemorativo e fonte iconográfica de primeira importância sobre o exército romano em campanha.
Como se desenrolou
A primeira guerra começou na primavera de 101. Trajano reuniu em torno de uma dezena de legiões e auxiliares ao longo do Danúbio, atravessou o rio por pontes de barcos e avançou para o interior montanhoso. Em Tapae, a batalha foi sangrenta, segundo Dião Cássio, que fala em muitos feridos romanos, para os quais o imperador teria rasgado as próprias vestes a fim de produzir bandagens. Após um inverno de ataques dácios na Mésia Inferior, em Adamclissi, as operações foram retomadas em 102, e Decébalo aceitou negociar. A paz exigiu a entrega de armas e máquinas de guerra, a devolução de desertores, a demolição de fortificações e a aceitação de uma guarnição romana na região.
O tratado foi quebrado por Decébalo, que reconstruiu defesas e atacou vizinhos, e a segunda guerra foi iniciada em 105. Para assegurar o abastecimento e a mobilidade, Trajano encomendou ao arquiteto Apolodoro de Damasco uma ponte de pedra e madeira sobre o Danúbio, perto de Drobeta, com cerca de um quilômetro, descrita por Dião Cássio como obra extraordinária. Em 106, os romanos tomaram a capital, Sarmizegetusa Régia, sitiada e destruída, e perseguiram o rei, que se suicidou para não ser capturado. Sua cabeça foi levada a Roma. Um tesouro, escondido no leito de um rio desviado, foi descoberto por traição de um dos companheiros do rei, segundo Dião.
A província da Dácia foi constituída com legião própria, a XIII Gêmina, e colonos trazidos de várias regiões, segundo uma passagem do escritor Eutrópio. A nova capital, Colônia Úlpia Trajana Sarmizegetusa, foi fundada a cerca de quarenta quilômetros do sítio original. Para celebrar a vitória, Trajano organizou jogos que duraram 123 dias, nos quais, segundo Dião, morreram cerca de onze mil animais e lutaram dez mil gladiadores. A Coluna de Trajano, inaugurada em 113 no fórum que o arquiteto Apolodoro ajudou a projetar, narra as duas campanhas em uma faixa em espiral com cerca de 2.500 figuras. O butim financiou também os mercados e a biblioteca do conjunto.
O que levou a isso
- Ameaça representada pelo reino dácio às províncias do Danúbio
- Interesse nas minas de ouro dos Cárpatos
- Acordo anterior considerado humilhante pela opinião pública romana
O que veio depois
- Criação da província da Dácia, a última grande anexação romana na Europa
- Entrada maciça de metais preciosos no tesouro imperial
- Financiamento de um extenso programa de obras públicas em Roma
Importância histórica
Última grande conquista territorial europeia de Roma e origem de um dos documentos visuais mais completos sobre a guerra antiga.
O que dizem as fontes
A história narrativa das guerras dácicas está mal conservada: os Comentários do próprio Trajano se perderam, e Dião Cássio sobrevive em resumo. Isso faz da Coluna a fonte principal sobre a sequência das operações, mas seu relevo é propaganda imperial e seleciona episódios, de modo que não se pode ler como reportagem. Fontes tardias, como João Lido, citam cifras enormes de ouro e prata, que devem ser tratadas com cautela. A arqueologia das fortalezas das montanhas de Orăștie confirma a sofisticação dos dácios. Os pesquisadores discutem a localização de batalhas, a ordem de campanhas e a escala real da exploração mineral posterior.
Figuras envolvidas
- Trajano — o imperador da maior extensão territorial
- Decébalo
Fontes consultadas
- Dião Cássio, História Romana, livro LXVIII Fonte antiga
- Fortalezas dácias das montanhas de Orastie, bem do Patrimônio Mundial UNESCO
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