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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Reforma do calendário

Com apoio de astrônomos alexandrinos, César substituiu o calendário lunar desajustado por um sistema solar de 365 dias com um dia adicional a cada quatro anos.

Acontecimento 65 de 144 45 % do percurso

Contexto histórico

O calendário anterior dependia de intercalações decididas por sacerdotes, frequentemente manipuladas por razões políticas, e havia acumulado uma defasagem de meses em relação às estações. Para corrigir, o ano de 46 a.C. teve mais de quatrocentos dias. O novo sistema tinha erro de apenas onze minutos por ano, o que exigiria ajuste apenas no século XVI. Trata-se de uma das reformas romanas de maior alcance prático, ainda perceptível na organização do tempo em boa parte do mundo.

Como se desenrolou

O calendário republicano tinha 355 dias, em doze meses, e a diferença para o ano solar era compensada pela inserção ocasional de um mês intercalar, chamado Mercedônio, de 22 ou 23 dias, depois de 23 de fevereiro. A decisão cabia aos pontífices, que podiam adiar ou antecipar a intercalação para prolongar mandatos de magistrados ou apressar o vencimento de dívidas e contratos. Nos anos de guerra civil, pouco se intercalou, e as cartas de Cícero registram datas que já não correspondiam às estações. Em 46 a.C., o desajuste era de cerca de dois meses, e festas ligadas à colheita caíam em plena época fora do lugar.

César, que como pontífice máximo tinha autoridade sobre o assunto, chamou o astrônomo Sosígenes de Alexandria, citado por Plínio, o Velho. Para realinhar o calendário com o Sol, o ano de 46 a.C. recebeu, além do mês intercalar de 23 dias, dois meses de 33 e 34 dias, inseridos entre novembro e dezembro. Macróbio fala em 445 dias no total, ou quinze meses, daí o nome ano da confusão. Em 1º de janeiro de 45 a.C. começou o novo sistema: doze meses de 29, 30 ou 31 dias, num total de 365, e um dia a mais a cada quatro anos, inserido depois de 23 de fevereiro, repetindo-se o sexto dia antes das calendas de março, de onde vem o termo bissexto.

Houve falhas de aplicação. Segundo Macróbio, Suetônio e Solino, os sacerdotes contaram o ano bissexto de três em três anos, em vez de quatro, e Augusto corrigiu o erro suspendendo os bissextos por alguns anos, até a ordem ser restabelecida por volta do início do século I d.C. Em 44 a.C., depois da morte de César, o mês Quintilis foi rebatizado Júlio em sua honra, e Sextilis ganharia o nome de Augusto mais tarde. O ano juliano, de 365,25 dias, é ligeiramente mais longo que o ano tropical; o acúmulo de diferença chegou a cerca de dez dias no século XVI, quando a reforma gregoriana de 1582 o corrigiu.

O que levou a isso

  • Defasagem acumulada entre o calendário civil e as estações do ano
  • Manipulação política das intercalações pelos sacerdotes
  • Acesso ao conhecimento astronômico desenvolvido em Alexandria

O que veio depois

  • Adoção de um ano solar de 365 dias com ajuste quadrienal
  • Estabilização das datas de festas religiosas e do calendário agrícola
  • Base do sistema de contagem do tempo usado até hoje, com ajuste posterior no século XVI

Importância histórica

Reforma técnica de efeito civilizacional duradouro, um dos legados romanos mais presentes no cotidiano contemporâneo.

O que dizem as fontes

Os relatos principais, de Suetônio, Plutarco e Plínio, o Velho, são complementados por autores tardios, Censorino e Macróbio, dos séculos III e V, de quem vêm detalhes como os 445 dias do ano da confusão; por isso convém tratar esses números com cautela. A epigrafia ajuda: os Fasti Antiates Maiores, um calendário pintado de tempos anteriores à reforma, mostram a estrutura republicana, e fastos gravados depois dela documentam o novo sistema. Discute-se o papel real de Sosígenes, que Plínio menciona, mas de quem pouco se sabe, e quão grande era de fato o desajuste de 46 a.C. A explicação de que a manipulação política era generalizada vem sobretudo de autores posteriores.

Figuras envolvidas

  • Júlio César — o general que encerrou a República
  • Sosígenes de Alexandria

Fontes consultadas

  1. Suetônio, Vida dos Doze Césares: Júlio Fonte antiga
  2. Plínio, o Velho, História Natural, livro XVIII Fonte antiga

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