Contexto histórico
Pompeu dispunha de mais tropas e melhor cavalaria, mas enfrentava pressão política dos senadores para forçar uma batalha decisiva. César posicionou uma reserva oculta de infantaria contra a cavalaria inimiga e desbaratou seu flanco. A derrota dispersou a causa senatorial, embora a guerra continuasse por mais três anos na África e na Hispânia. No Egito, a corte mandou matar Pompeu para agradar ao vencedor, atitude que, segundo as fontes, desagradou profundamente a César.
Como se desenrolou
Depois de desembarcar no Épiro no início de 48 a.C., César tentou cercar Pompeu perto de Dirráquio, no litoral da atual Albânia. Pompeu, abastecido pelo mar, rompeu a linha e infligiu a César o revés mais sério da guerra até ali. César recuou para o interior, rumo à Tessália, e Pompeu o seguiu, enquanto Cipião vinha da Síria com legiões. No acampamento pompeano, segundo César, os senadores já disputavam os cargos e bens que esperavam receber após a vitória e pressionavam o comandante a lutar. Pompeu, que preferia desgastar o adversário pela falta de suprimentos, acabou cedendo e aceitou combater em campo aberto.
Os exércitos se posicionaram em 9 de agosto, pelo calendário então em vigor, nas proximidades de Farsália, junto ao rio Enipeu. Segundo César, ele tinha cerca de 22 mil infantes e mil cavaleiros, contra 45 mil infantes e 7 mil cavaleiros de Pompeu; os números são os que ele mesmo dá e não podem ser conferidos. Pompeu concentrou a cavalaria à esquerda, contando varrer o flanco direito de César. Este retirou seis coortes das três linhas habituais e as dispôs numa quarta linha, oblíqua, atrás da cavalaria, com ordem de usar os pilos como lanças e mirar o rosto dos cavaleiros, o que, segundo o relato, os fez recuar.
A cavalaria de Pompeu, desorganizada, recuou, e a quarta linha avançou sobre a esquerda inimiga, que cedeu. César afirma que cerca de 15 mil inimigos morreram e 24 mil se renderam, contra cerca de 200 soldados seus e 30 centuriões. Pompeu fugiu, passou por Lesbos, onde recolheu a esposa Cornélia, e buscou refúgio no Egito, onde reinava o jovem Ptolomeu XIII, cuja família lhe devia favores. Em Pelúsio, em fins de setembro, foi atraído a um bote, apunhalado por Septímio e Aquilas e decapitado. Quando César chegou a Alexandria, pouco depois, ofereceram-lhe a cabeça e o anel de Pompeu; Plutarco diz que ele chorou.
O que levou a isso
- Pressão senatorial sobre Pompeu para forçar uma decisão rápida
- Superioridade de César em experiência de combate e coesão das legiões
- Vulnerabilidade tática da cavalaria pompeana ao contra-ataque planejado
O que veio depois
- Colapso da resistência senatorial organizada na Grécia
- Assassinato de Pompeu no Egito e intervenção de César na disputa dinástica local
- Continuidade da guerra na África e na Hispânia até 45 a.C.
Importância histórica
Decide a guerra civil em favor de César e encerra a possibilidade de restauração do governo senatorial pela via militar.
O que dizem as fontes
As bases são os Comentários da Guerra Civil, de César, a vida de Pompeu por Plutarco e o livro II das Guerras Civis, de Apiano. Plutarco recorre a Asínio Polião, que combateu ao lado de César. Todos os números de efetivos e baixas precisam de cautela, e os historiadores modernos tendem a achar que a vantagem numérica de Pompeu foi exagerada para engrandecer a vitória. A localização exata do campo de batalha, na margem norte ou sul do Enipeu, é debatida, assim como a necessidade real da quarta linha. O poema Farsália, de Lucano, composto no século I d.C., é obra literária, não relato histórico. O que se sabe vem, em grande parte, do próprio vencedor.
Figuras envolvidas
- Júlio César — o general que encerrou a República
- Pompeu, o Grande — o comandante dos poderes extraordinários
- Pompeu
Fontes consultadas
- Júlio César, Comentários sobre a Guerra Civil Fonte antiga
- Plutarco, Vidas Paralelas: Pompeu Fonte antiga
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