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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Batalha de Farsália e a morte de Pompeu

Em inferioridade numérica, César derrotou o exército senatorial comandado por Pompeu, que fugiu para o Egito e foi assassinado ao desembarcar.

  • Guerra e conquista
  • República
  • Tessália, Grécia, e Egito
  • Século I a.C.
Acontecimento 64 de 144 44 % do percurso

Contexto histórico

Pompeu dispunha de mais tropas e melhor cavalaria, mas enfrentava pressão política dos senadores para forçar uma batalha decisiva. César posicionou uma reserva oculta de infantaria contra a cavalaria inimiga e desbaratou seu flanco. A derrota dispersou a causa senatorial, embora a guerra continuasse por mais três anos na África e na Hispânia. No Egito, a corte mandou matar Pompeu para agradar ao vencedor, atitude que, segundo as fontes, desagradou profundamente a César.

Como se desenrolou

Depois de desembarcar no Épiro no início de 48 a.C., César tentou cercar Pompeu perto de Dirráquio, no litoral da atual Albânia. Pompeu, abastecido pelo mar, rompeu a linha e infligiu a César o revés mais sério da guerra até ali. César recuou para o interior, rumo à Tessália, e Pompeu o seguiu, enquanto Cipião vinha da Síria com legiões. No acampamento pompeano, segundo César, os senadores já disputavam os cargos e bens que esperavam receber após a vitória e pressionavam o comandante a lutar. Pompeu, que preferia desgastar o adversário pela falta de suprimentos, acabou cedendo e aceitou combater em campo aberto.

Os exércitos se posicionaram em 9 de agosto, pelo calendário então em vigor, nas proximidades de Farsália, junto ao rio Enipeu. Segundo César, ele tinha cerca de 22 mil infantes e mil cavaleiros, contra 45 mil infantes e 7 mil cavaleiros de Pompeu; os números são os que ele mesmo dá e não podem ser conferidos. Pompeu concentrou a cavalaria à esquerda, contando varrer o flanco direito de César. Este retirou seis coortes das três linhas habituais e as dispôs numa quarta linha, oblíqua, atrás da cavalaria, com ordem de usar os pilos como lanças e mirar o rosto dos cavaleiros, o que, segundo o relato, os fez recuar.

A cavalaria de Pompeu, desorganizada, recuou, e a quarta linha avançou sobre a esquerda inimiga, que cedeu. César afirma que cerca de 15 mil inimigos morreram e 24 mil se renderam, contra cerca de 200 soldados seus e 30 centuriões. Pompeu fugiu, passou por Lesbos, onde recolheu a esposa Cornélia, e buscou refúgio no Egito, onde reinava o jovem Ptolomeu XIII, cuja família lhe devia favores. Em Pelúsio, em fins de setembro, foi atraído a um bote, apunhalado por Septímio e Aquilas e decapitado. Quando César chegou a Alexandria, pouco depois, ofereceram-lhe a cabeça e o anel de Pompeu; Plutarco diz que ele chorou.

O que levou a isso

  • Pressão senatorial sobre Pompeu para forçar uma decisão rápida
  • Superioridade de César em experiência de combate e coesão das legiões
  • Vulnerabilidade tática da cavalaria pompeana ao contra-ataque planejado

O que veio depois

  • Colapso da resistência senatorial organizada na Grécia
  • Assassinato de Pompeu no Egito e intervenção de César na disputa dinástica local
  • Continuidade da guerra na África e na Hispânia até 45 a.C.

Importância histórica

Decide a guerra civil em favor de César e encerra a possibilidade de restauração do governo senatorial pela via militar.

O que dizem as fontes

As bases são os Comentários da Guerra Civil, de César, a vida de Pompeu por Plutarco e o livro II das Guerras Civis, de Apiano. Plutarco recorre a Asínio Polião, que combateu ao lado de César. Todos os números de efetivos e baixas precisam de cautela, e os historiadores modernos tendem a achar que a vantagem numérica de Pompeu foi exagerada para engrandecer a vitória. A localização exata do campo de batalha, na margem norte ou sul do Enipeu, é debatida, assim como a necessidade real da quarta linha. O poema Farsália, de Lucano, composto no século I d.C., é obra literária, não relato histórico. O que se sabe vem, em grande parte, do próprio vencedor.

Figuras envolvidas

Fontes consultadas

  1. Júlio César, Comentários sobre a Guerra Civil Fonte antiga
  2. Plutarco, Vidas Paralelas: Pompeu Fonte antiga

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