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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Assassinato de Júlio César

Um grupo de senadores matou César a punhaladas durante uma sessão, na expectativa de restaurar a República. O resultado foi o oposto: treze anos de guerra civil e o fim definitivo do regime.

  • Política e governo
  • República
  • Cúria de Pompeu, Roma
  • Século I a.C.
Acontecimento 66 de 144 46 % do percurso

Contexto histórico

Os conspiradores, muitos deles perdoados por César após a guerra civil, acreditavam que a eliminação do ditador bastaria para reativar as instituições. Não tinham plano de governo nem apoio popular organizado. O funeral, conduzido por Marco Antônio, inflamou a população contra os assassinos, que deixaram a cidade. A herança política e o nome de César passaram por testamento a seu sobrinho-neto Otaviano, então com dezoito anos, o que introduziu um novo e decisivo ator na disputa.

Como se desenrolou

César planejava partir em 18 de março de 44 a.C. para a campanha contra os partas, o que dava urgência à conspiração. Suetônio fala em mais de sessenta envolvidos, entre eles Marco Bruto, Caio Cássio, Décimo Bruto e Caio Trebônio. Escolheram a reunião do Senado dos idos de março, em 15 de março, na cúria anexa ao teatro de Pompeu, porque a Cúria Hostília estava em obras. Havia por perto gladiadores de Décimo Bruto, e Trebônio reteve Antônio do lado de fora, em conversa. Calpúrnia, esposa de César, teria tido pesadelos, e César, segundo as fontes, hesitou em ir, mas foi convencido por Décimo Bruto.

Tílio Címber, aproximando-se com um pedido, puxou a toga de César dos ombros, sinal combinado. Casca desferiu o primeiro golpe, que atingiu o pescoço de raspão, e César reagiu com o estilete. Segundo Suetônio, foi atingido por 23 golpes, e o médico Antístio, que o examinou depois, concluiu que só um, o segundo no peito, era mortal. No tumulto, alguns conspiradores feriram-se entre si. César caiu aos pés da estátua de Pompeu, de acordo com Plutarco. Os senadores fugiram, e Bruto tentou discursar sem que ninguém ficasse para ouvi-lo. O corpo permaneceu algum tempo no chão, até que três escravos o levaram numa liteira.

Nos dias seguintes, buscou-se um compromisso. Em 17 de março, no templo de Telo, Antônio, cônsul, propôs anistia aos assassinos e a manutenção dos atos de César, enquanto Lépido, com tropas, controlava a cidade. No funeral público, o testamento foi lido: legava seus jardins ao povo e uma quantia por cidadão, que Suetônio dá em trezentos sestércios, e adotava Caio Otávio como herdeiro de três quartos de seus bens. O corpo foi cremado no Fórum, e a multidão atacou as casas dos conspiradores. Bruto e Cássio deixaram Roma nos meses seguintes. A atitude de Antônio diante do povo sela a ruptura com a anistia.

O que levou a isso

  • Concentração permanente de poder na figura de um único homem
  • Temor senatorial de restauração monárquica
  • Frustração de aristocratas com a perda de influência política

O que veio depois

  • Nova guerra civil entre cesaristas e conspiradores
  • Entrada de Otaviano na política como herdeiro nomeado em testamento
  • Divinização oficial de César e uso de sua memória como fonte de legitimidade

Importância histórica

Um dos episódios mais consequentes da história antiga: em vez de salvar a República, acelerou sua substituição por um regime de poder pessoal.

O que dizem as fontes

Os relatos de Suetônio, Plutarco, Apiano e Dião Cássio concordam no essencial e divergem em detalhes: número de golpes, onde César caiu, o que disse. O testemunho mais próximo dos fatos é o de Nicolau de Damasco, na biografia de Augusto, além de Cícero, em cartas e discursos. A célebre frase em latim dirigida a Bruto não consta das fontes antigas; Suetônio registra apenas que alguns diziam ter César falado em grego algo como tu também, filho, e que outros diziam que morreu em silêncio. A numismática testemunha a propaganda dos assassinos: um denário de Bruto traz a legenda EID MAR, sob um barrete da liberdade e dois punhais. Os motivos reais dos conspiradores, misturando ideal e ressentimento, continuam discutidos.

Figuras envolvidas

  • Júlio César — o general que encerrou a República
  • Marco Antônio — o triúnviro do Oriente
  • Marco Júnio Bruto
  • Caio Cássio Longino

Fontes consultadas

  1. Suetônio, Vida dos Doze Césares: Júlio Fonte antiga
  2. Apiano, Guerras Civis, livro II Fonte antiga
  3. Plutarco, Vidas Paralelas: Bruto Fonte antiga

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