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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Travessia do Rubicão e início da guerra civil

Ao conduzir uma legião para dentro da Itália, onde nenhum comandante podia entrar sob armas, César rompeu formalmente com o Senado e deu início à guerra civil.

  • Política e governo
  • República
  • Rio Rubicão, fronteira norte da Itália
  • Século I a.C.
Acontecimento 63 de 144 44 % do percurso

Sobre a data: A localização exata do rio permanece discutida. A frase atribuída a César ao cruzá-lo é registrada em versões diferentes pelas fontes antigas.

Contexto histórico

Depois da morte de Crasso e do rompimento com Pompeu, César tentou negociar a manutenção de seu comando até obter novo consulado, o que o protegeria de processos judiciais. O Senado exigiu que dispensasse o exército. A alternativa era o julgamento e o fim da carreira política. A travessia do rio que separava sua província da Itália era um ato ilegal e irreversível. Pompeu e boa parte do Senado abandonaram Roma e transferiram a resistência para a Grécia.

Como se desenrolou

No fim de 50 a.C., as negociações haviam fracassado. César propôs manter apenas a Gália Cisalpina e o Ilírico, com uma ou duas legiões, até o consulado, ou então que ele e Pompeu depusessem as armas juntos. A facção de Catão, de Domício Aenobarbo e do cônsul Lêntulo Crus recusou. Em 7 de janeiro de 49 a.C., o Senado aprovou o senatus consultum ultimum, que mandava os magistrados zelarem para que a República não sofresse dano. Os tribunos Marco Antônio e Quinto Cássio, que haviam vetado medidas contra César, deixaram Roma às pressas e foram encontrá-lo em Ravena. César apresentou o tratamento dado aos tribunos aos soldados como ultraje que justificava a resposta armada.

Segundo Suetônio e Plutarco, César esperou a noite, seguiu com poucos companheiros e só depois reuniu a XIII legião, de cerca de cinco mil homens, com a qual avançou. Chegando ao rio, hesitou. Suetônio narra a aparição de um homem de grande porte que tocava flauta e atravessou o rio, e só então César avançou. Plutarco diz que ele falou em grego, citando um verso do comediógrafo Menandro, sobre o dado ter sido lançado; a fórmula latina alea iacta est vem de Suetônio. A travessia era, juridicamente, o abandono da condição de magistrado em província, pois o poder militar de um governador terminava na fronteira da Itália.

Seguiu-se uma campanha-relâmpago. César ocupou Arímino e, depois, cidades do Piceno, muitas delas abrindo as portas de bom grado. Em Corfínio, Domício Aenobarbo, que Pompeu não socorrera, rendeu-se com suas coortes; César o liberou e aos oficiais, gesto de clemência que explorou como propaganda. Pompeu e os cônsules já haviam deixado Roma e se concentrado em Brundísio, de onde Pompeu embarcou para o Épiro em março, antes que César fechasse o cerco. Sem navios para persegui-lo, César voltou-se para Roma, onde tomou o tesouro público, apesar da resistência do tribuno Metelo, e em seguida seguiu para a Hispânia contra os legados pompeanos.

O que levou a isso

  • Fim do pacto triunviral após a morte de Crasso
  • Exigência senatorial de que César dispensasse suas legiões
  • Risco de processo judicial e ruína política caso perdesse a imunidade

O que veio depois

  • Início de uma guerra civil travada em três continentes
  • Abandono de Roma por Pompeu e por grande parte do Senado
  • Ocupação da Itália por César em poucas semanas, praticamente sem resistência

Importância histórica

Ato inaugural da guerra que encerraria de fato o regime republicano e abriria caminho ao poder pessoal permanente.

O que dizem as fontes

Os Comentários da Guerra Civil, escritos por César, não mencionam o Rubicão, e a cena famosa vem de autores posteriores: Suetônio, Plutarco e Apiano. Plutarco invoca como fonte Asínio Polião, que serviu no exército de César e pode ter sido testemunha, mas isso não elimina o tom lendário da narrativa. A identificação moderna do rio, hoje chamado Rubicone, é convencional, e o curso antigo mudou. Os historiadores divergem sobre se César buscava a guerra ou foi empurrado por adversários que queriam sua ruína, e as duas versões servem a interesses: a dele, de defender a própria dignidade, e a dos pompeanos, de pintá-lo como usurpador. O texto de César é, ele próprio, uma peça de defesa.

Figuras envolvidas

Fontes consultadas

  1. Plutarco, Vidas Paralelas: César Fonte antiga
  2. Suetônio, Vida dos Doze Césares: Júlio Fonte antiga

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