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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Travessia dos Alpes por Aníbal

Aníbal conduziu um exército com elefantes por passagens alpinas no fim do outono e chegou à Itália, invertendo completamente a estratégia romana para a guerra.

  • Guerra e conquista
  • República
  • Alpes ocidentais e vale do Pó
  • Século III a.C.
Acontecimento 32 de 144 22 % do percurso

Sobre a data: O itinerário exato da travessia continua debatido, com diferentes passos alpinos propostos por historiadores e geógrafos. O evento em si é bem atestado.

Contexto histórico

Roma planejava lutar na Hispânia e na África, e foi surpreendida por um inimigo no próprio território. A travessia custou a Aníbal metade de suas forças, mas lhe deu iniciativa estratégica e o apoio de povos gauleses do vale do Pó, hostis a Roma. Ainda em 218 a.C., ele venceu no Ticino e no Trébia, estabelecendo o padrão dos anos seguintes: superioridade tática cartaginesa em campo aberto contra uma potência que se recusava a capitular.

Como se desenrolou

Aníbal partiu de Nova Cartago no início do verão de 218 a.C. com, segundo Políbio, noventa mil soldados de infantaria, doze mil de cavalaria e trinta e sete elefantes, números que talvez refiram o total reunido até o Ebro. Deixou o irmão Asdrúbal na Hispânia, atravessou os Pireneus, venceu resistências locais e chegou ao Ródano. Ali, os gauleses voltaram a se opor à passagem, e Aníbal organizou a travessia do rio por balsas, inclusive dos elefantes, enquanto um destacamento contornou o inimigo. O cônsul Públio Cornélio Cipião, que estava em Massília, chegou tarde demais.

A subida pelos Alpes começou provavelmente em setembro, e Políbio informa que a neve já se acumulava nas passagens altas. As tribos locais atacavam os flancos da coluna estreita, e a descida, em chão gelado e escorregadio, revelou-se tão difícil quanto a subida, com um trecho de trilha desmoronado que obrigou à abertura de caminho em rocha. Lívio acrescenta o episódio do vinagre usado para romper a pedra, que Políbio não menciona, e que costuma ser visto como invenção literária. A travessia levou cerca de quinze dias, segundo Políbio, contando a subida, a travessia do topo e a descida.

Aníbal desceu à planície do Pó com, segundo o mesmo autor, cerca de vinte mil soldados de infantaria e seis mil de cavalaria. Os homens estavam exaustos, esquálidos e mal vestidos, e os animais, em péssimo estado, de modo que o repouso foi indispensável. Ele concedeu descanso e atacou a cidade de Turim, hostil aos insúbrios. Em seguida, no Ticino, a cavalaria cartaginesa venceu a de Cipião, ferido em combate. Pouco depois, o cônsul Tibério Semprônio Longo, trazido às pressas da Sicília, foi atraído a combater no Trébia, em um dia frio de dezembro, e perdeu a maior parte de seu exército.

O que levou a isso

  • Domínio romano do mar, que inviabilizava um desembarque direto
  • Busca de apoio entre os povos gauleses recém-submetidos por Roma
  • Objetivo de romper a rede de aliados itálicos atacando a Itália por dentro

O que veio depois

  • Vitórias cartaginesas no Ticino e no Trébia ainda no mesmo ano
  • Adesão de comunidades gaulesas do norte à causa cartaginesa
  • Abandono do plano romano original de guerra ofensiva na África

Importância histórica

Uma das operações militares mais audaciosas da Antiguidade, que colocou Roma na defensiva em seu próprio território por mais de uma década.

O que dizem as fontes

Políbio afirma ter entrevistado testemunhas e visitado os Alpes, e menciona uma inscrição de Aníbal no cabo Lacínio com os efetivos do exército, o que dá peso aos seus números. Ainda assim, a localização do passo é incerta: Mont Cenis, Petit Saint-Bernard, Col de Clapier e Col de la Traversette já foram propostos. Um estudo geoquímico de 2016 sobre depósitos de esterco no Traversette gerou interesse, mas não conquistou consenso. Os efetivos que partiram da Hispânia e os que chegaram à Itália variam entre as fontes, e muitos detalhes de Lívio têm sabor dramático, de modo que a tese geral é segura e os pormenores, não.

Figuras envolvidas

  • Aníbal Barca — o comandante cartaginês que invadiu a Itália

Fontes consultadas

  1. Políbio, Histórias, livro III Fonte antiga
  2. Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro XXI Fonte antiga

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