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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Cerco de Sagunto e início da Segunda Guerra Púnica

A tomada de uma cidade ibérica aliada de Roma por Aníbal levou o Senado a declarar guerra a Cartago pela segunda vez.

  • Guerra e conquista
  • República
  • Sagunto, costa oriental da Península Ibérica
  • Século III a.C.
Acontecimento 31 de 144 22 % do percurso

Contexto histórico

Após perder a Sicília e as ilhas do Tirreno, Cartago havia construído um domínio territorial na Península Ibérica, rico em prata e em recrutas. Um tratado anterior fixava o rio Ebro como limite da expansão cartaginesa ao norte. Sagunto ficava ao sul dessa linha, mas mantinha laços com Roma. O cerco durou meses e terminou com a destruição da cidade. O Senado romano exigiu a entrega de Aníbal, foi recusado e declarou guerra.

Como se desenrolou

Depois da Guerra dos Mercenários, Amílcar Barca partiu para a Península Ibérica por volta de 237 a.C., e a conquista do sul e do litoral oriental rendeu prata, recrutas e uma base de poder pessoal. Após sua morte em combate, seu genro Asdrúbal fundou Nova Cartago, a atual Cartagena. Em 226 ou 225 a.C., Roma e Asdrúbal acordaram que os cartagineses não cruzariam o Ebro com fins bélicos, tratado que Políbio descreve. Sagunto, cidade ao sul do rio, mantinha relações com Roma por razões que as fontes explicam de maneira desencontrada. Em 221 a.C., Aníbal, filho de Amílcar, assumiu o comando com cerca de vinte e seis anos.

Aníbal atacou tribos como os olcades e os vaceus, e depois voltou-se a Sagunto, em 219 a.C., depois de a cidade pedir ajuda a Roma por conflitos com povos vizinhos. O cerco durou, segundo Lívio, oito meses, e Aníbal foi ferido. Roma enviou embaixadores, que Aníbal recusou receber, e eles seguiram a Cartago, onde o governo púnico também evitou condenar o general. Os saguntinos resistiram até o limite: Lívio conta que alguns atearam fogo às suas posses e morreram. A cidade foi saqueada, e Aníbal enviou parte do butim a Cartago para angariar apoio.

Na primavera de 218 a.C., a embaixada romana, chefiada por Quinto Fábio Máximo segundo Lívio, apresentou ao Senado cartaginês a exigência de entregar Aníbal. A resposta cartaginesa invocou argumentos jurídicos sobre os tratados, e Lívio descreve a cena célebre em que Fábio fez uma dobra na toga e ofereceu escolher entre guerra e paz. Os cartagineses aceitaram a guerra. A declaração formal, porém, interessava menos do que a decisão estratégica: Roma planejava enviar um exército à Hispânia e outro à Sicília para invadir a África, sem imaginar que Aníbal já marchava para a Itália.

O que levou a isso

  • Expansão cartaginesa na Península Ibérica após a perda das ilhas
  • Ambiguidade sobre o alcance dos tratados e das alianças romanas
  • Determinação de Aníbal em forçar um novo confronto

O que veio depois

  • Declaração formal de guerra por Roma
  • Início da campanha itálica de Aníbal
  • Transformação da Península Ibérica em teatro permanente de guerra

Importância histórica

Deflagra o conflito que levaria Roma mais perto da derrota total do que qualquer outro em sua história republicana.

O que dizem as fontes

Políbio e Lívio concordam no essencial, mas divergem sobre a responsabilidade: Políbio distingue o pretexto, Sagunto, das causas profundas, e atribui papel central ao ressentimento por Sardenha e à ambição dos Barcas. Há controvérsia sobre o Tratado do Ebro, pois Políbio fala de um limite que não incluía Sagunto, enquanto autores romanos posteriores sustentaram que a cidade estava protegida por uma aliança anterior. A cena da toga é provavelmente embelezamento retórico. A arqueologia mostra a destruição de Sagunto no período, mas a cronologia exata do cerco e a natureza da relação com Roma permanecem objeto de debate.

Figuras envolvidas

  • Aníbal Barca — o comandante cartaginês que invadiu a Itália

Fontes consultadas

  1. Políbio, Histórias, livro III Fonte antiga
  2. Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro XXI Fonte antiga

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