Trajetória
Públio Élio Adriano nasceu em 24 de janeiro de 76 d.C., provavelmente em Roma, em família originária de Itálica, na Hispânia. Órfão de pai ainda jovem, foi tutelado por Trajano, parente próximo, e iniciou carreira com serviços militares nas fronteiras do Danúbio e do Reno. Casou-se com Víbia Sabina, sobrinha-neta de Trajano, e foi questor, tribuno e pretor, tornando-se governador da Síria em 117. Quando Trajano morreu, a adoção de Adriano foi anunciada pela viúva Plotina, e a veracidade do processo foi debatida desde a Antiguidade. Os soldados o aclamaram imperador, e o Senado confirmou.
Logo nos primeiros meses, Adriano abandonou as províncias mais distantes conquistadas por Trajano, a Mesopotâmia e a Armênia, e adotou uma política de fronteiras fixas. Mandou erguer a muralha que leva seu nome na Britânia, a partir de cerca de 122, e fortificações no limes germânico. Entre 121 e 132 viajou longamente pelas províncias, inspecionando legiões, cidades e obras. Reorganizou a administração com cavaleiros em cargos de chancelaria, mandou compilar o Édito Perpétuo, sistematização do direito pretoriano atribuída ao jurista Sálvio Juliano, e reconstruiu o Panteão. Em Tívoli, edificou uma vasta residência. A Grécia, Atenas em especial, recebeu atenção particular.
O fim do governo foi sombrio. A fundação da colônia romana Aelia Capitolina, sobre Jerusalém, e a proibição de práticas ligadas à circuncisão são frequentemente associadas ao estopim da revolta de Bar Kokhba, entre 132 e 135, esmagada com grande severidade. Doente e sem filhos, adotou Lúcio Élio Vero em 136; quando este morreu, em 138, designou Antonino, impondo-lhe que adotasse Marco Aurélio e Lúcio Vero, filho de Élio. Morreu em Baias, em 10 de julho de 138. Relações tensas com o Senado impediram a divinização imediata, concedida só pela insistência de Antonino. Seu mausoléu, em Roma, é hoje o Castelo de Sant'Angelo.
O que importa reter
- Reformulou a estratégia militar romana em bases defensivas
- Reprimiu a revolta de Bar Kokhba com enorme severidade
Legado e julgamento histórico
As fontes antigas, pouco abundantes e marcadas pela Historia Augusta, apresentam Adriano como figura contraditória, brilhante, curiosa e por vezes cruel. A historiografia moderna valoriza sua estratégia de contenção, que deu forma duradoura à defesa do império, e suas viagens, que revelam uma percepção do conjunto provincial. A repressão na Judeia é julgada com severidade. Permaneceram a muralha, o Panteão, a codificação do edito e a imagem de um imperador intelectual, helenófilo, cujo gosto estético influenciou profundamente a arte do século II.
Acontecimentos em que aparece
Campanha parta e máxima extensão territorial do império
Trajano invadiu o império parta, alcançou o Golfo Pérsico e levou as fronteiras romanas ao ponto mais distante de sua história, conquistas abandonadas logo após sua morte.
- Guerra e conquista
- Armênia, Mesopotâmia e Golfo Pérsico
- Século II d.C.
Construção da Muralha de Adriano
Uma barreira contínua de pedra com fortes, torres e fossos foi erguida de costa a costa, materializando a nova doutrina de fronteiras fixas adotada pelo império.
- Engenharia e cidades
- Norte da Britânia
- Século II d.C.
Revolta de Bar Kokhba na Judeia
A segunda grande revolta judaica estabeleceu por alguns anos um governo autônomo, foi esmagada com enorme violência e resultou na exclusão dos judeus de Jerusalém.
- Religião e crenças
- Judeia
- Século II d.C.