Sobre a data: Documentos em papiro encontrados no deserto da Judeia, incluindo cartas administrativas do próprio líder da revolta, confirmam a organização do movimento.
Contexto histórico
Entre as causas apontadas pelas fontes estão a decisão de refundar Jerusalém como colônia romana com um templo dedicado a divindade romana e restrições a práticas religiosas judaicas. A repressão foi conduzida com legiões deslocadas de outras províncias e deixou a região devastada. A província foi renomeada, e o acesso de judeus a Jerusalém passou a ser proibido, marcando o início de um longo período de dispersão.
Como se desenrolou
A revolta eclodiu em 132, sob liderança de Simão bar Kosiba, chamado pelos seguidores de Bar Kokhba, filho da estrela, e, depois, pela tradição rabínica, de Bar Koziba, filho da mentira. Dião Cássio descreve um conflito de guerrilha, com esconderijos subterrâneos e fortalezas, que se expandiu depois de início tímido. Cartas encontradas em cavernas do deserto da Judeia, escritas em hebraico, aramaico e grego, mostram um chefe que se intitula Simão, príncipe de Israel, e dá ordens sobre arrendamento de terras, cumprimento do sábado e disciplina. Moedas cunhadas pelos rebeldes reutilizavam denários romanos, estampados com expressões como Ano Um da Redenção de Israel, e traziam imagens do Templo.
A resposta romana foi lenta e custosa. O governador Tineu Rufo, da Judeia, não conseguiu dominar o levante, e foram enviados reforços das províncias vizinhas. Adriano mandou vir da Britânia o governador Sexto Júlio Severo, que adotou uma tática de desgaste: cercou redutos um a um, cortou suprimentos e evitou o confronto aberto. Dião Cássio afirma que foram destruídas cinquenta fortalezas e 985 aldeias e que morreram 580 mil homens em combate, sem contar os vitimados pela fome e doença, e que muitos soldados romanos morreram, razão pela qual Adriano omitiu a fórmula costumeira de saudação ao Senado em sua carta.
O fim veio em 135 com a queda de Betar, fortaleza a sudoeste de Jerusalém, onde Bar Kokhba morreu. A tradição rabínica conta massacres e proibições de ensinar a Torá, e os sábios mencionam perseguições de mestres. Jerusalém foi refundada como Élia Capitolina, colônia romana, e a província da Judeia foi renomeada Síria Palestina, possivelmente depois da guerra. Muitos sobreviventes foram vendidos como escravos, e a vida judaica deslocou-se para a Galileia, onde se concentraria a produção rabínica. Em Nahal Hever e Wadi Murabba'at, nos anos 1950 e 1960, foram achados arquivos de refugiados, entre eles os de Babata, que se abrigavam em cavernas.
O que levou a isso
- Refundação de Jerusalém como colônia romana
- Restrições impostas a práticas religiosas judaicas
- Memória e consequências não resolvidas da guerra de 66–74
O que veio depois
- Devastação demográfica e econômica da Judeia
- Proibição do acesso de judeus a Jerusalém
- Renomeação administrativa da província pelas autoridades romanas
Importância histórica
Última grande revolta judaica na Antiguidade, com consequências profundas para a geografia religiosa do Mediterrâneo oriental.
O que dizem as fontes
Sabemos pouco do lado romano: Dião Cássio é conhecido por resumos tardios, e a Historia Augusta e Eusébio acrescentam pontos controversos. A reconstrução depende muito de achados arqueológicos e documentais, como as cartas e as moedas, que são de uso raro nessa época. Debate-se a causa: a refundação de Jerusalém foi origem do levante, como diz Dião, ou consequência, como sugere Eusébio? A Historia Augusta fala de uma proibição da circuncisão, ponto também discutido. Os números de Dião são vistos como altos. Também há divergência sobre o caráter messiânico atribuído ao líder, pois a tradição rabínica posterior reinterpretou o episódio.
Figuras envolvidas
- Adriano — o organizador das fronteiras
- Simão Bar Kokhba
Fontes consultadas
- Dião Cássio, História Romana, livro LXIX Fonte antiga
- Documentos do deserto da Judeia Israel Antiquities Authority
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