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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Cônsul em 63 a.C.

Cícero

o orador da República tardia. Advogado, orador e filósofo, denunciou a conjuração de Catilina e defendeu a ordem republicana até o fim. Foi executado durante as proscrições de 43 a.C. Sua obra é uma das principais fontes sobre o período.

Trajetória

Marco Túlio Cícero nasceu em 106 a.C., em Arpino, cidade do Lácio meridional, em uma família equestre rica, sem ancestrais no Senado. Era, portanto, um homo novus, que precisava vencer sozinho as barreiras da nobreza. Estudou em Roma com mestres de oratória e de direito, entre eles o jurista Quinto Múcio Escévola, e frequentou escolas filosóficas gregas. Serviu brevemente na Guerra Social. Sua fama começou em 80 a.C., ao defender Sexto Róscio de Ameria contra acusações apoiadas por um liberto de Sula. Foi questor na Sicília em 75 a.C. e, em 70 a.C., ganhou projeção ao acusar Caio Verres, antigo governador da província, por extorsão.

Cícero foi eleito cônsul para 63 a.C., na idade mínima legal, vencendo candidatos mais bem relacionados. Nesse ano denunciou a conspiração de Catilina nas Catilinárias; amparado em um senatus consultum ultimum, mandou executar cinco conspiradores sem julgamento popular, decisão que o perseguiu. Em 58 a.C., uma lei do tribuno Públio Clódio o levou ao exílio, de onde voltou em 57 a.C. Governou a Cilícia em 51 e 50 a.C. Escreveu tratados de retórica e de filosofia política e moral, como De Oratore, De Re Publica e De Officiis. Na guerra civil, seguiu Pompeu, foi perdoado por César e manteve-se afastado da vida pública.

Após o assassinato de César, em 44 a.C., Cícero voltou à cena e atacou Marco Antônio em uma série de discursos conhecidos como Filípicas. Apoiou o jovem Otaviano contra Antônio, mas a reconciliação entre ambos e a formação do segundo triunvirato, em 43 a.C., resultaram em novas proscrições, nas quais seu nome constou. Em 7 de dezembro de 43 a.C., foi morto por soldados perto de Fórmias, na costa do Lácio, quando tentava fugir. Segundo as fontes, sua cabeça e suas mãos foram expostas nos Rostra, a tribuna do Fórum de onde ele havia discursado, como aviso aos opositores do novo regime.

O que importa reter

  • Suas cartas e discursos documentam a política romana em detalhe único
  • Adaptou o vocabulário filosófico grego para o latim

Legado e julgamento histórico

Cícero foi julgado de modo ambivalente pelos antigos: admirado como maior orador de Roma e criticado por vaidade e hesitação política. Para a historiografia moderna, suas cartas, preservadas em grande número, oferecem um acesso sem paralelo ao cotidiano da elite romana, embora sob ponto de vista parcial. Sua prosa fixou a norma do latim clássico, e seus textos filosóficos transmitiram ao Ocidente latino o vocabulário e parte das doutrinas das escolas gregas. A leitura de suas obras manteve-se central no ensino de retórica da Antiguidade tardia ao Renascimento.

Acontecimentos em que aparece

Consulado conjunto de Pompeu e Crasso

Os dois vencedores da guerra servil ocuparam juntos o consulado e desmontaram parte central da legislação de Sula, restaurando os poderes do tribunato da plebe.

  • Política e governo
  • Roma
  • Século I a.C.
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Pompeu chegou ao consulado sem ter cumprido a carreira exigida, sinal do peso que a força militar tinha sobre as regras institucionais. No mesmo ano, o processo contra o ex-governador da Sicília, conduzido por Cícero, expôs em detalhe a extorsão praticada por administradores provinciais e projetou o orador como figura política de primeira grandeza. A restauração do tribunato devolveu à cena o instrumento legislativo que seria usado depois para conferir comandos extraordinários.

O que levou a isso

  • Prestígio militar acumulado pelos dois cônsules
  • Impopularidade das restrições impostas por Sula ao tribunato
  • Pressão pública contra abusos de governadores provinciais

O que veio depois

  • Restauração plena dos poderes dos tribunos da plebe
  • Reforma da composição dos tribunais criminais
  • Consolidação do prestígio de Cícero e de um novo padrão de julgamento por corrupção

Figuras envolvidas: Pompeu · Marco Licínio Crasso · Cícero

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Conjuração de Catilina e o consulado de Cícero

Cícero denunciou uma conspiração para tomar o poder pela força e mandou executar sem julgamento cinco conjurados presos, decisão que dividiu a opinião pública e o marcaria pelo resto da vida.

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  • Roma e Etrúria
  • Século I a.C.
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Catilina, aristocrata endividado e derrotado em eleições consecutivas, organizou um levante que combinava descontentamento de veteranos, endividados e setores marginalizados da elite. Cícero obteve provas documentais e convenceu o Senado a decretar estado de emergência. O debate sobre a pena dos presos opôs a proposta de César, favorável à prisão perpétua, à de Catão, favorável à execução imediata. As execuções ocorreram sem apelação ao povo, o que era garantia legal do cidadão romano, e resultariam no exílio temporário de Cícero anos depois.

O que levou a isso

  • Endividamento generalizado entre setores da elite e dos veteranos
  • Frustração política de Catilina após derrotas eleitorais
  • Fragilidade dos mecanismos institucionais diante de conspirações armadas

O que veio depois

  • Execução de cinco conjurados sem julgamento e derrota militar do levante
  • Debate duradouro sobre os limites do poder de emergência do Senado
  • Exílio posterior de Cícero, acusado de executar cidadãos sem apelação

Figuras envolvidas: Cícero · Lúcio Sérgio Catilina · Catão, o Jovem · Júlio César

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Segundo triunvirato e as proscrições de 43 a.C.

Diferente do primeiro, este triunvirato foi criado por lei, com poderes formais para reorganizar o Estado, e começou com listas de proscrição que incluíram Cícero entre as vítimas.

  • Política e governo
  • Bolonha e Roma
  • Século I a.C.
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Otaviano, Marco Antônio e Lépido dividiram entre si o controle das províncias e receberam autoridade legal para legislar e julgar sem recurso. As proscrições serviram simultaneamente para eliminar adversários e para financiar os exércitos com bens confiscados. A morte de Cícero, orador e defensor mais eloquente da tradição republicana, tornou-se símbolo do fim de uma era política. O acordo duraria uma década antes de se romper.

O que levou a isso

  • Necessidade dos herdeiros políticos de César de unir forças contra os conspiradores
  • Falta de recursos para pagar exércitos numerosos
  • Fracasso do Senado em oferecer alternativa institucional viável

O que veio depois

  • Execução de centenas de senadores e cavaleiros, entre eles Cícero
  • Financiamento das legiões por confisco em larga escala
  • Divisão do mundo romano em zonas de influência entre os três

Figuras envolvidas: Otaviano · Marco Antônio · Lépido · Cícero

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