Trajetória
Marco Túlio Cícero nasceu em 106 a.C., em Arpino, cidade do Lácio meridional, em uma família equestre rica, sem ancestrais no Senado. Era, portanto, um homo novus, que precisava vencer sozinho as barreiras da nobreza. Estudou em Roma com mestres de oratória e de direito, entre eles o jurista Quinto Múcio Escévola, e frequentou escolas filosóficas gregas. Serviu brevemente na Guerra Social. Sua fama começou em 80 a.C., ao defender Sexto Róscio de Ameria contra acusações apoiadas por um liberto de Sula. Foi questor na Sicília em 75 a.C. e, em 70 a.C., ganhou projeção ao acusar Caio Verres, antigo governador da província, por extorsão.
Cícero foi eleito cônsul para 63 a.C., na idade mínima legal, vencendo candidatos mais bem relacionados. Nesse ano denunciou a conspiração de Catilina nas Catilinárias; amparado em um senatus consultum ultimum, mandou executar cinco conspiradores sem julgamento popular, decisão que o perseguiu. Em 58 a.C., uma lei do tribuno Públio Clódio o levou ao exílio, de onde voltou em 57 a.C. Governou a Cilícia em 51 e 50 a.C. Escreveu tratados de retórica e de filosofia política e moral, como De Oratore, De Re Publica e De Officiis. Na guerra civil, seguiu Pompeu, foi perdoado por César e manteve-se afastado da vida pública.
Após o assassinato de César, em 44 a.C., Cícero voltou à cena e atacou Marco Antônio em uma série de discursos conhecidos como Filípicas. Apoiou o jovem Otaviano contra Antônio, mas a reconciliação entre ambos e a formação do segundo triunvirato, em 43 a.C., resultaram em novas proscrições, nas quais seu nome constou. Em 7 de dezembro de 43 a.C., foi morto por soldados perto de Fórmias, na costa do Lácio, quando tentava fugir. Segundo as fontes, sua cabeça e suas mãos foram expostas nos Rostra, a tribuna do Fórum de onde ele havia discursado, como aviso aos opositores do novo regime.
O que importa reter
- Suas cartas e discursos documentam a política romana em detalhe único
- Adaptou o vocabulário filosófico grego para o latim
Legado e julgamento histórico
Cícero foi julgado de modo ambivalente pelos antigos: admirado como maior orador de Roma e criticado por vaidade e hesitação política. Para a historiografia moderna, suas cartas, preservadas em grande número, oferecem um acesso sem paralelo ao cotidiano da elite romana, embora sob ponto de vista parcial. Sua prosa fixou a norma do latim clássico, e seus textos filosóficos transmitiram ao Ocidente latino o vocabulário e parte das doutrinas das escolas gregas. A leitura de suas obras manteve-se central no ensino de retórica da Antiguidade tardia ao Renascimento.
Acontecimentos em que aparece
Consulado conjunto de Pompeu e Crasso
Os dois vencedores da guerra servil ocuparam juntos o consulado e desmontaram parte central da legislação de Sula, restaurando os poderes do tribunato da plebe.
- Política e governo
- Roma
- Século I a.C.
Conjuração de Catilina e o consulado de Cícero
Cícero denunciou uma conspiração para tomar o poder pela força e mandou executar sem julgamento cinco conjurados presos, decisão que dividiu a opinião pública e o marcaria pelo resto da vida.
- Política e governo
- Roma e Etrúria
- Século I a.C.
Segundo triunvirato e as proscrições de 43 a.C.
Diferente do primeiro, este triunvirato foi criado por lei, com poderes formais para reorganizar o Estado, e começou com listas de proscrição que incluíram Cícero entre as vítimas.
- Política e governo
- Bolonha e Roma
- Século I a.C.