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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Conjuração de Catilina e o consulado de Cícero

Cícero denunciou uma conspiração para tomar o poder pela força e mandou executar sem julgamento cinco conjurados presos, decisão que dividiu a opinião pública e o marcaria pelo resto da vida.

  • Política e governo
  • República
  • Roma e Etrúria
  • Século I a.C.
Acontecimento 59 de 144 41 % do percurso

Contexto histórico

Catilina, aristocrata endividado e derrotado em eleições consecutivas, organizou um levante que combinava descontentamento de veteranos, endividados e setores marginalizados da elite. Cícero obteve provas documentais e convenceu o Senado a decretar estado de emergência. O debate sobre a pena dos presos opôs a proposta de César, favorável à prisão perpétua, à de Catão, favorável à execução imediata. As execuções ocorreram sem apelação ao povo, o que era garantia legal do cidadão romano, e resultariam no exílio temporário de Cícero anos depois.

Como se desenrolou

Lúcio Sérgio Catilina, patrício que servira a Sula, foi impedido de concorrer ao consulado em 66 a.C. por uma acusação de extorsão na África, da qual foi absolvido depois. Em 64 perdeu a eleição para Cícero e Caio Antônio Híbrida; em 63, voltou a perder, em meio a uma campanha em que prometia cancelar dívidas. Segundo Salústio, passou então a reunir descontentes. Em outubro de 63 a.C., Cícero denunciou ao Senado rumores de um levante, que se confirmaram quando Caio Mânlio, antigo centurião de Sula, ergueu tropas em Fésulas, na Etrúria. O Senado aprovou o senatus consultum ultimum. Em 8 de novembro, Cícero pronunciou a primeira Catilinária no templo de Júpiter Estator, e Catilina deixou Roma.

Em Roma ficaram conspiradores como o pretor Públio Cornélio Lêntulo Sura, Cetego, Estatílio e Gabínio. Tentaram obter o apoio de enviados dos alóbroges, povo gaulês que se queixava de dívidas, mas estes denunciaram a trama ao patrono Fábio Sanga e a Cícero. Na noite de 2 para 3 de dezembro, o pretor Lúcio Valério Flaco prendeu os emissários na ponte Mílvia, com cartas seladas pelos conjurados. Confrontados com os documentos, Lêntulo e os outros confessaram diante do Senado. Os cinco foram colocados sob custódia em casas de senadores. Segundo Salústio, havia ameaça de libertação à força, o que alimentou o clima de urgência.

Em 5 de dezembro, o Senado debateu a pena. O cônsul eleito Silano propôs a morte, e muitos concordaram até César, então pretor eleito, propor confisco e prisão perpétua. Catão, tribuno eleito, defendeu a execução, e Cícero também a apoiou na quarta Catilinária. A maioria votou pela morte, e os cinco foram estrangulados no cárcere Tuliano naquele mesmo dia. Em janeiro de 62 a.C., o exército de Catilina, com cerca de duas legiões incompletas segundo Salústio, foi alcançado perto de Pistória por forças de Antônio e Marco Petreio. Catilina morreu lutando na linha de frente, e seus homens, em sua maioria, caíram onde estavam.

O que levou a isso

  • Endividamento generalizado entre setores da elite e dos veteranos
  • Frustração política de Catilina após derrotas eleitorais
  • Fragilidade dos mecanismos institucionais diante de conspirações armadas

O que veio depois

  • Execução de cinco conjurados sem julgamento e derrota militar do levante
  • Debate duradouro sobre os limites do poder de emergência do Senado
  • Exílio posterior de Cícero, acusado de executar cidadãos sem apelação

Importância histórica

Episódio central do debate romano sobre segurança do Estado e garantias legais do cidadão, tema que atravessaria toda a crise da República.

O que dizem as fontes

A fonte básica é a monografia de Salústio, A Conjuração de Catilina, escrita cerca de vinte anos depois, com as quatro Catilinárias e a Pro Sulla de Cícero, além de Apiano e Plutarco. Cícero, como autor e protagonista, apresenta a ameaça como gravíssima; Salústio traça um retrato moral de Catilina que depende de sua tese sobre a decadência romana. Historiadores modernos divergem: alguns veem uma conspiração real, outros uma crise de dívidas inflada por Cícero em defesa de seu consulado. O papel de César e de Crasso é objeto de dúvida. O número de conjurados e a extensão da trama não são verificáveis.

Figuras envolvidas

  • Cícero — o orador da República tardia
  • Júlio César — o general que encerrou a República
  • Lúcio Sérgio Catilina
  • Catão, o Jovem

Fontes consultadas

  1. Cícero, Catilinárias Fonte antiga
  2. Salústio, A Conjuração de Catilina Fonte antiga

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