Trajetória
Marco Licínio Crasso nasceu por volta de 115 a.C. em uma família consular. Seu pai, Públio Licínio Crasso, foi cônsul em 97 a.C. e morreu em 87 a.C., durante o domínio de Cina e Mário, o que levou o jovem a se refugiar na Hispânia. Em 83 a.C. juntou-se a Sula, de quem foi aliado militar importante na batalha da Porta Colina. A base de sua fortuna foi o mercado imobiliário: segundo Plutarco, comprava a baixo preço propriedades confiscadas nas proscrições e imóveis atingidos por incêndios, mantendo equipes de escravos especializados. Emprestava dinheiro a senadores sem juros, o que lhe dava influência política duradoura.
Crasso foi pretor e, em 72 e 71 a.C., recebeu o comando contra Espártaco, depois de derrotas de generais anteriores. Reorganizou as legiões, recorreu à decimação em uma unidade que fugira e encurralou os escravos rebeldes no sul da Itália. Segundo Apiano, cerca de seis mil prisioneiros foram crucificados ao longo da Via Ápia. Foi cônsul com Pompeu em 70 a.C. e censor em 65 a.C. Em 60 a.C., participou do acordo informal com Pompeu e César, que a historiografia moderna chama de primeiro triunvirato. Renovado em Luca, em 56 a.C., o pacto o levou ao segundo consulado, em 55 a.C., e ao governo da Síria.
Crasso partiu para a Síria em 54 a.C., decidido a obter a glória militar que o igualasse a Pompeu e César. Segundo Josefo, saqueou o tesouro do Templo de Jerusalém. Em 53 a.C., atravessou o Eufrates e enfrentou o exército parta comandado por Surena em Carras, onde a cavalaria de arqueiros e os catafractos, cavaleiros de armadura pesada, cercaram as legiões. Seu filho Públio morreu na batalha. Crasso foi morto durante uma negociação, e relatos posteriores acrescentam detalhes macabros sobre seu cadáver, de confiabilidade incerta. As insígnias perdidas só foram recuperadas por via diplomática, em 20 a.C., sob Augusto.
O que importa reter
- Sua fortuna sustentava carreiras políticas e alianças no Senado
- A derrota em Carras, em 53 a.C., desequilibrou o pacto triunviral
Legado e julgamento histórico
As fontes antigas, de Plutarco a Cícero, o descrevem como símbolo da avidez: um homem cuja riqueza dava poder, mas cuja sede de glória o levou ao desastre. A historiografia moderna matiza esse quadro e destaca seu papel de mediador entre Pompeu e César, cujo desaparecimento rompeu o equilíbrio do acordo de 60 a.C. Carras tornou-se referência da dificuldade romana diante da guerra parta, e a imagem de Crasso permaneceu como exemplo clássico da relação entre dinheiro e política na Roma republicana.
Acontecimentos em que aparece
Revolta de escravizados liderada por Espártaco
A fuga de gladiadores de uma escola em Cápua transformou-se em uma insurreição de dezenas de milhares de escravizados que derrotou vários exércitos romanos antes de ser esmagada.
- Sociedade e conflitos internos
- Cápua, Vesúvio e sul da Itália
- Século I a.C.
Consulado conjunto de Pompeu e Crasso
Os dois vencedores da guerra servil ocuparam juntos o consulado e desmontaram parte central da legislação de Sula, restaurando os poderes do tribunato da plebe.
- Política e governo
- Roma
- Século I a.C.
Formação do primeiro triunvirato
César, Pompeu e Crasso firmaram um acordo privado para controlar as decisões públicas, cada um obtendo do arranjo o que o Senado lhes recusava.
- Política e governo
- Roma
- Século I a.C.