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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Revolta de escravizados liderada por Espártaco

A fuga de gladiadores de uma escola em Cápua transformou-se em uma insurreição de dezenas de milhares de escravizados que derrotou vários exércitos romanos antes de ser esmagada.

  • Sociedade e conflitos internos
  • República
  • Cápua, Vesúvio e sul da Itália
  • Século I a.C.
Acontecimento 56 de 144 39 % do percurso

Contexto histórico

A economia itálica dependia de trabalho escravo em escala enorme, resultado direto das conquistas. A revolta cresceu rapidamente ao atrair trabalhadores rurais escravizados e derrotou forças romanas sucessivas, o que revelou a fragilidade do sistema de segurança interna. Crasso assumiu o comando com poderes amplos e derrotou os rebeldes; cerca de seis mil prisioneiros foram crucificados ao longo da Via Ápia. Pompeu interceptou um contingente em fuga e reivindicou parte do crédito, alimentando a rivalidade entre ambos.

Como se desenrolou

Em 73 a.C., cerca de setenta gladiadores da escola de Lêntulo Batiato, em Cápua, planejaram uma fuga. Segundo Plutarco, o plano foi descoberto, mas aproximadamente setenta e quatro conseguiram escapar com facas de cozinha, tomando depois armas de gladiadores que encontraram em um comboio. Escolheram líderes: o trácio Espártaco, e os gauleses Crixo e Enomau. Instalaram-se no Vesúvio. O pretor Caio Cláudio Glabro, com tropas de emergência, bloqueou a única trilha de acesso, mas os rebeldes desceram por cordas feitas de vinhas e atacaram seu acampamento por trás. Em seguida derrotaram o pretor Públio Varínio e seus subordinados, e a revolta atraiu pastores e trabalhadores rurais escravizados do sul.

Em 72 a.C., as forças rebeldes, que Apiano estima em cerca de setenta mil, dividiram-se. Crixo, com seguidores que queriam saquear a Itália, foi derrotado e morto no monte Gárgano pelo cônsul Lúcio Gélio. Espártaco, por sua vez, seguiu para o norte, aparentemente com a intenção de cruzar os Alpes e dispersar-se. Venceu os dois cônsules em separado e derrotou o governador da Gália Cisalpina em Mutina. Em vez de deixar a Itália, voltou ao sul, por razões que as fontes explicam de formas contraditórias, entre elas pressão dos seguidores. Chegou ao estreito de Messina e tentou arranjar navios de piratas para passar à Sicília, mas foi enganado.

Em 71 a.C., Marco Licínio Crasso, pretor, recebeu o comando com seis legiões novas e mais as sobreviventes, num total de cerca de oito a dez legiões. Aplicou a decimação a uma unidade que fugira, restaurando a disciplina. Cercou os rebeldes no extremo sul da Calábria com uma fortificação, mas Espártaco furou o cerco numa noite de neve. Houve uma divisão no campo rebelde e, nas batalhas finais, perto do rio Sílaro, Espártaco foi morto em combate, sem que seu corpo fosse identificado. Seis mil prisioneiros foram crucificados na Via Ápia, de Cápua a Roma. Pompeu, que voltava da Hispânia, destruiu cerca de cinco mil fugitivos no norte.

O que levou a isso

  • Escala massiva da escravidão na Itália após um século de conquistas
  • Condições brutais nas escolas de gladiadores e nas grandes propriedades
  • Concentração de tropas romanas em guerras externas simultâneas

O que veio depois

  • Repressão exemplar com milhares de crucificações na principal estrada da Itália
  • Endurecimento do controle sobre populações escravizadas
  • Fortalecimento político de Crasso e Pompeu, que disputaram o crédito da vitória

Importância histórica

Maior insurreição servil da história romana e evidência do custo social do sistema escravista que sustentava a economia da península.

O que dizem as fontes

As narrativas são Plutarco (Vida de Crasso), Apiano (Guerras Civis, I) e Floro, além de menções em Salústio e Lívio, perdidos em grande parte. Todas são escritas por romanos, que veem os rebeldes como bandidos e atribuem o desfecho a Crasso. Não conhecemos os objetivos de Espártaco: fugir, voltar à Trácia ou abolir a escravidão não aparecem de modo confiável. Os números de rebeldes variam de dezenas de milhares a cifras maiores e são pouco confiáveis, assim como o número de crucificados. A arqueologia quase não deixou vestígios identificáveis. A história de Espártaco foi reinterpretada de modo ideológico por autores modernos, o que exige cautela.

Figuras envolvidas

Fontes consultadas

  1. Plutarco, Vidas Paralelas: Crasso Fonte antiga
  2. Apiano, Guerras Civis, livro I Fonte antiga

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