Trajetória
Tito Flávio Vespasiano nasceu em Roma, por volta do ano 39 d.C., filho mais velho de Vespasiano, então um senador de origem itálica modesta. Cresceu na corte de Cláudio, onde foi educado junto de Britânico, e fez carreira como tribuno militar na Germânia e na Britânia. Quando seu pai recebeu o comando da guerra contra a revolta judaica, em 66-67, Tito serviu como legado de legião. Em 69, enquanto Vespasiano era proclamado imperador pelas tropas do Oriente, coube a Tito prosseguir a campanha na Judeia, o que o transformou em herdeiro natural e colaborador direto do novo regime flaviano.
Entre 69 e 70, Tito conduziu o cerco de Jerusalém, que terminou com a tomada da cidade e a destruição do Templo, episódio narrado por Flávio Josefo, testemunha de origem judaica que acompanhava o estado-maior romano. Em 71 celebrou triunfo conjunto com o pai e, durante o principado de Vespasiano, acumulou consulados, a censura em 73 e o comando da guarda pretoriana, funções que o associaram estreitamente ao poder. Tornou-se imperador em junho de 79. Seu breve governo enfrentou a erupção do Vesúvio, que soterrou Pompeia e Herculano, um incêndio em Roma e uma epidemia, em 80, além da inauguração do anfiteatro flaviano com festejos prolongados.
Segundo Suetônio, Tito mandou afastar de Roma a rainha Berenice, com quem mantivera relação pública, e cultivou uma política de clemência, evitando processos por lesa-majestade. Organizou ajuda às regiões afetadas pelo Vesúvio, recorrendo, segundo o mesmo autor, a uma comissão de senadores e a recursos de bens de vítimas sem herdeiros. Morreu em 13 de setembro de 81, de febre, aos cerca de 41 anos, na propriedade sabina da família. Sucedeu-o o irmão, Domiciano, e rumores antigos, não confirmados, chegaram a insinuar que este teria apressado o desfecho, versão que os historiadores modernos tratam com cautela.
O que importa reter
- Organizou socorro às cidades atingidas pela erupção do Vesúvio
- O arco erguido em sua memória documenta o espólio de Jerusalém
Legado e julgamento histórico
As fontes antigas, sobretudo Suetônio e Díon Cássio, guardaram de Tito uma imagem favorável, a de um governante que deixou de lado a fama de dureza da juventude e foi lembrado pela benevolência. A historiografia moderna nota que a brevidade do reinado e o contraste com o irmão Domiciano favoreceram essa memória idealizada. O que permaneceu foi sobretudo material: o Arco de Tito, no Fórum, erguido após sua morte e com relevo do espólio do Templo, e o anfiteatro flaviano, que atravessou os séculos como o Coliseu.
Acontecimentos em que aparece
Guerra Judaica e destruição do Templo de Jerusalém
A revolta na Judeia foi reprimida em uma guerra de oito anos que culminou na destruição do Templo de Jerusalém, evento decisivo para a história do judaísmo.
- Religião e crenças
- Judeia
- Século I d.C.
data aproximada
Construção e inauguração do Anfiteatro Flaviano
Erguido em parte com o espólio da guerra na Judeia sobre terreno antes ocupado por um palácio imperial, o anfiteatro devolvia à população uma área privatizada e podia acomodar dezenas de milhares de espectadores.
- Engenharia e cidades
- Roma
- Século I d.C.
datação debatida
Erupção do Vesúvio e soterramento de Pompeia e Herculano
A erupção sepultou cidades inteiras sob cinzas e fluxos piroclásticos, matando milhares de pessoas e preservando, involuntariamente, o registro mais completo da vida cotidiana romana.
- Sociedade e conflitos internos
- Baía de Nápoles, Campânia
- Século I d.C.