Ir para o conteúdo
DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

data aproximada

Construção e inauguração do Anfiteatro Flaviano

Erguido em parte com o espólio da guerra na Judeia sobre terreno antes ocupado por um palácio imperial, o anfiteatro devolvia à população uma área privatizada e podia acomodar dezenas de milhares de espectadores.

Acontecimento 83 de 144 58 % do percurso

Sobre a data: O início das obras é situado por volta de 72 d.C.; a inauguração, em 80 d.C., é bem documentada. Acréscimos posteriores continuaram nas décadas seguintes.

Contexto histórico

A obra tinha significado político explícito: onde havia um lago privado do palácio anterior, os flavianos construíram um edifício de uso coletivo. A estrutura combina arcos, abóbadas e concreto romano em um sistema de circulação que permitia esvaziar o edifício rapidamente. Os espetáculos, financiados pelo Estado, faziam parte da relação política entre governante e população urbana. O edifício permaneceu em uso por séculos e é hoje um dos monumentos antigos mais visitados do mundo.

Como se desenrolou

As obras começaram sob Vespasiano, por volta de 70 a 72, no vale entre o Célio, o Palatino e o Esquilino, onde Nero mandara abrir um lago artificial como parte da Casa Dourada. Para fundar um edifício de grande porte sobre o terreno encharcado, os engenheiros construíram um anel de fundações de concreto, com cerca de treze metros de profundidade. A estrutura externa é de travertino, extraído de pedreiras próximas a Tívoli, ligado por grampos de ferro; as paredes internas combinam tufo, tijolo e concreto abobadado. Uma inscrição dedicatória, reconstituída pelos furos das letras de bronze, indica que a obra foi feita com o butim, ex manubiis.

O edifício mede aproximadamente 188 por 156 metros e chega a cerca de 50 metros de altura. A fachada tem três ordens de arcadas, com colunas dóricas, jônicas e coríntias, e um andar superior fechado. Havia oitenta entradas numeradas, e os espectadores acessavam corredores e escadas radiais conforme a classe social e a fila, com bilhetes de cerâmica ou osso. A capacidade é estimada entre 50 e 70 mil, segundo critérios diferentes. Um toldo, o velarium, era manobrado por marinheiros da frota de Miseno. Sob a arena, a estrutura de passagens e elevadores, o hipogeu, só foi construída sob Domiciano, que também acrescentou o andar de madeira das últimas filas.

Tito inaugurou o anfiteatro em 80, com cem dias de jogos, segundo Suetônio e Dião Cássio. O poeta Marcial compôs o Livro dos Espetáculos para a ocasião, descrevendo combates de gladiadores, caças a animais exóticos e simulações navais, ainda que não esteja claro se a arena era alagada de fato no edifício definitivo. Dião fala em milhares de animais mortos. Ao lado erguia-se o colosso, estátua de bronze de Nero reaproveitada como imagem do Sol, de onde provavelmente vem o nome popular do anfiteatro, que só se fixou na Idade Média. Domiciano completou o conjunto, e reparos foram necessários após incêndios e terremotos.

O que levou a isso

  • Necessidade da nova dinastia de se legitimar perante a população da capital
  • Disponibilidade de recursos oriundos da guerra na Judeia
  • Interesse em reverter a privatização de área central promovida pelo governo anterior

O que veio depois

  • Criação do maior anfiteatro do mundo romano, com capacidade para dezenas de milhares
  • Consolidação dos espetáculos públicos como instrumento de governo
  • Modelo arquitetônico replicado em anfiteatros por todo o império

Importância histórica

Síntese da engenharia romana e da relação política entre poder imperial e povo urbano.

O que dizem as fontes

O que se sabe da inauguração depende de Suetônio, de Dião Cássio (compilado em resumo bizantino) e de Marcial, que escrevia como poeta de corte. A inscrição dedicatória, estudada por Géza Alföldy, é decisiva para confirmar o butim como fonte do financiamento, embora a ligação específica com a guerra da Judeia seja inferência plausível, não afirmação direta. As estimativas de capacidade, de 50 a 80 mil lugares, dependem de pressupostos sobre o espaço por pessoa. Debate-se também a datação de elementos da estrutura e o grau de participação de Domiciano. A tradição cristã dos mártires no Coliseu é tardia e carece de comprovação robusta.

Figuras envolvidas

  • Vespasiano — o fundador da dinastia flaviana
  • Tito — o comandante do cerco de Jerusalém

Fontes consultadas

  1. Suetônio, Vida dos Doze Césares: Vespasiano e Tito Fonte antiga
  2. Centro Histórico de Roma, bem inscrito na Lista do Patrimônio Mundial UNESCO

Acontecimentos relacionados