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DigitalTitleTrace Cronologia do mundo romano

Guerra Judaica e destruição do Templo de Jerusalém

A revolta na Judeia foi reprimida em uma guerra de oito anos que culminou na destruição do Templo de Jerusalém, evento decisivo para a história do judaísmo.

Acontecimento 81 de 144 56 % do percurso

Sobre a data: A queda de Massada é datada de 73 ou 74 d.C. conforme a reconstrução cronológica adotada.

Contexto histórico

A administração romana na Judeia acumulava conflitos religiosos, fiscais e políticos. A guerra levou Vespasiano ao Oriente e, indiretamente, ao trono imperial. Seu filho Tito conduziu o cerco de Jerusalém e o Templo foi incendiado em 70. Os despojos aparecem representados no arco erguido em Roma para celebrar a vitória. A resistência terminou na fortaleza de Massada. Sem o Templo, o judaísmo se reorganizou em torno do estudo e das sinagogas, transformação de longo alcance.

Como se desenrolou

O estopim foi em 66, em Cesareia, onde um conflito entre gregos e judeus se somou ao confisco de prata do Templo pelo procurador Géssio Floro. Em Jerusalém, o sacerdote Eleazar suspendeu o sacrifício diário em honra do imperador, ato de ruptura que Flávio Josefo considera o início da guerra. A guarnição romana foi massacrada, e o legado da Síria, Céstio Galo, foi derrotado em Bete-Horon quando se retirava. Nero designou Vespasiano, veterano da conquista da Britânia, que em 67 invadiu a Galileia com cerca de 60 mil homens. Josefo, comandante rebelde da região, rendeu-se em Jotapata e passou ao lado romano, passando a escrever a história da guerra.

Com a morte de Nero em 68 e a guerra civil que se seguiu, as operações perderam ritmo. Quando Vespasiano foi proclamado imperador no verão de 69, seu filho Tito recebeu o comando. O cerco de Jerusalém começou na Páscoa de 70, com a cidade lotada de peregrinos e dividida entre as facções de João de Giscala, Simão bar Giora e os zelotas, que chegaram a lutar entre si, destruindo parte dos estoques de grãos. Tito ergueu rampas, abriu brechas e, por fim, tomou a fortaleza Antônia. Segundo Josefo, ele queria poupar o Templo, mas um soldado lançou uma tocha e o fogo se espalhou, em um dia associado à destruição do primeiro Templo.

A cidade foi arrasada, e o triunfo de Vespasiano e Tito em Roma, em 71, exibiu a menorá, a mesa dos pães da proposição e outros objetos sagrados; a cena aparece no arco de Tito. Bolsões de resistência restaram em Herodium, Maqueronte e Massada. Em Massada, o governador Flávio Silva montou cerco de longa duração, com acampamentos e uma rampa de terra e pedra, e, segundo Josefo, encontrou 960 pessoas mortas por suicídio coletivo, às ordens de Eleazar ben Jair. O imposto antes pago ao Templo foi convertido em um tributo, o fiscus Iudaicus, cobrado de judeus em todo o império. A legião X Fretense foi instalada nas ruínas de Jerusalém.

O que levou a isso

  • Tensões religiosas e administrativas acumuladas na província da Judeia
  • Cobrança fiscal considerada abusiva e desrespeito a normas religiosas locais
  • Fragmentação política interna entre grupos judaicos

O que veio depois

  • Destruição do Templo e fim do culto sacrificial centralizado
  • Reorganização do judaísmo em bases rabínicas e sinagogais
  • Uso do espólio e da vitória para legitimar a nova dinastia imperial

Importância histórica

Um dos acontecimentos de maior consequência religiosa da Antiguidade, com efeitos que atravessam dois milênios.

O que dizem as fontes

Nossa fonte principal é Josefo, ex-comandante rebelde que escreveu sob patrocínio flaviano, o que torna seu relato valioso e interessado, sobretudo ao eximir Tito da destruição do Templo. Tácito dá uma versão diferente e menos favorável. Os números de Josefo, como 1,1 milhão de mortos em Jerusalém, são inverossímeis. A arqueologia confirma camadas de destruição, rampas romanas em Massada e moedas rebeldes, mas as escavações de Yigael Yadin em Massada e a narrativa do suicídio coletivo são objeto de debate crítico. Também se discute em que medida o judaísmo rabínico se formou de fato depois de 70, e não ao longo de processos mais lentos.

Figuras envolvidas

  • Vespasiano — o fundador da dinastia flaviana
  • Tito — o comandante do cerco de Jerusalém
  • Flávio Josefo

Fontes consultadas

  1. Flávio Josefo, A Guerra dos Judeus Fonte antiga
  2. Tácito, Histórias, livro V Fonte antiga

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