Trajetória
Tito Flávio Vespasiano nasceu em 9 d.C., em Falacrina, na Sabina, em uma família equestre de origem itálica, sem tradição senatorial. O pai foi cobrador de impostos, e o avô, segundo Suetônio, um centurião. Entrou no Senado como questor, em Creta e Cirene, foi edil e pretor por volta de 40 d.C. Sob Cláudio, comandou a legião II Augusta na conquista da Britânia, em 43 d.C., e tomou a ilha de Wight e regiões do sudoeste. Foi cônsul sufecto em 51 d.C. e governou a província da África. Caiu em desgraça sob Nero por razões cortesãs, mas recebeu o comando da guerra na Judeia, em 66 d.C.
Em 67 d.C., Vespasiano iniciou a campanha na Galileia, em que se rendeu o futuro historiador Flávio Josefo. Com a morte de Nero, o ano de 69 d.C. levou ao poder Galba, Otão e Vitélio em sucessão. Em 1º de julho, as legiões do Egito proclamaram Vespasiano imperador, apoiado pelas tropas da Judeia, da Síria e do Danúbio, sob o comando de Antônio Primo. Vitélio foi vencido e morto em dezembro. Uma lei, a lex de imperio Vespasiani, definiu seus poderes. Atuou como censor, reconstituiu o Senado com homens itálicos e provinciais, recuperou as finanças com novos impostos e iniciou, por volta de 70 d.C., o Anfiteatro Flaviano, o Coliseu.
Seu filho Tito tomou Jerusalém em 70 d.C., e o Templo de Paz celebrou a vitória. Vespasiano reprimiu a revolta de Júlio Civil, na Batávia, e reorganizou o exército das fronteiras. Pagou cátedras de retórica com fundos públicos e expulsou filósofos que o criticavam. Morreu em 23 de junho de 79 d.C., em Aquae Cutiliae, na Sabina, de causas naturais, e Tito o sucedeu sem contestação, uma transição inédita desde Augusto. Segundo Suetônio, teria dito antes de morrer que sentia estar se tornando um deus, relato típico de anedota biográfica, de autenticidade duvidosa.
O que importa reter
- Restaurou o tesouro público após anos de guerra civil
- Primeiro imperador de origem itálica sem laços com a antiga aristocracia
Legado e julgamento histórico
Suetônio e Josefo, que lhe devia a liberdade, o descrevem em termos favoráveis: simples, bem-humorado e frugal. Tácito reconhece a restauração da ordem, mas critica a avareza. A historiografia moderna vê em Vespasiano o restaurador que saneou as finanças após Nero e a guerra civil, abriu o Senado a elites itálicas e provinciais e estabeleceu a sucessão dinástica. Ficaram o Coliseu, o Fórum da Paz e a dinastia flaviana, que governou até 96 d.C., além do ensino público de retórica.
Acontecimentos em que aparece
Guerra Judaica e destruição do Templo de Jerusalém
A revolta na Judeia foi reprimida em uma guerra de oito anos que culminou na destruição do Templo de Jerusalém, evento decisivo para a história do judaísmo.
- Religião e crenças
- Judeia
- Século I d.C.
Ano dos quatro imperadores
A queda de Nero abriu uma guerra civil em que quatro homens foram proclamados imperadores no mesmo ano, revelando que exércitos provinciais podiam decidir quem governava.
- Política e governo
- Itália, Gália, Germânia e Oriente
- Século I d.C.
data aproximada
Construção e inauguração do Anfiteatro Flaviano
Erguido em parte com o espólio da guerra na Judeia sobre terreno antes ocupado por um palácio imperial, o anfiteatro devolvia à população uma área privatizada e podia acomodar dezenas de milhares de espectadores.
- Engenharia e cidades
- Roma
- Século I d.C.